Ato na UFPE denuncia caso de assédio sexual#16diasativismo

por Sulamita Esteliam

A abertura dos #16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher em Pernambuco aconteceu neste 24, no Recife, com uma  série de atividades. A mais significativa é a tradicional vigília promovida pelo Fórum de Mulheres, com um belo, e dolorido, ritual de acender velas e chamar, nominalmente, todas as vítimas da violência doméstica e sexista no estado. Este ano, o ato começou pela capital, e se reproduz pelo interior: Água Preta, dia 25; Afogados da Ingazeira, dia 27, e Ouricuri, dia 30 – aqui, no SOS Corpo.

Aqui, a vigília aconteceu a partir das 16 horas, no Campus da UFPE, em frente ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Teve alvo bem-direcionado: exigir que a Universidade cumpra recomendação do Ministério Público Federal de afastar das atividades e abrir processo para exonerar o professor Jorge Vareschka, do CFCH. Ele é acusado de assédio sexual e tentativa de estupro contra uma aluna, há cerca de seis meses.

O professor foi indiciado pela Delegacia da Mulher por crime de estupro, nos termos da legislação atual. A estudante o denunciou e, a partir da atitude dela, outras vítimas se sentiram encorajadas a testemunhar contra ele.

“A decisão do MPF ocorreu há dois meses, mas a Comissão de Ética da UFPE não tomou qualquer providência”, afirma Sílvia Camurça, uma das coordenadoras do Fórum de Mulheres de Pernambuco, com quem falei, no início da noite, por telefone.

Segundo ela, a ONG foi procurada pela vítima quando esta não encontrou guarida junto ao Ministério Público Estadual. “Ela teve que recorrer ao MPF, porque o professor é muito influente, e o Ministério Público de Pernambuco não aceitou a denúncia da estudante. O processo corre, agora, na Justiça Federal”, afirma.

A coordenadora do Fórum de Mulheres PE vê dois motivos para a omissão da UFPE diante de um caso de tal gravidade: “O espírito de corpo é muito grande. Por outro lado, há sempre aquela história, quando a vítima é mulher: ou a gente está exagerando ou deu motivo”, observa.

Não é prerrogativa do Brasil – clique para ler o que acontece nos EUA e na Colômbia.

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Este caso me chegou, via correio eletrônico, no final de agosto deste ano, através da Rede Mulher e Mídia. Não, não sentei em cima da notícia, como se diz no jargão das redações. Apenas tive os cuidados de praxe quando se lida com denúncias, sobretudo, via Internet.

A mensagem reproduzia a denúncia publicada no sítio Mídia Independente. Troquei informações com a colega que enviou, pedindo contato com a pessoa que lhe remetera a denúncia, se ela a conhecia e confiava nela. Respondeu-me positivamente.

Enviei mensagem para a pessoa indicada, perguntando se conhecia a fonte da denúncia, se poderia me passar o contato da(s) mulher(es) envolvida(s), ou de quem a(s) conhecesse para eu ir atrás, conversar diretamente. Falei das minhas preocupações e cuidados com as pessoas envolvidas, todas. Afinal, são reputações em jogo.

A primeira reação foi hostil: estaria tentando “descredibilizar” a denúncia?. Expliquei que não, longe disso. Pouco importa se A ou B tem costas quentes ou poder. Jornalismo lida com fatos, e acusações têm que estar fundamentadas. São cuidados que se deve ter. Palavras são como balas. Não têm retorno. E a Internet aceita tudo.

Reiterei que compreenderia se ela(s) não quisesse(m) se mostrar. Mas, nesse caso, para publicar no blogue, teria que me documentar: o indiciamento policial, a decisão do Ministério Público, qualquer coisa em que pudesse me calçar.

Aparentemente, fiz-me entender. Pelo menos a resposta considerou a possibilidade de levar meu pedido à vítima. Adiantou que, por óbvio, a estudante não estava disposta a “dar a cara”, até por questão de segurança. Daria retorno.

Esperei até hoje. O ato do Fórum de Mulheres de Pernambuco, por assim dizer, me libertou.

Devo o documento divulgado durante o ato, e que o Fórum de Mulheres ficou de enviar-me logo cedo, nesta sexta. Um  abaixo-assinado cobrando posição da UFPE também foi lançado, exclusivamente, para professores e alunos.

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Mais sobre os #16diasativismo no Recife e outros cantos do país:

Iasc promove roda de diálogos sobre combate à violência contra a mulher

Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher foi definido em Bogotá 

Ato unificado da CUT/SP e Marcha Mundial de Mulheres

Manifestação em Beagá, em frente ao TJ – também aqui

Em João Pessoa começa logo cedo

Calendário em Salvador vai até 10/12

3 comentários

    1. Oi, Rogério, blza?
      Capturei a ilustração no sítio do SOS Corpo, ONG feminista de PE. Mas ela vem de campanhas anteriores pelo Fim da Violência Contra a Mulher.
      Nunca soube quem criou, pois não vem assinado. Por isso não dei crédito específico. É, digamos, de domínio público. Afinal, a causa é de todos nós.

      Xêro.
      PS: corrijo: se vc clicar na imagem, tem uma assinatura, sim: Margarida Espinho. Ampliada é possível ver.

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