Cultura e comunicação, o azeite que falta

por Sulamita Esteliam
Confecom
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Bom, vou pular de assunto, porque ando indócil: este ano, o sinal de internet está de brincadeirinha comigo, e anteontem não consegui acompanhar a transmissão ao vivo do ato Cultura com Dilma, e Lula, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Em 2010, não tinha essa banda larga toda, e não perdi um minuto.

Fazer o quê? Reclamar, registrar, reclamar, registrar e ficar onde estou, por que não adianta mudar de operadora. É só dar uma olhada no cabeamento na rua, para entender por que não funciona direito. Os fios, de todas as empresas do gênero, estão todos dependurados, misturados à rede de energia elétrica,  num cipoal dos infernos, para não dizer suruba.

A privataria tucana, que entregou nosso sistema de telefonia em mãos privadas, e abriu as porteiras para as telefônicas também na transmissão de dados e para emissoras a cabo, não fixou obrigações de investimentos. E elas, que receberam os cofres antes públicos abarrotados, simplesmente, fazem o que querem, mal e porcamente para o gasto.

lei da mídia democraticaE ninguém pode acusá-las de serem foras-da-lei. Está aí um ponto que precisamos desenferrujar, e como. Mas para isso urge fazer a reforma política, para tornar o sistema mais equilibrado das forças representativas da sociedade, e não apenas da parcela que detém o capital. Disso depende, inclusive, num novo marco regulatório que democratize o acesso à comunicação e à tecnologia da informação.

Podemos, sim, cobrar nosso direito de consumidor/a. E é o que farei, na hipótese mais do que provável de continuarem a não me entregar o que pago e preciso. Além do que, sem telefone e sem internet não ganho o pão de cada dia.

No último mês, já recebemos quatro técnicos diferentes da GVT, em casa. Olham, trocam isso, aquilo e/ou aquilo outro, fica tudo lindo e rápido: os 15 megas contratados. Em coisa de uma semana, tudo recomeça. É só fechar o tempo ou bater um vento, e blau-blau!

Desta vez, ficamos sem linha fixa, e sem internet três dias. E quando retomou, veio a menos de um terço. Eu viajando, sequer podia me comunicar em casa. Para acabar de completar, lá onde estava, surrupiaram meu celular.

Esqueci-o sobre uma mesa em área interna de trabalho. Foi questão de minutos. Quando me dei conta, retornei ao local, e já não estava mais lá, e ninguém tinha visto ou guardado. Em plena sala de coordenação de eventos do hotel 5 estrelas.

Registrei a ocorrência na recepção. Aguardei 24 horas antes de bloqueá-lo, na esperança de que alguém que o tivesse pego por engano mo devolvesse. Seria fácil se essa fosse a intenção: tinha fotos minhas, estava conectado ao Twitter e Instagram.

Enviei correio eletrônico para a gerência do hotel, solicitando a checagem das câmeras de segurança. Nada. Só pude concluir que fui roubada. E o consolo é um novo aparelho e a hercúlea tarefa de recuperar todos os meus contatos.

*****************

grafico-1-culturaSim, voltemos ao ato promovido por artistas, intelectuais, cientistas e que tais, em apoio à releição de Dilma Roussef, presidenta da República. Se a área avançou menos do que seria desejável em seu governo, com ela há chance de seguir adiante, ao invés de retroceder.

É nisso que apostam as pessoas que foram ao Casa Grande prestigiar Dilma Roussef. Ouvi por aí, bobagens do tipo “não tinha nenhum artista de primeira classe…”  Ora quem diz esse tipo de incongruência não tem a menor ideia do que seja arte, e portanto desconhece o que possa vir a ser artista.

Muita coisa mudou nesses quase 12 anos. Mas Lula, que, com Gilberto Gil e Juca Ferreira, criou os Pontos de Cultura Brasil afora, admitiu que há uma dívida a se resgatar. E Dilma sinalizou com prioridade para a cultura popular, doravante, aquela que é feita nas periferias das cidades, a partir dos pontos conectados no imaginário da nossa gente.

Cultura não é objeto de produção e consumo apenas das elites. Cultura para pobre, para os menos favorecidos, é para isso que são necessárias políticas públicas. A casa-grande, esta sim, sempre se locupletou, inclusive das políticas de Estado que as beneficiam em quaisquer circunstâncias.

O Renato Rovai, editor da Revista Fórum, esteve lá no Teatro Casa Grande, e em seu blogue narra o que se passou. Ele é um sujeito plugado no movimento cultural, de novas tecnologias e pelo direito à comunicação. Gostei do que li, e compartilho o acesso, a foto e um trecho, até para esta postagem não ficar por demais alongada:

Dilma aponta periferia no centro e Lula faz discurso histórico

 Ato Cultural dos artistas com Dilma e Lula, no Rio - Foto:  Blog do Rovai

Ato Cultural dos artistas com Dilma e Lula, no Rio – Foto:
Blog do Rovai

Estive no ato de ontem à noite da Cultura com Dilma. Foi mais uma vez um evento grandioso, como o de 2010, que acabou contribuindo muito para tirar a presidenta daquela agenda negativa do aborto e pautar um debate mais consistente na reta final com o tucano José Serra. A frase simbólica daquele evento foi dita por Chico Buarque, que disse que apoiava Dilma, porque queria a continuidade de um governo que não falava grosso com a Bolívia e fino com os EUA.

Aquela frase demarcadora de campos era também o resumo de um Brasil que havia mudado. Depois do governo Lula não havia mais espaço para retroceder para um tempo em que nossos governantes viviam à caça do FMI e que faziam tudo o que os EUA queriam. Chico foi ao ponto.

Ontem ele não esteve no Teatro Casa Grande, mas assinou a carta de apoio a Dilma e Lula lembrou da frase dele em meio a um discurso histórico. Ontem, Lula estava não só inspirado, mas com uma imensa vontade de ser sincero e de pontuar posições. Cometeu apenas um erro, quando tratou da questão dos Pontos de Cultura. Infelizmente parece que o ex-presidente ainda não entendeu a força desse programa e o quão ele é maravilhoso exatamente por destinar todos os recursos para a ponta. Sem a necessidade de investir um centavo sequer em tijolos e prédios ou ainda passar pela mão de intermediários.

Lula disse que queria construir uma Casa de Cultura em cada município, o que seria uma frase inteira. Mas como não deu, fez apenas o ponto. Agradeça, presidente, por ter ficado com os pontos. Porque se é verdade que o Brasil precisa de equipamentos culturais é mais verdade ainda que se os recursos de um ministério pobre fossem despejados nessas casas, aqueles que fazem cultura nas periferias deste país iam continuar à míngua. Precisamos de muitos mais programas que sejam pontos e não uma frase inteira.

Mas, noves fora, Lula demarcou com precisão na noite de ontem o programa dos quatro próximos anos para o PT, para Dilma e para o governo.

(…)

Continue lendo.


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