Resista, Lola, você não está só!

por Sulamita Esteliam

Há dias em que fica difícil conciliar a agenda com a disposição física e mental. Em dias assim, a atualização do blogue acaba sendo relegada. Não por vontade ou desleixo, mas por absoluta falta de fôlego. É o que tem acontecido nos últimos dias, pelo que peço desculpas.

Desde o retorno do mais recente feriadão, que é dia da conquista do voto feminino e aniversário da minha mãe – se soubesse desta feliz coincidência dona Dirce, certamente, teria sido um tantinho mais feliz… -, que estou com um nó entalado na garganta. Talvez isso tenha contribuído para a frigidez mental que resulta na abstinência escrevinhadora.

A semana corre, mas não vou dormir mais uma noite sufocada.

blo pedindo pra divulgarQuem está nas redes sociais há de ter tido conhecimento da sordidez de que tem sido alvo a professora universitária Lola Aronovich, da UFC, que também é blogueira feminista; pilota o adorável e necessário Escreva Lola Escreva, há oito anos. Este blogue, que fez cinco anos em setembro de 2015, recomenda desde o início dentre os que fazem a diferença – lincados na coluna à direita.

Euzinha tomei conhecimento pelo Twitter, que é meu ponto de partida para o que acontece no mundo. Repliquei quanto pude. Se você não teve notícia, fica sabendo agora. A Tal Mineira resume:

Lola e o maridão 2015
Lola e o maridão moram em Fortaleza-CE – Foto capturada no Escreva Lola Escreva

Lola há tempos vem denunciando uma série de ataques verbais cibernéticos de homens que ela chama de “mascus”, “reaças misóginos”. Descomposturas e xingamentos que difamam, vomitam e pretendem insuflar o ódio, o sentimento mais alimentado neste nosso Brasil que acreditávamos cordial e feliz.

Incluem ameaças de morte, estupro e desmembramento, devidamente registradas em ocorrências policiais. As ameaças incluem o “maridão” da Lola.

Pois bem, no início do mês passado, a blogueira foi alertada por leitoras/es, que haviam criado um blogue fake/falso como se fora dela. Pior, a tal página pregava toda sorte de barbárie a pretexto do feminismo – que Lola defende de unhas e dentes, mas com responsabilidade de mulher libertária, humanista e educadora que é.

Lola printou a página, fez BO policial e denunciou o crime às autoridades competentes, dando nome aos bois: Marcelo Valle Silveira Mello, é o farsante-mor. Emerson Rodrigues é o comparsa. Ambos têm passagem pela cadeia por crimes cibernéticos, que incluem a disseminação da intolerância e do ódio contra “esquerdistas vadias” – detalhes na postagem do Escreva Lola Escreva, do dia 02 de novembro.

A fraude, que tem como um dos nomes uma inversão do nome real, que é pura perversão: Lola Escreva Lola, foi replicada por colunistas e “personalidades” da direita raivosa, incluindo espécimes do meio artístico. O que contribuiu para viralizar a maldade na rede.

Não contentes, encaminharam denúncias ao trabalho de Lola, que foi chamada pela direção da Universidade para dar explicações.

Revista Fórum publicou a denúncia, dia 03. Leia também,  a entrevista que Lola Aronovich concedeu à revita, publicada em janeiro deste ano.

Foi a gota d’água. Lola está deprimida com tudo, e com razão. Apesar da onda de solidariedade das redes sociais, ela está se sentindo sozinha, e colocando em xeque seu modo de vida, que inclui a dedicação ao blogue, que é um espaço de defesa dos direitos das mulheres.

Ela se ressente, também, de que nenhuma organização feminista veio em seu auxílio ou defesa até o momento. Escreve, dia 03:

“Um tuíte que escrevi, pedindo divulgação da minha resposta, foi bem retuitado. E, no Facebook, algumas páginas também se encarregaram de combater a mentira.

(…)

Recebi alguns apoios importantes, mas foram de pessoas individuais. De praticamente todos os coletivos feministas, o mais completo silêncio, provando, mais uma vez, que o ditado “mexeu com uma, mexeu com todas” é lindo na teoria, mas na prática só funciona nas panelinhas. E eu não pertenço à nenhuma.”

Lola Aronovich paga caro a fatura de ir à luta em defesa da sua liberdade de ser. Como todas as mulheres que não se contentam a ficarem restritas ao espaço delimitado para elas pela sociedade criada a serviço do masculino, desigual, arbitrária, hipocrita e cínica.

Não é justo, e não podemos nos calar.

É bom não esquecer: hoje é a Lola, a manhã pode ser Euzinha, você, qualquer um de nós.

Mas não desista, Lola. Saiba que você não está só.

Agora, a Internet não pode ser terra de ninguém. Todos que usam a rede devem estar atentos ao que lê e vê. Liberdade tem limite no direito das pessoas. É importante denunciar os abusos e a incitação à intolerância e ao ódio.

  • Humaniza Redes: sítio governamental que recebe denúncias de crimes contra os direitos humanos na Internet.
  • Safernet Brasil: sítio de organização civil de direito privado que combate crimes e violações dos direitos humanos no Brasil.
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Postagem revista e atualizada dia 06.11.2015, às 10:10h, hora do Recife: correção na formatação e retirada de palavras repetidas em diferentes parágrafos.

 

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