No meio do caminho tem uma orla…

por Sulamita Esteliam
Por que viver é preciso... - Fotos: SE
Por que viver é preciso… – Fotos: SE

Dia abençoado este sábado. Fiz boa caminhada até, e ao longo da, Praia de Ponta Negra, com o sol troando no lombo, no meio da manhã. Cerca de 1 km, desde a casa onde estou hospedada, mais 4 km até o pé do Morro do Careca, e vice-versa.

Claro que, no meio do caminho, houve tempo para reabastecer. Naturalmente, escolhi o Ponto 13, repetindo experiências anteriores. A ideia era ver a lua cheia nascer, bem dentro do mar, mas não dei conta de esperar o fim de tarde.

Impressionante como, aqui, a maré seca e enche rapidamente. Ao menos para meus olhos leigos. A baixa-mar se deu por volta das 10 horas. Pouco depois das 16 já estava à beira da preia-mar, de novo.

A água morna convida ao banho, e as ondas mansas permitem caminhar pela areia até mesmo com a maré cheia. Mas poucos se arriscam trotear pelos domínios de Poseidon.

Eu mesma, filha torta do senhor dos mares, no retorno, só me aventurei por 500 metros. Tratei logo de alçar-me ao calçadão, à primeira escada de madeira que vi pela frente. Damabiah me protege, mas é melhor não abusar… Até porque, em água sou machado sem cabo.

CAM00447A orla de Natal está em reparo há dois anos. Há cerca de um ano, eu e me companheiro estivemos por aqui, e os tratores estavam em movimento, refazendo a contenção do mar que insiste em tomar o que é seu.

Pedras novas foram colocadas do trecho urbano, que vai do Morro do Careca até o fim da orla de Ponta Negra. Depois é território dominado pela Via Costeira. O enrocamento, porém, é tentativa vã. Palavra de quem entende do ramo.

Quanto as obras do calçadão, deveriam ter ficado prontas para a Copa, mas ainda não se concluiu os trabalhos. Os barraqueiros chiam, mas nem por isso deixam de tirar o deles dos banhistas, e turistas – impotente e incautos.

Aqui, ao contrário do Recife, se paga pela cadeira e pelo guarda-sol, independentemente do consumo. O preço varia com a cara do freguês e o humor do atendente, e fica mais caro à medida que se aproxima do Morro desejado, e hoje só acessível aos olhos. O mínimo é R$ 5.

A desculpa é que a prefeitura reduziu a 15 o número de cadeiras que cada um pode dispor na areia. Mas a verdade é que sempre se cobrou aluguel dos equipamentos. No Recife, é proibido. Em Porto de Galinhas, também em Pernambuco, só não paga se consumir petisco.

Praia de Boa Viagem
Meu quintal: Praia de Boa Viagem, Recife – PE

Na capital pernambucana, cada “barraca” dispõe de no máximo 12 metros de frente e um máximo de 120 cadeiras, e é obrigatório deixar espaço para a circulação dos banhistas, na horizontal. Na vertical, entre um grupo de “barracas” e outro, há espaços para o banhista que prefere levar suas próprias cadeiras, guarda-sol, bebidas e alimentos.

A verdade é que a praia é espaço público, e qualquer um tem direito a afixar sua cadeira e guarda-sol onde se lhe aprouver – em qualquer quadrante. Como diz uma placa afixada pela Marinha na orla recifense, é “propriedade do povo brasileiro”.

Paria do Futuro, Fortaleza - CE
Paria do Futuro, Fortaleza – CE

Em Fortaleza, toda orla está privatizada, desde sempre. As barracas têm estrutura de parques aquáticos com bar, restaurante e banheiros. O turista bate-palmas. O Zé Povinho nem chega perto, ou fura o cerco como ambulante.

CAM00466Em Natal, há quiosques no calçadão, que também atendem na areia; e há “pontos” na areia. Quiosques de alvenaria foram plantados ao longo da orla, mas ainda não foram inaugurados, e os antigos ainda estão em atividade. Os “pontos” só tiveram o espaço reduzido.

Os banheiros públicos, com intervalo de cerca de 1 km, foram intercalados por pontos para chuveiros – parede curva recoberta por mosaicos – também não entraram em funcionamento.

Em compensação, o odor em alguns trechos, exatamente de concentração dos equipamentos não é nada agradável. Faz lembrar as manhãs de segunda-feiras, particularmente, em determinados pontos do que me permito chamar de meu quintal: a Praia de Boa Viagem, no Recife.

E tome maresia humana …!

Na Praia de Boa Viagem, os banheiros públicos foram implantados há cerca de 10 anos. São limpos e bem-cuidados, 12 horas por dia.  No resto do tempo, vale a consciência de cada um.

E as pessoas, homens principalmente, não resistem a uma parede – no que provam sua semelhança com os cães. Aqui, lá e acolá.

Inexistem campanhas educativas. Mas, no meu entender, a única solução é punir a incontinência urinária e educacional, ou a sem-vergonhice juramentada em via pública, com uma bela multa. Cidadania também se faz pelo bolso.

Bom, fiquemos em Natal, por ora. Terra abençoada, de gente acolhedora, educada, bonita e trabalhadora – a despeito de. E com a beleza do litoral, tanto em Ponta Negra como no entorno, ao Sul e ao Norte. Prova de que, se brinca com a condição humana, Deus é chegado a orgasmos múltiplos.

CAM00451
Ah, este mar, este céu, essa vontade de me tornar líquida…!

 

 


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