Pernambuco não tem dono e ama Dilma, e Lula

Dilma e Lula fizeram discursos afiados no Recife - Fotos: Ichiro Gerra/Dilma13/Fotos Públicas
Dilma e Lula fizeram discursos afiados no Recife – Fotos: Ichiro Gerra/Dilma13/Fotos Públicas
por Sulamita Esteliam

“Eu quero dizer algumas coisas simples para vocês: a primeira é que eu estou muito feliz em estar aqui em Pernambuco; a segunda é que eu amo vocês; a terceira é que eu nunca vi um ato tão alegre, tão feliz, tão carinhoso (…) Vocês são um povo consciente, trabalhador, libertário (…) E tenho muito orgulho de estar ao lado de vocês”.

Foi assim que uma Dilma Roussef quase afônica, mas exultante e energizada, agradeceu a calorosa receptividade com que os pernambucanos da capital e do interior brindaram a presidenta candidata à reeleição. Já passava das oito da noite, quando iniciou sua fala. Recebeu de volta um “Dilma, eu te amo”, cantado por um coro de 50 mil vozes.

A multidão a aguardara no Parque 13 de Maio, desde as 16 horas, e a acompanhara pelas ruas da Boa Vista, com direito a chuva de papel picado, até a chamada pracinha do Diário, em Santo Antônio, centro do Recife, onde se deu o comício.

E Dilma foi interrompida algumas vezes, ovacionada com outros bordões e refrões da campanha Coração Valente. Alguns deles, é verdade, emprestados de campanhas anteriores do amigo Lula da Silva, outros criados ao longo da campanha que, ela reconhece, é das mais acirradas de todos os tempos: “Olê, olê, olê, olá, Dilmá, Dilmá!”/”É 1, é 3, é Dilma outra vez!”

Uma das interrupções partiu da própria Dilma, que dirigiu-se a uma eleitora mais afoita. Grávida, a despeito disso a moça havia se encarapitado numa escultura para chegar mais próximo do palanque armado num trio elétrico (foto ao alto). Aí a versão mãezona da presidenta veio à tona: “Por favor, você precisa descer daí, senão pode se machucar. Por favor, desça”, e só retomou a fala quando a moça desceu, não sem dififuldade, ajudada por quem a cercava.

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Ato em Goiana
Ato em Goiana

De Petrolina, no Sertão, à capital, passando por Goiana, onde também visitou a fábrica da Fiat – trazida por Lula em 2010, no final do seu governo – e fez comício no centro. Em todos os lugares, um mar de pessoas tingiram ruas e praças de vermelho para ouvi-la e a Lula, que a acompanhou todo o tempo. Foram 35 mil agricultores na praça central de Petrolina – trabalhadores do semi-árido pernambucano, baiano e mineiro fechados com Dilma.

Pernambuco não tem dono, foi o recado das ruas à família Accioly Campos, que tentou fazer da perda, que todos amargaram, bandeira de palanque e desvio de caminhos. Não se esperava menos do que isso de um povo que requereu seu direito à independência ainda em 1817, e que de novo enfrentou a coroa para defender a liberdade na Confederação do Equador, em 1824. Esse povo tem pertencimento e conhece sua responsabilidade.

Lula lembrou disso no discurso no Recife, ao refutar o preconceito emulado por FHC encerrado o primeiro turno eleitoral: “Lamento profundamente que um ex-presidente, sociólogo, não conheça a História. Nós não votamos em Dilma porque somos desinformados, mas porque conquistamos o direito de andar de cabeça erguida. Aprendemos a ter dignidade”.

O ex-presidente, que nasceu em Caetés, à época distrito de Garanhuns, no Agreste, lembrou que saiu de Pernambuco “tangido pela seca. E foi este nordestino que lembrou, pela primeira vez, deste Nordeste que tanto precisava.”

Dilma e Lula estabeleceram uma dobradinha, onde ele critica e cutuca adversário, e ela se concentra no projetos estabelecidos, colocados no retrovisor, e avança para o futuro. A presidenta reconhece que ainda há muito o que fazer para melhorar a educação, a saúde, a segurança, a infraestrutura. Mas está confiante no caminho que vem sendo trilhado: “Eu tenho consciência de que estamos no rumo certo. E o rumo certo é aquele que quer que o país continue a crescer, não favorecer o rentismo”, afirmou.

Com o discurso afiado pelas agruras da disputa, Dilma lembrou que Lula recebeu o Brasil com 11 milhões e 400 mil desempregados: “Nós espalhamos o emprego desde 2003. Criamos 21 milhões de empregos e vamos chegar a 5 milhões e 700 mil só no meu governo.” E alertou, uma vez mais: “Os tucanos sempre plantaram dificuldades para colher juros. Quando eles governaram o Brasil estava de joelhos ante o FMI, hoje a gente empresta pra eles.”

