BBB 13 já começa com violência e mulheres protestam

por Sulamita Esteliam
Ativistas do grupo Femen Brasil, são retiradas à força do shopping onde está instalada a Casa de Vidro do BB 13 - Fotos  capturadas na Folha UOL
Ativistas do grupo Femen Brasil são retiradas à força do shopping onde está instalada a Casa de Vidro do BB 13 – Fotos capturadas na Folha UOL

Praticamente não vejo TV, e muito menos programas tipo reality show, ou a vida como nunca deveria ser ...  Quem acompanha o blogue, sabe disso.  Minha vocação para voyeur morreu de véspera. Entretanto, por dever de ofício, me obrigo a acompanhar as notícias em torno de, e denunciar os abusos – como aconteceu ano passado – aqui, aqui, e aqui. E não por falso moralismo e, sim, porque estou muito velha para compactuar com indignidades.

O Femen nasceu em Kiev, Ucrânia, em 2008. Usam o próprio corpo para protestar contra abusos ou defender causas humanitárias
O Femen nasceu em Kiev, Ucrânia, em 2008. Usam o próprio corpo para protestar contra abusos ou defender causas humanitárias

E eis que, mal estreou, a versão 13 do BBB faz o que se propõe: gerar polêmica, a qualquer custo, para garantir audiência e dinheiro na caixinha global e de quem topa o jogo. Se isso é da lei do mercado de futilidades e baixarias, a Constituição veda tal reprodução, no caso de concessões públicas, como o são os canais de TV. De qualquer forma, não se pode e nem justifica, agregar violência física às regras e, muito menos, para conter protestos dos insatisfeitos. Ainda mais contra mulheres – aqui.

Por isso, assinei, com prazer, o manifesto que me foi encaminhado pela Rede Mulher e Mídia, agora transformado em petição on line para agregar  mais assinaturas. É dirigido à SPM – Secretaria de Políticas para Mulheres e ao Congresso Nacional, e será encaminhado, também, à mídia convencional, ainda que as chances de vê-lo publicado nesse campo, sejam   mínimas.

Transcrevo o texto, publicado também no Observatório da Mulher, para que os/as leitores/as do blogue possam conhecê-lo e, caso concordem, subscrevê-lo aqui:

A Violência, a Hipocrisia e a Mercantilização da Privacidade

O BBB volta ao ar, em uma casa (ou gaiola?) de vidro, para que todos os detalhes possam ser observados do lado de fora.
Ninguém poderá se trocar, banhar, namorar, bocejar, com a privacidade garantida aos demais seres humanos.

E assim volta, com a possibilidade de voyeurismo e de exibicionismo aumentadas, depois da polêmica do último BBB, onde um aparente estupro foi ao ar, com a mulher desacordada, enquanto o rapaz se locupletava com movimentos sugestivos e eloqüentes por debaixo do cobertor.

Ninguém interferiu – como certamente teriam feito caso ocorresse algum acidente numa das situações postas. Deixaram o caso correr solto e só se manifestaram ante a indignação dos internautas, twitando furiosamente a respeito.

O primeiro comentário, ao mesmo tempo pretensamente cândido e simultaneamente cínico – foi do Pedro Bial, ao mostrar um trecho da cena e declarando “O amor é lindo!!!”

A reação do público e da sociedade terminaram levando ao afastamento do rapaz e ao provável convencimento da moça – sem acesso ao vídeo das cenas, em depoimentos contraditórios e depois de uma conversa com os advogados da Globo – de modo a declarar o seu consentimento.

Mas o que foi que vimos – e que logo em seguida tiraram do ar e da internet – senão a movimentação rítmica do rapaz sob o cobertor onde deitou por trás da moça desacordada?
Porque então afastaram o rapaz? Porque se manifestaram somente após uma onda de protestos nos demais meios de comunicação?

