Coração repartido entre Diamantina e Garanhuns

por Sulamita Esteliam
Ricardo Kotscho, Fernando Morais e Paulo Markun, na mesa sobre Ditadura no fHist em Diamantina - Foto: Divulgação
Ricardo Kotscho, Fernando Morais e Paulo Markun, na mesa sobre Ditadura no fHist em Diamantina – Foto: Divulgação

Se a mim fosse dado o poder da duplicação do corpo e mente, este fim de semana estaria em dois lugares, especialmente: em Diamantina, onde acontece, desde ontem o fHist 2013 – Festival de História, e amo História; e em Garanhuns, onde o Flist leva literatura em múltiplas formas para a gente local e quem mais chegar.

Na juventude, costumava dizer que iria envelhecer em Diamantina, tal a paixão que tenho pela cidade, cujo mercado é uma das fotos do painel que emoldura este blogue. Creio que preciso me apressar, se pretender cumprir meu desejo.

Conheci a trabalho, e lá voltei algumas vezes por essa via. A passeio, simplesmente, duas ou três vezes, a última num Carnaval de fartas memórias. Há coisa de 25 anos.

O fHist, evento com a assinatura do Ministério da Cultura, via incentivo cultural, está em sua segunda edição – clique para ver o que rola; a primeira foi em 2011. É uma sacada genial do meu amigo Américo Antunes, filho da terra e parceiro desta escriba em jornadas profissionais, sindicais e políticas, anos atrás.

Por essas convergências da vida, minha filha Carol é coordenadora de produção da empresa contratada para a produzir o evento, a Polo BH. Na terça à noite ela me ligou: “Estou em Diamantina e me lembrei de você”. E a cada velho amigo meu que ela encontra, e se reconhecem e/ou se apresentam, recebo uma mensagem. Tudo isso me aquece o coração.

O Universo é deveras caprichoso…

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Márcia Maracajá e seu Desapego do Bolo e do Vestido de Noiva, no Flist em Garanhuns
Márcia Maracajá e seu Desapego do Bolo e do Vestido de Noiva, no Flist em Garanhuns – Foto capturada no FB @Márcia Maracajá

Garanhuns ainda não conheço. Vim para o Nordeste para fugir do frio, mas num verão desses vou lá conferir a joia pernambucana, tomar um banho de cachoeira, e ficar com mais saudades de Diamantina.

Mas meu desejo de estar lá se deve a uma amiga querida, a poeta, atriz, declamadora, professora e blogueira Márcia Maracajá, de quem já falei, várias vezes, aqui no blogue. Pois Márcia hoje apresentou sua performance O Desapego do Bolo e do Vestido de Noiva no festival. E repete a dose às 10:30 horas deste sábado – na tenda da GRE Agreste Meridional.

Tive o privilégio de assistir a uma apresentação, ano passado. Foi durante a Mostra PE 9, evento produzido pelo grupo Nós Pós com incentivo do Funcultura, e para o qual fui gentilmente convidada, via Márcia Maracajá – a edição 10 está no ar Recife a fora.

O espetáculo é um monólogo sobre a identidade feminina. É impactante. No Flist sofre adaptação e se transforma em diálogo com a participação de Eliane Simões, da Coordenadoria da Mulher de Garanhuns e da professora Márcia Félix, da UAG-URPE.

Este sábado começa com a pulverização de poemas nas árvores da cidade: Um Poema em cada Árvore é o nome da ação que estimula a criação de uma rede de poetas – mais aqui. Claro que Marcita lá estará, em companhia da irmã, Mirna Maracajá, ilustradora de livros infantis.

Resta-me emanar bons fluídos, porque sucesso ela já é, elas já são.

Confiram o poema com a marca da moça, que capturei no blogue Márcia Maracajá:

 

Feminina ou feminista?

Feminina ou feminista?

Não me cabe definir

Nem sequer o espelho

Sabe dizer de mim

 

Tem dias que sou a moça

Que aprecia um agrado

Um elogio, um cuidado

Piso leve, sem esforço

 

 Zelo as plantas, os animais

E as pessoas ao redor

Olho no olho sem temor

Toco a alma, quando posso

 

Mas me causa alvoroço

Ouvir de outra mulher

Crítica, mau-dizer e

Qualquer coisa de maldade

 

Viro bicho de verdade

Daqueles brabos do mato

Quando se trata de olhar

Para o outro com cuidado

 

E se esse outro for mulher

Em matéria de igualdade,

De respeito, luta, paixão

Eu me armo com vontade

 

Faço versos, solto rimas

E nesta minha liberdade

Com a pena em punho

Tenho Deus de testemunho

 

Assim a poesia nasce

Por força da criação

E sou então o caldeirão

Gesto com prazer este dom

 

Feminina ou feminista

Só posso falar deste amor

Que me escorre pelas mãos

É minha base, alimento

 

Onde sou mulher

Sou homem

Sou rebento

Sou ser Hermano

E poesia em doação.


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