O Brasil se colore de vermelho, e verde, e amarelo pela democracia: #NãoVaiTerGolpe

A bandeira é nossa, é do Brasil que se orgulha - Fotos: SEsteliam
A bandeira é nossa, é do Brasil que se orgulha de ser brasileiro – Fotos: SEsteliam
por Sulamita Esteliam

Esta postagem era para ter sido feita ontem à noite, dia em que o Brasil se coloriu de vermelho, verde, amarelo, azul e branco contra o golpe e pela democracia, e contra o ajuste fiscal. Pequena amostra de que, se o país e a presidenta Dilma precisam manter o pé atrás e os olhos bem acesos em relação ao Congresso Nacional e ao próprio Judiciário, ela pode contar com as ruas.

De fato, comecei, mas fui vencida pelo cansaço, devo confessar. O saculejo das emoções do dia, somado ao rame-me cotidiano, mais a longa caminhada da tarde e noite, foi demasiado para esta velha senhora. O máximo que consegui foi postar três fotos da manifestação de cidadania recifense nas redes sociais, para não passar batida. Quedei-me aos meus limites. Hoje, restaurada, cá estou para cumprir o que me cabe ou me imponho.

Ontem, Euzinha e meu companheiro, Júlio, nos juntamos às milhares de pessoas que foram às ruas para dizer que não aceitamos o golpe, venha ele travestido da forma que vier. Foi uma festa linda – da concentração, na Praça Oswaldo Cruz, ao desemboque, no Monumento Tortura Nunca Mais. Coisa de dois quilômetros e meio pela Conde da Boa Vista, principal corredor de ônibus da região. Cerca de 10 mil manifestantes tomaram a avenida e depois a Rua da Aurora, durante hora e meia de caminhada.

Exigimos respeito à Constituição, e ao voto de 54 milhões de brasileiros que legitimaram nas urnas o mandato da presidenta Dilma Roussef. Quem discorda, que se prepare para disputar o posto em 2018. Não há  causa, não há crime de responsabilidade da presidenta, que não tem ficha, tem idoneidade irrefutável. Portanto não há respaldo jurídico para o impeachment. Então, é golpe.

Gente de todas as idades no Recife , em 24 capitais, no Distrito Federal e em outras cidades com o mesmo recado

Os movimentos sociais e as forças de esquerda – as que têm consciência da gravidade do momento para além do próprio umbigo – embora críticos ao governo -, sabem que as dificuldades da conjuntura econômica, social e política são reversíveis.  Sabem, também, que a questão política é o estopim e o combustível da crise. E a alternativa posta pelas oposições não nos serve. Somos gatos escaldados. O que está em jogo é o país.

Ademais, não há receita pronta. O que é preciso  é consciência, respeito às instituições e ao estado democrático de direito.

Minha geração cresceu e amadureceu sob o jugo da ditadura. Não queremos experiência similar para nossos netos. As novas gerações de pais não deveriam querê-lo para si e seus filhos.

O que está em jogo são os avanços das classes populares nos últimos anos – o mínimo de acesso a direitos que lhe são negados há cinco séculos.  Está em jogo, sobretudo, a nossa liberdade e cidadania, duramente conquistadas; e isso vale para todas as classes – talvez não para a plutocracia, que se dá bem em quaisquer circunstâncias.

Não é preciso ter muito tutano para entender tal equação, mesmo bombardeado diuturnamente pelo PIG – o Partido da Imprensa Golpista.

Insisto nesta tecla por que há um golpe em marcha, e não podemos admitir.

Quem tem memória, repudia o golpe
Quem tem memória, repudia o golpe

Ainda outro dia, meu neto mais velho, de 19 anos, Gabriel Odim, me perguntou quantos anos eu tinha quando houve o golpe civil-militar. Eu tinha 10 anos, respondi, e ele ficou visivelmente surpreso. Eu diria mesmo, assustado.

Acrescentei, para lembrar, porque supostamente estuda ou estudou História, que a ditadura durou 21 anos, e que eu só votei para presidente aos 35 anos e o avô dele aos 40 anos. Em contrapartida, ele, neto, pôde votar para presidente aos 18 anos e a tia dele, da mesma geração, e a outra, da geração anterior, votaram aos 16 anos.

O que está em jogo não é apenas o mandato da presidenta Dilma Roussef, o gostar ou detestar o PT. Tive que explicar isso para meu neto de 13 anos, Guilherme Cauã, bem no dia do aniversário dele. Jogávamos boliche, a celebração que ele escolhera. Entre um arremesso e outro, conversávamos. A certa altura, o papo enveredou pela política, ou pela cidadania, provocado pelo irmão mais velho. E então, Gui Cauã, soltou um comentário: “A Dilma é horrivel!”.

Meu neto estuda em colégio de classe média, aquela parcela que aspira ser elite e não quer que seus filhos tenham que disputar espaço, em qualquer meio e lugar, com os filhos da classe trabalhadora. Seus coleguinhas e amigos também. Certamente, repete os comentários que vigoram nesse ambiente, contaminado até a medula pela mídia venal de plantão.

Resumo da ópera: disse a ele, que não precisa gostar da Dilma, só precisa respeitá-la como a autoridade maior do país – queiram ou não queiram os juízes. Da mesma forma, há que respeitar a Constituição, que é a lei maior do país, o voto, o direito de votar e o resultado das urnas. E, fora isso, como diz a mãe deles, minha filha Gabriela, “quem quiser que passe amanhã”, ou melhor, em 2018.

O Vermelho tem um resumo das manifestações em diferentes capitais. Confira: http://www.vermelho.org.br/noticia/274231-1

Abaixo, outras fotos da manifestação da galeria do A Tal Mineira.

 

 

 

 

 


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