‘Na medida do impossível’, o livro da vida

Áudio ao pé da postagem.

por Sulamita Esteliam

Meu amigo de anos, colega jornalista e escritor – e editor recentemente -, apresenta seu novo “filho” à comunidade leitora e ambientalista do Brasil. Na Medida do Impossível, 490 páginas, Comunicação de Fato Editora, é a história da construção e desconstrução das políticas ambientais em Minas e no Brasil.

E antecipa a celebração dos 50 anos, a serem completados em 2028, da Amda – Associação Mineira de Defesa do Ambiente. Marcelo Freitas, o autor, é parte da entidade desde a fundação, praticamente.

O lançamento é na capital mineira, onde habita, trabalha e milita: dia 10 deste novembro, a partir das 19h30, na Casa de Jornalistas, centro dito nobre da cidade: Av. Álvares Cabral, 400.

Queria muito estar presente, mas não é possível. Envio todos os bons fluidos que sou capaz de emanar, com votos de reconhecimento e sucesso que ele e sua obra merecem.

Marcelo é um amigo querido de anos. Começou no Jornalismo em dobradinha comigo, na cobertura política do Diário do Comércio, na primeira metade dos anos 80 do século passado.

Sob a batuta do melhor pauteiro, que adubou meu caminho profissional – em todos os tempos e veículos pelos quais já passei- , o já encantado João Rafael Piccardi Neto.

Fico por aqui na viagem ao túnel do tempo, preciso me conter. Vamos ao mote da postagem.

Quando me refiro ao “livro da vida”, quero dizer que a causa ecológica, ambiental, é a preservação do ser humano, pura e simplesmente. Digo Isso porque, a natureza, em si, se autorenova, faz isso há milhões de anos.

O que não significa que o Planeta assuma estrutura que nos favoreça.

Então, preservação do meio em que vivemos não é mi-mi-mi – expressão tão cara à tucanagem, nos primórdios – pirateada e desmoralizada de vez pela extrema direita, desde os tempos do “passar a boiada”. É sobrevivência da humanidade, é disso que se trata.

Pois, nas Minas Gerais, terra mineral, de “grandes sertões, veredas”- salve mestre Rosa!- cerrado e mata atlântica, a Amda tem sido protagonista na preservação da vida. Um jogo de ganha e perde, registre-se.

É dela, por exemplo, a elaboração da Lei Florestal, que freou o consumo de carvão oriundo de matas nativas no Estado, em 1992. As condições de trabalho nas carvoarias eram de fazer chorar. Sou testemunha.

Também, a mão da entidade está o processo que resultou na criação, aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas, da Semad – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Na era da desconstrução das políticas ambientais, a Amda trabalhou no sentido inverso – para frear o retrocesso.

No Brasil isso ocorreu em 2012, quando da aprovação da reforma do Código Florestal – criado em 1934, modificado em 1965 – e novamente quando o Congresso aprovou a Lei 12.651, de 25 de maio de 2012, em vigor.

Em Minas, 2015, quando a Assembleia aprovou o projeto do Governo do Estado que reduziu o poder de decisão do Copam – Conselho Estadual de Política Ambiental sobre licenciamentos; com impactos danosos significativos ao meio ambiente.

É mais um livro-reportagem da lavra de Marcelo Freitas, autor premiado.

Depois do lançamento em Belo Horizonte, Na Medida do Impossível chega, dia 17 de novembro, a Itabira; a “terra de ferro – noventa por cento de ferro nas calçadas”. conforme Carlos Drummond de Andrade, filho natal, em “Confidências do Itabirano”.

No dia 26, é a vez de Ipatinga, no Vale do Aço, e do Rio Doce. Aliás, o massacre de Ipatinga e da Usiminas são temas de outro livro-reportagem, estreia do autor em 2009.

Não foi por acaso é o título que aponta o dedo para os responsáveis pela matança. Conta a história, ponto por ponto, e os antecedentes do dia em que a polícia miltar atirou e matou operários que construíram a usina, naquela cidade.

Oficialmente, foram assassinados oito operários. Entretanto, em suas pesquisas, Marcelo encontrou e entrevistou familiares de dois outros trabalhadores da siderúrgica que, simplesmente, desapareceram naquele 7 de outubro de 1968.

Criada por Juscelino Kubitschec em 1956, a Usiminas nasceu estatal, mas na prática era um joint venture, parceria dos governos federal e estadual com capital privado japonês. A gestão, portanto, era compartilhada.

E foi a direção da empresa que convocou a polícia para conter o protesto de seus trabalhadores, o que resultou no massacre., denuncia o livro-reportagem. É jornalismo investigativo na veia.

A obra também é publicado pela Comunicação de Fato, criada por Marcelo, em princípoio, para esse fim, após várias tentativas frustradas de trazê-lo à luz, via editoras estabelecidas.

História que nasceu acadêmica, desenvolvida em sua tese de mestrado em Ciências Sociais pela PUC MG. Disponível também na Amazon.

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Marcelo Freitas Marcelo é jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1981, com passagem pelos jornais Diário do Comércio, Hoje em Dia, O Tempo e Estado de Minas. Foi diretor de Comunicação da UFMG, assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Belo Horizonte e diretor de Redação do portal de notícias BHAZ. É também autor dos livros Não foi por acaso, sobre o Massacre de Ipatinga; e Nós também estivemos na linha de frente, sobre as histórias do jornalismo na pandemia de Covid-19. Os dois últimos são finalistas do Prêmio Vladimir Herzog de melhor Livro Reportagem em 2010 e 2023.

Fotos : montagem sobre divulgação e capturada no FB/Marcelo Freitas

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