Celebrar é vital para renovar as energias: saúde e alegria, pois!

Pioneiros HD
Uma parte d@s Pioneir@s do HD em celebração – Foto: Virgínia Castro
por Sulamita Esteliam

Estou em Beagá desde a madrugada de domingo, sem tempo e foco para o blogue. Vim passar as festas com o núcleo familiar daqui, num ano em que nossas bases interiores foram sacudidas pelo acidente que colocou na cama nossa irmã caçula, Zeíca. Graças aos céus, ela vem se recuperando – devagarinho, mas gradativamente. Gostei de vê-la com aspecto saudável e tranquilo, a despeito das limitações físicas. Todos que vivenciam o cotidiano com ela, ou a veem com mais frequência, não têm dúvidas de que a volta para a casa produziu efeitos inegáveis em sua evolução. Deus é pai.

Nem só de DNA vivemos, todavia. Há os amigos, há a família eletiva, também.

Euzinha, Eneida da Costa e Margareth Petersen - Foto: Hélder da Costa
Euzinha, Eneida da Costa e Margareth Petersen – Foto: Hélder da Costa

Em plena segundona, lá estava Euzinha em casa da irmã Eneida da Costa, num “pré-Natal” que reuniu sua alegre e afetiva família sanguínea e outra amiga querida, que há muito não via, Margareth Pettersen. Noite maravilhosa, com o tradicional da mesa natalina mineira revisitado pelo talento da cozinheira-chefe, nossa anfitriã. Naturalmente que avançamos até o raiar do dia – para não perder o costume, sempre que nos juntamos.

No próprio domingo, tive a felicidade de abraçar amigos de longa data, no encontro que denominamos Pioneir@s do HD. Trata-se do grupo de jornalistas que participaram do projeto inaugural do jornal Hoje em Dia, em 1988, e que acabou se reunindo, posteriormente, na segunda metade do ano, na Editoria de Política. A turma incorpora alguns agregados, pioneir@s como nós, e se confraterniza todos os anos.

É a segunda vez que consigo estar presente; a primeira foi num bar de Santa Efigênia, há coisa de sete anos, provocado pela saudosa Xuxu, e pela Virgínia Castro, então a pretexto de minha estada na terrinha. Fizemos a ela um brinde coletivo e emocionado, de arrepiar.

O anfitrião César, rodeado pelas "meninas" da antiga editoria de política : Lúcia Helena, Virgínia Castro, Isabel Zóglio e esta escriba (faltaram a Ângela Rodrigues , Denise Camarano e Denise Mendes)
O anfitrião César, rodeado pelas “meninas” da antiga editoria de política : Lúcia Helena, Virgínia Castro, Isabel Zóglio e esta escriba (faltaram a Ângela Faria , Denise Camarano e Denise Mendes)

O encontro do presente, organizado pela mesma Vivi, via zap-zap, se deu em torno de uma mariscada, à moda baiana, preparada pelo chef Matusalém, na adorável residência de César Ferraz, em Nova Lima. Anfitrião irrepreensível, com o luxuoso auxílio do seu primogênito, Chico, de recesso da labuta na Universidade Federal do Amazonas, onde leciona.

Boa comida, bom papo, bebida farta e de qualidade. Para alinhar a conexão Minas-Bahia, trouxe a sobremesa de Pernambuco: bolo de rolo.  Junte muito carinho e alegria. Perfeito.

Claro que sentimos a falta de alguns amigos que não puderam estar com a gente. Mas é impressionante como 27 anos passados não arranham a solidez da nossa amizade, embora aparentemente sejamos pessoas muito diversas. Talvez por isso mesmo, mas também paradoxal, porque cimentada num raro encontro de ideias, energias e ideais em torno de um projeto que resultou bem-sucedido – que sobreviveu à nossa saída, praticamente coletiva, diga-se, em 1991. Como resumiu nosso anfitrião: “um encontro de almas”.

