O melhor é que tudo passa

por Sulamita Esteliam
E salve a Lua Cheia! - SE
E salve a Lua Cheia! – SE

Há dias assim: você cumpre os ritos, todos, atravessa na faixa de pedestre e uma carroça desembestada lhe pega na calçada.  O melhor de tudo é que tudo passa.

Estou de volta, após uma semana de quase incomunicabilidade, e isso é um pedido de desculpas, também.

Primeiro, minha casa ficou sem computador. Depois, sem acesso à internet na “melhor Banda Larga do Brasil”, a tal GVT. E o 3G, da Tim, que era para ser uma alternativa, quem diz que funciona?

Consequências remotas da chuva, aquela que afogou e imobilizou o Recife, na sexta, 17. É o que dizem. Resta-me acreditar ou imolar-me à luz da lua, que ainda não era, cheia.

Para fechar a semana de intempéries, baixei à enfermaria, literalmente. Todo o corpo era uma só dor. Melhor juntar tudo e botar fora… Uma recaída da virose de plantão, que pegou pesado, e trouxe más companhias. Do pescoço para cima, haja antibiótico para tanta ite.

E digo a vocês, faz pouca ou nenhuma diferença ter certos planos de saúde. A intravenosa que me aplicaram na urgência do hospital da Rede HapVida, o Capibaribe, me deixou de herança uma cloaca que vai levar uma semana para desaparecer.

Isso depois de quase três horas entre a recepção e a medicação, passando pelo cadastro, a espera, a consulta, a espera, a falta de boas-maneiras com quem está ali porque precisa de ajuda especializada, a espera, o desinteresse, a espera, a vontade de chutar o pau da barraca, a espera…

Então, você se depara com uma médica ou médico, geralmente jovem, e às vezes até simpática/o, munida/o de computador de última tecnologia; é assim em todas as especialidades pelas quais passei, desde que resolvi dar uma geral. E que lhe pergunta sobre as queixas, e é a única hora que olha para você, quando olha. O resto do tempo, digita e pergunta enquanto digita, e novamente digita…

Esta, a da urgência, pelo menos perguntou, e reperguntou. A questão é o essencial, nem sempre tocado. E até me ascultou: “Respire fundo. Isso…! Novamente. Muito bem! E de novo…” 

E enquanto me auscultava, valeu-se de método ultramoderno para conferir se eu tinha, mesmo, febre: tocou meu pescoço com as costas das mãos.

Tamanha modernidade quase me lembra o colo de mãe, que era pouco, mas preciso. Senti-me estimulada a pedir que, por favor, aferisse minha pressão, ainda que sabedora de que a consulta se encerrara, após o preenchimento da receita, da prescrição à enfermagem e do necessário atestado médico.

– A senhora é hipertensa?

– Não. Por isso mesmo. Há pouco mais de uma semana, a médica que me atendeu me outra unidade, mediu, e deu 13/8. Ela disse que, “para a minha idade é normal”… mas nunca tive pressão acima de 12/8, nem grávida, e pari quatro…

– …  ? E quantos anos a senhora tem?

– 59.

Então, ela aferiu: 15/9.

Quase percebi ligeiro rubor.

Recomendou que eu pedisse à enfermeira que fizesse nova aferição, depois de aplicar o medicamento e medir a temperatura. “O processo de dor e febre pode causar alta da pressão arterial…”, concedeu.

Não havia monitor de pressão arterial no posto da enfermagem. Reportei-me à coordenação do atendimento, que me mandou de volta à enfermeira-chefe ou à médica.

E saí de lá sem conferir a tese. A bem da minha saúde.

Doravante, tenho meu próprio aparelho. Quanto à pressão, vai muito bem, obrigada.

 

 


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