O 1º Neto e a fábula da educação

por Sulamita Esteliam
Ato de professores com Dilma em São Paulo, dia 15 - Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13/Fotos Públicas
Ato de professores com Dilma em São Paulo, dia 15 – Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13/Fotos Públicas

Era para o blogue ter entrado neste assunto ontem, dia escolhido para celebrar mestres e mestras, esse exercício de doação tão sofrido e tão pouco valorizado, mas tão importantes na vida de todos nós. A eles e a elas devemos eterna reverência.

Terminei o dia tarde da noite, porém, e não sobrou fôlego para escrever. Sorvi uma taça de vinho, como um bálsamo, também para celebrar a vitória de 4×1 do meu Galo sobre o Corinthians, e fui para o berço. Detalhe: só vi os últimos cinco minutos, decisivos; sou pé-quente.

No entanto, como todo dia é dia, cá estou. Novamente usufruindo a vantagem de ser blogue de informação traduzida, e opinião, não de notícia; o que permite jogar na editora-chefe (lata de lixo no jargão das redações) o tal do prazo. Mas sem perder o gancho, a justificativa, o motivo e enfoque para retomar a pauta.

Ontem, recebi pelo correio eletrônico um release/aviso ou sugestão de pauta do comitê do 1º Neto, baseado em São Paulo, para os veículos de imprensa de todo o país. Uma amiga que trabalha em redação mo enviou. O título: “Educação será a primeira das prioridades’, diz Aécio”. Já começa esquisito.

release aecio aO candidato tucano reitera “o compromisso” de investir na melhoria da qualidade de ensino do país; de “adotar políticas públicas”, através do “pagamento de uma bolsa mensal para resgatar cerca de 20 milhões de jovens” que abandonam a escola; e de “assegurar creches e pré-escola” para crianças de até 4 anos.

A peça de divulgação diz que “de todas as prioridades, a educação é a prioridade das prioridades”. Entendeu?

release aecio bMas o melhor está no final. Novamente aspas para o candidato: “Vamos fundar a nova escola brasileira. A escola que permitirá que a criança e o jovem aprendam”. Não é bom!?

Pois tem mais, clique na reprodução ao lado para conferir.

Então, é a revolução educacional que o 1º Neto propõe. Os professores da rede estadual de Minas, certamente, estão boquiabertos. O que Aécio não fez em oito anos no governo do estado, e seu sucessor só deu sequência, vai fazer no governo federal? Claro se eleito for – que Deus nos livre e guarde, amém.

aecio_-_educacao_1Quem é de Minas sabe: os sucessivos governos tucanos não investiram o mínimo constitucional em educação, que é 25% dos recursos oriundos da receita de impostos, nem respeitam o piso nacional dos professores. Também não cumprem a Lei Maior no investimento na saúde: 12% da arrecadação. Aécio não o fez, e Anastasia continuou a não fazer.

Uai, mas e o Tribunal de Contas não diz nada!? Até que tentou, no caso, depois de sucessivas denúncias do Sindicato dos Professores, e greves, e tentativas de intimidação – e também dos trabalhadores na Saúde. Mas, daquele jeito lá de Minas, quando se trata de proteger os seus.

Um TAG – Termo de Ajustamento de Conduta foi assinado, com prazos para recomposição gradativa dos valores. Ou, diria o colunista José Simão, “tucanaram o TAG”. Só que o Ministério Público representou na Justiça contra o que chamou de “maquiagem da irregularidade”.

É o tal documento que, providencialmente, “desapareceu” do portal do TCU MG, quando Dilma, chamada de mentirosa por Aécio no debate da Band, na terça, 14, recomendou que os eleitores conferissem.  Acesse aqui os relatórios originais, baixados pelo Minas Sem Censura, bloco de oposição ao governo mineiro na Assembleia Legislativa.

Detalhe: hoje o sítio eletrônico do TCU informa que “o excesso” de demanda causou “pane” no sistema, que “não saiu do ar, mas ficou instável” e assim continua. Ao lado da Nota de Esclarecimento, posta outras três para “esclarecer pontos que estão sendo reiteradamente questionados pela imprensa nacional”; e atesta a “regularidade das constas do governo nos exercícios de 2003 a 2010” que foram aprovadas.

Resumo da ópera, tudo continua como dantes, denuncia o SindUTe.

gestao-aecio_funcionarios_publicos_0Não pára aí. Em julho deste ano, o STF julgou inconstitucional a  Lei Complementar n°100  que efetivou 98 mil servidores sem concurso no estado, 88 mil dos quais trabalhadores na educação. Todos os beneficiados retomaram a condição de “designados”, e o Estado de Minas Gerais tem até julho de 2015 para realizar concurso para o preenchimento das vagas.

Sobrou para o Pimentel (PT), governador eleito.

Aécio no cargo criou a lei em 2007, ao arrepio da Constituição de 1988no entendimento do STF: “A estabilidade não implica a chamada efetividade, que depende de concurso”, diz o acórdão.

Entretanto, os tucanos sempre acham que pode dar um jeitinho para tudo ficar a seu paladar. Dois deputados federais da legenda do candidato à Presidência da República tentam contornar a situação no Congresso Nacional: primeiro, com a PEC 422, rejeitada por Comissão Especial da Câmara; e há pouco com a PEC 69, ainda em tramitação, de teor semelhante, alerta o Minas Sem Censura.

E assim a vida segue nas Alterosas. Ou melhor, seguia: os eleitores mineiros resolveram invadir a capitania que se julgava hereditária. Senão serve para Minas, não vai ser no Brasil que a tucanada há de reconstruir seu ninho. A memória do que foram os oito anos de tucanato é muito recente. É o que se espera.

Para quem não viveu ou se esqueceu, não custa nada um refresco.

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Sim, a propósito: também em São Paulo, professores se encontraram com a presidenta Dilma Roussef, em apoio à reeleição. Clique  para saber o que foi feito para educação em 12 anos do governo liderado pelo PT. E  para ler o manifesto NENHUM DIREITO A MENOS! NENHUM PASSO ATRÁS.

Cumã!?

aecio_escola

 

Já ia me esquecendo. Se é para fabular, fabulemos o epílogo:

“Era uma vez… um candidato que só sabia fabulação. Até que um dia ele topou como uma rainha muito severa, e ciente de suas responsabilidades, que deu a ele um chá de realidade. Mas ele preferiu permanecer em estado de choque de imaginação e foi-se embora para a terra do nunca. E acabou-se a história”.

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Postagem revista e atualizada às 17:47: correções de pontuação e palavras repetidas em diferentes parágrafos.

 

 


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