A tragédia, a responsabilidade e a energia que move o recomeçar

06/11/2015 - Barragem de mineradora se rompe em região de Mariana (MG)- Distrito Bento Rodrigues (Mariana). Imagens desta tarde. Foto: Corpo de Bombeiros
06/11/2015 – Barragem de mineradora se rompe em região de Mariana (MG)- Distrito Bento Rodrigues (Mariana). Imagens desta tarde. Fotos: Corpo de Bombeiros/Fotos Públicas
por Sulamita Esteliam

Muito triste o que aconteceu em Bento Rodrigues. Seja qual for a causa do rompimento das barragens de rejeitos e água da lavagem de minério, a vida das pessoas que ali tinham um lar, uma história pessoal e coletiva, virou de ponta-cabeça. Terão que recomeçar, não obstante. Sorte de quem carrega na mente o que viveu. Memória é referência, ponto de partida.

Os sobreviventes ainda devem agradecer a chance de seguir adiante, de poder contabilizar prejuízos, de poder chorar seus mortos. Não é fácil, mas essa energia é combustível essencial.  A vida não tem preço, é fato. Só que, às vezes, cobra cada miligrama de ar. É preciso pulmões de aço para tocar em frente.

Decorridas mais de 36 horas, não se sabe ainda o número de mortes. Confirmada uma. Há 13 desaparecidos, segundo o Corpo de bombeiros; 45 de acordo com o Metabase – o sindicato que abriga os trabalhadores da mineração – e que fala em até 16 mortos.

É óbvio que a prioridade, nessas circunstâncias, é atender as vítimas, resgatar e tratar os feridos, buscar e identificar os mortos. Sobretudo, cuidar para que os redivivos toquem suas vidas com um mínimo de conforto e dignidade enquanto buscam recuperar o prumo.

06/11/2015 - Barragem de mineradora se rompe em região de Mariana (MG)- Distrito Bento Rodrigues (Mariana). Imagens desta tarde. Foto: Corpo de Bombeiros

Acidente ou descaso, contudo, é a questão que não cala, sempre que nos deparamos com tragédias feito esta. Tragédia humana, patrimonial e ambiental, cujas causas têm sim, que ser apuradas com rigor.

Governos federal e estadual estão em sintonia para as providências devidas. O governador Fernando Pimentel, através de nota oficial e de visita pessoal aos locais atingidos. A presidenta Dilma Roussef, via Twitter, onde se solidarizou com as vítimas e anunciou medidas de auxílio às pessoas e ao estado.

A mineradora Samarco, empresa do grupo Vale, assume a responsabilidade. Embora afirme que desconheça os motivos do rompimento, e admita que há risco de novo acidente com uma terceira barragem do sistema. Isso é grave.

Além de Bento Rodrigues, o distrito de Paracatu de Baixo, esta totalmente coberto, de acordo com as reportagens locais. A lama atinge outros três distritos – Águas Claras, Ponte do Gama e Pedras  – e mais a vizinha cidade de Barra Longa, a 70 km do povoado.

O lugarejo de Bento Rodrigues é um vale encravado entre Mariana, da qual é distrito, e Ouro Preto, ao largo do caminho pela MG 129. É um sítio histórico, como de resto toda a região, com cerca de 600 habitantes. O tempo,  ali, se recusa a passar, desde a fundação 1718, a despeito das cicatrizes que o avanço da mineração da riqueza de seu solo imprimem nas montanhas circundantes.

Tudo agora é um mar de lama.

 

Pimentel e o ministro Gilbetto Occhi, da Integração Nacional, em visita à área atingida - Foto: Veronic Manevy-ImprensaMG
Pimentel e o ministro Gilberto Occhi, da Integração Nacional, em visita à área atingida – Foto: Veronica Manevy-ImprensaMG

 

Reportagens e notas oficiais sobre a tragédia:

 

Mineradora diz que não sabe as causas do rompimento das barragens


2 comentários sobre “A tragédia, a responsabilidade e a energia que move o recomeçar

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