Contra a covardia e o ódio, a altivez da correção. Dá-lhe, Patrus!

por Sulamita Esteliam
Patrus desconstrói o ódio - Foto:Antônio Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas - março/2015
Patrus desconstrói o ódio – Foto:Antônio Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas – março/2015

Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Agrário, habitualmente ponderado, bem-educado e tranquilo é um gentil-homem no melhor que o termo pode expressar. Não costuma perder a fleuma, nem vergar a postura, treinado que é nas hostes do Direito e no diálogo como princípio.

De repente, em pleno bar da fina flor belo-horizontina, cidade cuja feição mudou em oito anos como prefeito, é atacado, verbalmente. Estava acompanhado da esposa e de um casal de amigos, todos petistas.

A agressão partiu de um desses trogloditas classe-média, que confunde democracia com casa da mãe Joana. Desses que frequentam o melhor da noite da Capital Mundial de Botecos, e estufam o peito para arrotar barbaridades sobre o PT e o Bolsa Família, enquanto sonegam impostos e aceitam, de bom grado quaisquer subsídios que os governos eventualmente tenham a oferecer.

Pura armação. Tinha até claque esperando para fazer barulho e registrar em vídeo a ser postado mais tarde nas redes sociais. “Olha só como escorraçamos mais um petralha…”

Mais do mesmo do comportamento selvagem, vergonhoso, lamentável, que tem se tornado frequente Brasil afora, o país de “milhões de Cunhas”.

Um Brasil onde governantes e tudo que lembra PT se transformaram em Geni. Não precisa prova nem julgamento, condenados estão pelo pecado de ser petista. Não se respeita nem defunto. Dá engulhos lembrar do procedimento inominável de mineiros no esculacho durante o velório de José Eduardo Dutra, recentemente. É a outra face do brasileiro “tão bonzinho…”

Ventrílocos do esgoto de jornalismo que se pratica no país.

Vi ontem no Twitter, via @Regina Salomão, a mensagem em que Patrus Ananias relata o ocorrido. Uma verdadeira aula de altivez, firmeza e classe.

Pus-me a imaginar a cena, o embate entre a truculência e a finesse, com lição de pertencimento. O sujeito não contava com isso.

Aliás, quem se presta a esse tipo de papel, não sabe o que é isso. Pois passou da hora de aprender.

Ficou pendurado na brocha. Ou, como diria minha avó, enfiou a viola no saco e foi cantar noutra freguesia. A claque emudeceu, e certamente fez cara de paisagem.

É assim que se faz, Patrus. Endurecer, sem perder a ternura, como nos ensina Che Guevara.

Você tem razão, quando escreve, como naquele artigo de maio, republicado há pouco tempo em seu blogue: o PT vive uma encruzilhada, precisa reconhecer seus erros, fechar os ouvidos ao canto da sereia, corrigir seus rumos e reencontrar-se com suas origens.

Mas o PT não tem que se encolher, pois mudou para melhor a face deste país. Ademais, quem muito abaixa deixa os fundilhos à mostra.

“Tudo é questão de manter/a mente quieta/a espinha ereta/o coração tranquilo…”

(música/refrão do vanguardista Walter Franco, 1978 do disco Respire Fundo)

 

 

A Tal Mineira capturou o texto de Patrus Anias no Facebook. Espero que o ministro não se importe:

Patrus Ananias/Facebook.com

Este não vai ser o país do ódio. Ninguém vai nos tirar das ruas de Belo Horizonte.

Estive há pouco na Cervejaria Bar Brasil, um bar tradicional de BH, com minha esposa Vera, Carlão Pereira e sua esposa Jussara. Estávamos ali conversando entre amigos, sendo tratados com toda a gentileza pelos garçons. Pagamos a conta e levantamos para sair quando um homem em uma mesa próxima à porta começou a gritar, fazendo acusações de corrupção e levantando um daqueles cartazes – “Fora PT, Fora Dilma”…

Me aproximei e pedi 30 segundos para conversarmos. Ele retrucou que iria me “conceder 10 segundos”. Respondi que colocasse num papel e assinasse todas as acusações sem provas em relação a mim, que amanhã mesmo eu entraria com uma ação contra ele. Então a conversa mudou, com ele dizendo que “eram acusações em relação ao PT”. Uma câmera já estava posicionada desde o início, esperando para flagrar o momento “espontâneo”.

Algumas mesas ao redor, articuladas a essa primeira, começaram a ampliar o barulho, tentando nos intimidar. Não arredamos pé. Respondemos às acusações sem fundamento, exigimos respeito, mantivemos a firmeza. O acusador da primeira mesa rapidamente foi embora em silêncio, enquanto nós permanecemos ali.

Tivemos uma conversa altiva e buscamos negociação e diálogo, com convém a uma sociedade democrática. Fizemos isso porque ninguém vai nos tirar das ruas e dos bares de BH. Nenhuma reação de uma manifestação organizada, travestida de espontânea, vai nos intimidar e limitar nosso direito de sentar com os amigos e a família em um bar numa tarde de domingo em qualquer cidade.

Porque este não vai ser o país do ódio generalizado, mesmo que esse seja o sonho de tantos que não conseguiram vencer democraticamente.
Este não vai ser o país onde se toma o poder pela força, usando mentiras e calúnias sem fundamento.
Este não vai ser o país onde quem grita mais alto tem razão. Este vai continuar sendo o país da democracia, de quem sabe ouvir, compreender e debater.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s