De sua parte, o ex-presidente apontou a agressividade do 1º neto com a presidenta da República, “uma mulher de 67 anos”. Chamou-o de “filhinho de papai” e “mal educado”, comportamento que “certamente não aprendeu com a mãe nem com a avó”. E o desafiou a fazer com um homem o que fez com a presidenta Dilma. “Quem ele acha que é para chamá-la de leviana? Onde ele estava quando ela aguentava tortura para defender o Brasil? O que ele conhece do Nodeste, do povo sertanejo? “, questionou.

E não fez por menos: “Por mim, ele não tinha aqui nenhum voto”.

Nos três discursos que encerraram a campanha para reeleição no Nordeste, Dilma reforçou a importância de o país seguir em frente: “Não vamos permitir o retrocesso. Vamos juntos. Vamos derrotar os tucanos. Não vamos deixar pena de tucano solta por aí, só voando. Vamos mostrar que esse país tem coluna vertebral, que tem homens e mulheres com coragem e fé”.

Dilma encerrou com uma homenagem ao povo e ao Estado de Pernambuco. Sacou uma bandeira que mescla o pendão de Pernambuco à logomarca Dilma 13, e estendeu-a sobre o balcão do palanque improvisado, povoado pelas lideranças do PT e aliados locais. Então, Dilma não conteve a emoção: alisou a bandeira e repetiu, por duas vezes, com a voz embargada: “O Estado de Pernambuco me honra estando perto de mim”.

Eis a íntegra dos discursos no Recife:

 

Leia e ouça o que a presidenta falou na coletiva de Imprensa na Fiat/Goiana

Confira como foi parte da caminhada que encerrou a campanha de Dilma no Nordeste.

E aqui, um vídeo, bem editado, sobre o desfile do #EuAchoÉPouco em apoio à Dilma, no domingo 19 no Recife Antigo:

 

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PS:  Chamou-me a a atenção o comentário de uma internauta no JC Online, na matéria superficial sobre a visita de Dilma e Lula. Traduz bem o espírito que vigora em determinadas parcelas do eleitorado brasileiro, e é um toque bem direcionado. Aspas para ela:

“Foi lindo, realmente parecia o Galo da Madrugada. Uma energia maravilhosa, emocionante. Eu que participei de passeatas das diretas, do Lula lá, revivi cada momento. Não se pode querer que se transforme anos de abandono em pouco tempo. Quem só sabe criticar, quer milagre.

Houve mudanças positivas, hoje qualquer pessoa pobre pode estudar, a grande maioria entra num supermercado todo mês. Ainda existe pobreza, é claro que sim, ainda tem o que se fazer, é claro que sim, ninguém esta dizendo que esta ótimo, mas que estamos construindo um pais melhor, isto estamos.

Para melhorar é preciso que as pessoas queiram também, não adianta só melhorar as escolhas, educação vem de casa, vejo muita coisa para fazer por parte do governo, mas também vejo muito brasileiro que abre a boca para criticar, arrancando lixeira na rua, quebrando para de ônibus, jogando lixo pela janela do carro, quebrando banco de escola, entre outras coisas.

Precisamos aprender, conservar e cuidar do que já esta pronto, para que possamos cobrar do governo mais e mais obras. Cada Pai, cada mãe precisa ensinar ao seu filho a importância de estudar, de conservar a escola, de respeitar mestres e colegas, para que essas escolas funcione, colocamos muito a culpa nos governos, em geral, seja de qualquer partido, mas estamos fazendo a nossa parte?”

 

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PS 2: Informações resgatadas dos vídeos e matérias publicadas no mudamais.com, FB e sítios da mídia local na Internet. Infelizmente, por razões pessoais inadiáveis e intransferíveis, esta blogueira não pode participar, fisicamente, deste momento histórico: a hora da virada das eleições em Pernambuco e no Brasil.

Sim, hoje tem comício de encerramento da campanha no Sudeste, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro: a partir das 17:00 horas, ato Somos Todos Corações Valentes.

rolezinho bhE em Beagá tem “rolezinho” na Praça da Rodoviária, centro, a partir das 18:00 horas. Eis o chamado:

 

 


2 comentários sobre “Pernambuco não tem dono e ama Dilma, e Lula

  1. “Por mim, ele não teria nem um voto aqui”. Provocação do cartaz convocando o rolezinho: “Faça como o Aécio, traga sua família”. A campanha tucana convocou comício na Praça da Estação, hoje, ás 18h. Vou lá contar os bicos. Claro que ficarei no viaduto de Santé, né?

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