A Comunicação em tempo de guerra e as pedras no caminho…

por Sulamita Esteliam

Inscrevi-me para o Encontro de Lula com Comunicadores e Comunicadoras, que aconteceu nesta terça. O encontro discutiu estratégias da campanha da Coligação Brasil Esperança nos pouco mais de 10 dias que faltam para a votação em segundo turno das eleições presidencial e estaduais.

Por algum motivo técnico, acessei a plataforma Zoom, mas fiquei a ver navios: o som não funcionou, e Euzinha não consegui corrigir a falha. Aí, parti para o YouTube e engrossei a plateia.

Creio que este é o meu lugar: assistir a banda passar, interagindo a meu modo e no meu tempo. Para isso, mantenho este A Tal Mineira, com esforço pessoal, pois tem sido trabalho voluntário. Por isso estou nas redes sociais, fazendo a minha parte com o conhecimento de que disponho.

Sei que o alcance é limitado – até porque o blogue segue sob censura no Facebook e no Instagram. Mas é o que posso contribuir.

Não obstante, minha energia anda relutante, depois do episódio de bloqueio ao acesso à coletiva de imprensa de Lula e Marília no Recife, apesar de ter o credenciamento confirmado. Não apenas esta velha escriba ficou de fora, registre-se, mas só posso falar por mim.

Alegaram “questão de segurança, o espaço é pequeno”. De fato é acanhado o espaço da Fetape, e a segurança de Lula é primordial.

A pergunta primeira é por que escolheram aquele e não outro local. Quem dos movimentos sociais, dos partidos no Recife não sabia? Não houve visita técnica para checagem do espaço?

Na minha terra e em qualquer lugar isso tem nome.

Lembrei-me de um ditado de tempos sombrios: “o pior da ditadura é o guarda da esquina”. E quem cobre política ou cultura sabe que a anturragem é mais realista que o rei.

Deu-se antes da caminhada. Aí, sim, foi um espetáculo digno do povo desta terra: um Galo da Madrugada que vermelhou as ruas da cidade, aqueceu o coração e distribuiu alegria e esperança por onde passou.

Simplesmente arrebatador.

O nó da garganta provocado pelo desrespeito, que me atingiu como um soco no estômago, se desfez, momentaneamente. Mas a coisa ainda não foi digerida pelo fígado. Sou do tipo que não esquece. A escrita é terapêutica.

Nunca precisei de credencial para circular na rua, conversar com pessoas, capturar a energia inigualável do povo disposto a interferir na curso de suas vidas. Faço isso há 43 anos, e continuo fazendo nesses 12 anos de blogue.

Fazia mesmo com subtítulo do veículo da vez: “Sulamita do”… Caderno Fim de Semana/Estado de Minas, da revista Manchete/Bloch Editores, do Jornal de Casa, Diário do Comércio, de O Globo, do Hoje em Dia, da TV Manchete, TV Ceará, de O Povo; da Comunicação do Sindicato dos Bancários do Ceará, do Sindicato dos Bancários de Pernambuco…

A questão é que atendi ao “aviso de pauta” da assessoria de imprensa para o credenciamento. Segui as regras, cobrei a confirmação e ela veio na noite da véspera do evento. Não houve qualquer referência à restrição de acesso à coletiva.

E a principal das questões é a incoerência de discriminar mídia alternativa, que, é quem faz a resistência, que combate à manipulação da mídia convencional, que disputa pela narrativa. Propuseram uma coletiva e Euzinha tinha perguntas a fazer.

Outra questão é a falta de pessoa habilitada no local para dialogar. Não fui a única barrada no baile, mas só posso falar por mim. Vai longe o tempo em que atuei como representante da categoria, e bem sei o peso dessa tarefa.

Postei nas redes sociais meu protesto no dia. Silêncio sepulcral. Tudo cessa quando um valor maior se levanta, menos o respeito e a solidariedade.

Esta manhã, enviei mensagem por email para a Assessoria de Imprensa da campanha: registro oficial para que não volte a acontecer com ninguém; e permitir-me encerrar o assunto.

Pronto, bola pra frente.

O encontro com Lula, na verdade, é apenas a abertura do evento. Porque a campanha, obviamente, não permite ocupar a agenda do candidato com tête-a-tête com o exército de comunicadores, a maioria absoluta ativistas digitais.

Edinho Silva, coordenador de Comunicação do PT, ex-ministro de Dilma Rousseff na área e atual prefeito de Araraquara-SP, informou ao ex-presidente-candidato: cerca de 17 mil pessoas estavam plugadas no momento em que Lula iniciou a fala que encerrou a parte pública do evento; ao final eram 23 mil.

É batalhão para ninguém botar defeito. Na pauta do seminário que se seguiu, o detalhamento das estratégias para os dias, pouco mais de uma semana, que restam até a hora da verdade.

Não há dúvidas de que estamos numa guerra, onde o vale-tudo das mentiras espalhadas ao vento não tem limites.

A comunicação e o acionamento jurídico são as armas principais de combate da mentira com a verdade, das notícias falsas com fatos, das ilegalidades com ações judiciais.

Nesta segunda-feira, mesmo, a presidenta do PT, Gleisy Hoffmann e outros representantes da Coligação Brasil Esperança estiveram no TSE – Tribunal Superior Eleitoral.

O propósito: denunciar a existência de grupo de cerca de 40 pessoas que fabricam e disseminam mentiras e notícias falsas nas redes. Naturalmente que contra Lula e aliados e em favor do Coisa-ruim quem insiste em se manter em desgoverno.

Deixo o link para o vídeo da abertura com participação de Lula, Gleisy Hoffmann, Manuela D’Ávila, Simone Tebet, Eduardo Janones, Guilherme Boulos, Randolf Rodrigues e Ruy Falcão, além do prefeito Edinho Silva.

Clique para saber mais.

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