Água do Rio Doce não tem metais pesados, pode ser tratada e abastecimento começa a se normalizar

por Sulamita Esteliam

 

A análise da água do Rio Doce confirma que ela pode ser tratada para consumo - Foto: Copasa/Divulgação
A análise da água do Rio Doce confirma que ela pode ser tratada para consumo – Foto: Copasa/Divulgação

Enquanto o mundo pega fogo, com atentados selvagens no Egito, na Síria, na Palestina e em Paris, num eterno jogo de bumerangue, onde o pescoço dos civis é o prêmio. A ganância e o desleixo, também, cobram seu preço no Vale do Rio Doce, a partir do desastre em Bento Rodrigues, em Mariana – aqui e aqui neste blogue.

A procura de corpos e sobreviventes continua na área atingida por 62 milhões de metros cúbicos de lama. Mais de uma semana depois, ainda existem 15 pessoas desaparecidas e há sete mortes confirmadas. A situação é e vai continuar grave por muito tempo, mas o alarmismo disseminado pelo WhatsApp e pelas redes sociais não contribui em nada para resolver os problemas.

É  hora de pautar o recomeço, por mais complicado que ele seja.

Leio no portal do Governo de Minas o balanço das providências emergenciais para minorar as consequências do desastre, e há boas notícias: a captação do Rio Doce é retomada já nesta segunda-feira, possibilitando a normalização gradativa do abastecimento de água dos 280 mil valadarenses a partir desta noite.

Não, a água não contém metais pesados. A Copasa – companhia de saneamento básico de Minas Gerais concluiu a análise da água e confirmou a inexistência desse tipo de contaminação. De sua parte, o SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares teria encontrado uma maneira segura de tratar a água por métodos naturais.

A informação foi divulgada no jornal Figueira, compartilhada no Facebook pelo meu companheiro, Júlio, a partir da jornalista mineira, Maria Líbia.  O jornal valadarense também noticia o resultado da análise da água. Enquanto não se restabelece a normalidade, mantém-se o apelo para a amplificação da campanha de doação de água mineral – aqui.

Não obstante, passa da hora de encontrar alternativas mais seguras para a atividade mineradora em todo o estado e país afora.  Se o Estado não pode prescindir da atividade econômica,  e negar o fato é hipocrisia –  veja o que diz o prefeito de Mariana. É preciso evitar que tragédias como tais, ambiental, social, econômica, continuem a acontecer.

As mineradoras, seja a Vale, a Samarco – que tem metade do capital sob controle da Vale e metade nas mãos da australiana BHP – ou quaisquer outras não podem trazer o Estado reféns, por mais que os interesses sejam convergentes e, não raro, coniventes.

ValadaresRegistro, tristemente, a ação de oportunistas que veem na tragédia a oportunidade de faturar alguns trocados a mais, conforme denúncia no Twitter (ao lado). A dica foi de um amigo pernambucano. Compartilhei no Facebook, perguntando se o povo de Valadares confirmava. Infelizmente, sim. Há casos em que o galão de água mineral foi vendido por até R$ 40,00, quando o preço normal é um décimo disso.

Pronto, é o resumo para começar a semana de trabalho.

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PS: Desculpe-me, mas na sexta tive alguns contratempos que me absorveram, engolindo o  tempo que deveria ser dedicado à atualização do blogue. Ossos do ofício.

Justo no dia em que as mulheres voltaram às ruas #ContraCunha e as #trevas que ameaçam o nosso direito de ser gente. Mulheres com direito de ser mulher por inteiro. Retomo o assunto mais tarde.

Não tentei correr atrás do prejuízo, em pleno sábado, véspera da celebração da República, a nossa eternamente ameaçada instituição – mal-nascida e mal-enjambrada, diga-se.

 

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Postagem revista e atualizada às 17:43 h, hora do Recife: inclusão dos links de postagens anteriores sobre o mesmo assunto no blogue; correção da tonelagem de lama e rejeitos a partir do rompimento das barragens; e da origem da BHP, que não é norte-americana, mas australiana.

 


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