Não pode bermuda? Vá de saia…

por Sulamita Esteliam
Bermudasim
Fotos: Facebook/Bermuda Sim

Sempre que chego* ao trabalho de bermuda, um coleguinha, sempre o mesmo, me pergunta: “Vai à praia?” O tom é de brincadeira, mais do que inveja. Traduz, porém, de certa forma, a desatualização sobre o que é usual vestir: faz tempo que a bermuda feminina, “de alfaiataria”, frequenta escritórios de toda natureza, exceção talvez aos causídicos, e certamente aos ambientes jurídicos, onde a formalidade é dinossáurica.

Imagina no Recife e em outras capitais do Nordeste, uma bermuda causar espécie…

Aliás, não apenas. Neste verão os termômetros enlouqueceram de Norte a Sul. Ainda outro dia, conversava com uma atendente da minha operadora de celular, sobre o clima acolá e aqui, e ela dizia que 32 graus é quase inverno no Rio de Janeiro neste verão. Confesso que foi até covardia, já que eu falava da praia de Merepe, em Porto de Galinhas.

Algo parecido me disse meu filho sobre o “calor insuportável” de Beagá: “A mulhereda daqui apelou para o short; até parece Fortaleza…” E ele, coitado, homem de vendas, cortando a cidade de paletó e gravata. Ninguém merece.

O noticiário nos diz que até em Porto Alegre, os termômetros estão enlouquecidos, e ultrapassam 40 graus na rua. O clima também pirou em São Paulo, onde parece que até represa virou pasto…. Portanto, folgo em saber que o uso da gravata e do paletó está suspenso, temporariamente, nos tribunais paulistanos.

samba-cançãoDe volta à brincadeirinha do colega, é fruto da incongruência do que é considerado “roupa de trabalho”. Como pode alguém num clima desses, acima de 30 graus, ser produtivo envergando paletó e gravata, no caso dos homens; ou terninho, no caso das mulheres – de vendedoras/res a executivas/os, passando por assessoras/es, secretárias/os e bancárias/os!?

Aliás, sempre me pergunto como as pessoas conseguem usar jeans ou calça preta, ou mesmo camiseta escura, no verão. 

Se olhamos por esse ângulo, torna-se perfeitamente compreensível que o ar condicionado dos locais de trabalho invoquem o complexo de pinguim. Não há frequência de limpeza dos aparelhos que evite as tais viroses, rinites, sinusites e outras ites e mazelas do gênero.

Sem contar que ninguém, nem de longe, se lembra da tal pegada ecológica. Haja energia!

A propósito, hoje eu e meu companheiro fomos até o Expresso Cidadão em um shopping da cidade para fazer o recadastramento eleitoral – no Recife, vai até 22 de março. Agendamos pela internet, e optamos pelo local, simplesmente porque era mais perto. Se tivéssemos escolhido ir ao TRE ou ao fórum local, nem eu e muito menos ele poderíamos trajar bermudas.

E olhe que já é uma evolução… Na década de 80, mulheres não podiam acessar o sacrossanto recinto da Justiça, vestindo calças compridas.

No Rio, com sensação térmica de 50 graus na rua, nasceu a campanha #bermudasim, que pipocou Brasil afora, via redes sociais. O movimento se vale do humor para tentar convencer as empresas e departamentos públicos a liberarem o uso de bermuda para os homens. Para entrar nessa, clique, e use a criatividade para enviar uma mensagem à chefia.

Se não funcionar, faça como um rapaz carioca, funcionário público: barrado no trabalho por estar de bermudas, no dia seguinte vestiu saia – aqui.

Ah, sim, samba-canção não vale.

André Amaral: saia e ousadia para espantar o calor
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*O tempo verbal mais adequado talvez seja o pretérito imperfeito, mas ainda não é hora de falar sobre…


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