O Hoje em Dia anda deteriorado já há algum tempo. Não obstante, o jornal que nasceu popular e exuberante, em seis meses mudou de rota para o formato padrão, ganhou uma chefia totalitária – esculpida nos padrões globais – mas tinha uma equipe aguerrida, que sabia resistir ao assédio político-moral, comprometida que era em fazer Jornalismo com letra maiúscula.

O projeto, infelizmente, descarrilou, e temos notícia de abusos de toda a sorte; como antes e em toda a mídia venal país afora, sucedem-se passaralhos, e o alinhamento político desfigura o rumo editorial, além de prática anti-sindical.  Tal e qual aconteceu antes, e acontece agora em todo o país, repito. E acontece, desde antanho, com o autoproclamado “Grande Jornal dos Mineiros”, o Estado de Minas, que teve no HD o primeiro a assombrar sua hegemonia.

A decadência do grupo Associados, que recentemente vendeu o pioneiro dos seus veículos ao grupo Rands, o Diário de Pernambuco, parece irreversível; está de pernas quebradas. Ao ponto de não cumprir suas obrigações trabalhistas. Neste 2015, sequer pagou o 13º salário de seus funcionários – tanto nos jornais, quanto na TV Alterosa e Rádio Guarani, o que rendido seguidas paralisações de protesto.

Vergonha. Tristeza. Indignidade.

Quanto mais que se sabe as razões da bancarrota: ter apostado todas as fichas na vitória dos candidatos tucanos nas eleições passadas, tanto no campo estadual como federal. Quem paga o pato, em quaisquer circunstâncias, são os trabalhadores.

E por falar em eleição e mídia, enquanto politicamente tivemos um refresco na guerra do terceiro turno,  os midiotas de plantão se mantém a postos a escancarar a total ausência de quaisquer resquício de pudor. Que nome dar à agressão de dois playboizinhos zona-sul ao Chico Buarque e ao Cacá Diegues, em plena rua do Rio de Janeiro? No centro do ataque, Dilma, Lula e o PT. Chico revidou com ironia, mas essa gente que acha que o dinheiro pode tudo, não é capaz de compreender sutilezas.

Chico e Cacá Diegues são duas instituições. São dois patrimônios da nossa cultura. Chico, particularmente, é exemplo inigualável de correção e coerência, política e cidadã.

Até quando o desrespeito, a falta de senso e de educação?

Cultivar o ódio de classe, disfarçado em indignação, é atiçar o nosso lado mais lamentável.

Fecho com a nota de solidariedade publicada pelo Instituto Lula:

Chico, entre Marisa Letícia e Lula em 2007 - Foto:Ricardo Stuckert - Instituto LUla
Chico, entre Marisa Letícia e Lula em 2007 – Foto:Ricardo Stuckert – Instituto LUla

Chico Buarque é um patrimônio da cultura e do povo brasileiro; nosso maior artista, o mais fino intérprete da alma de nossa gente. É admirado, por tudo o que fez e faz na música e na literatura, e respeitado, como cidadão consciente que jamais se omitiu nas lutas pela democracia e justiça social. Um brasileiro com essa trajetória, e que tem no sangue a herança do professor Sérgio Buarque e de dona Maria Amélia, não merece ser ofendido, muito menos por sua coerência. É muito triste ver a que ponto o ódio de classe rebaixa o comportamento de alguns que se consideram superiores, mas não passam de analfabetos políticos. Apesar de vocês, amanhã há de ser outro dia. Receba, querido Chico, nossa solidariedade, sempre. 

 Lula e Marisa.

 

 

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A Tal Mineira entra em recesso, oficialmente, até a semana. Semana que vem, depois do meu aniversário, passo por aqui para desejar-lhe uma boa virada de ano.

Por ora, um Natal de harmonia, amor e toda energia boa suficiente para sua felicidade.

Paz e prosperidade, saúde e alegria!

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Postagem revista e atualizada em 29.12.2015: complemento da frase no 11º parágrafo, que estava sem sentido: “A decadência do grupo Associados (…) parece irreversível; está de pernas quebradas.”

 


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