Bom, após o tratamento hipócrita deste episódio na última série, vêm agora a público, querendo aumentar o frisson da exposição pública de todos os detalhes do convívio.
Repito – tudo será visível, e nenhuma nudez ou excesso, castigada.

Um grupo de feministas – as Femen – decidiu protestar ontem, à sua maneira.
Escreveram palavras de ordem em seu próprio corpo, e foram exibi-las no local onde se mostrava a casa.

A falsa – ou dupla – moral fez sentir a sua força e as moças foram de lá arrancadas com violência. Porque não poderiam se manifestar? Porque não poderiam tirar a própria blusa neste ambiente público, ao lado da casa de vidro de onde se poderia avistar qualquer uma tirando a blusa, a calça, a calcinha, a cueca, o pudor?

Porque, dentro da casa, faziam-no movidas pelo desejo de ganhar notoriedade e dinheiro, enquanto que, por fora, as mulheres do Femen faziam-no para se posicionar politicamente?
Assim, vimos a público manifestar a nossa solidariedade para com as militantes do grupo Femen, para manifestar o nosso repúdio à atitude violenta e falsamente moralista da emissora e das forças que chamou para acudi-la, e exigir:

– punição à emissora pelo ato de violência que, segundo as notícias publicadas, foram exercidas pela “segurança” da própria emissora

– suspensão do programa, como tem ocorrido no resto do mundo, por sua inadequação, baseada na exploração do corpo e da intimidade de seus participantes para fins exclusivamente comerciais

– o estabelecimento de regras claras com a participação da sociedade civil na elaboração dos acordos referentes à apresentação de imagens e conteúdos que não firam os direitos humanos e constitucionais, na discussão dos marcos que embasam as concessões públicas na área da comunicação e com a participação num Conselho de Comunicação – representativo da sociedade, com participação de representantes das mulheres, do movimento feminista, do movimento negro e outros – para monitorar a efetiva implementação das regras estabelecidas, na programação desta e de todas as demais emissoras que são concessão publica.

Assim, nós, integrantes da sociedade, do movimento de mulheres, e outros, uma vez mais alertamos a sociedade para o abuso dos meios de comunicação – concessões públicas – e denunciamos a violência contra as mulheres que protestam contra a violação de direitos humanos.

Rachel Moreno e Télia Negrão
Observatório da Mulher (Rachel Moreno)
Coletivo Feminino Plural// Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos// Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe – RSMLAC (Télia Negrão)
Jeanice Ramos
Rose Castilhos
Sulamita Esteliam
Silmara Helena Pereira de Paula – Mulheres do Alto Tietê

Os signatários


5 comentários sobre “BBB 13 já começa com violência e mulheres protestam

  1. Se não me engano, o Brasil é o único país no mundo que ainda mantém esse tipo de programação perniciosa na TV. Programas como BBB, Fazenda e outros do gênero embotam a mente. Programas como esses alimentam o clima de rivalidades; as neuroses são afloradas; há choros e ranger de dentes, traição, sexo, humilhação a mulheres e homossexuais, futricas, inveja, ódio, e tantos outros substantivos que tão bem descrevem a degradação humana. Tudo isso cultivado com o dinheiros dos patrocinadores, que as tvs recebem de bom grado. Pouco se importando com a qualidade da comunicação levada à população, as tvs, em especial a Globo, enchem as burras, contribuindo para a burrice da sociedade. Será que a população quer mesmo isso? Eu duvido.

  2. Pô meu, o texto é ótimo e eu corroboro com sua perspectiva ideológica ema relação às questões colocadas, só me frustra esse advertisement de “emagreça vários quilos em pouco tempo”, ele depõe absolutamente contra a natureza política deste espaço. Abs.

    1. Obrigada pelo acesso e pelos comentários.
      quanto ao anúncio, infelizmente, não tenho o menor controle sobre isso; é automático, creio que a partir do provedor. Só posso lhe garantir que o blogue não ganha, absolutamente, nadica com propaganda.

      Abs. e volte sempre.

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