Dilma, afastada, deixa o Planalto nos braços do povo

“Sofri a dor da tortura. Sofri a dor da doença. Nenhuma dor é maior do que a da injustiça e da traição.”

                                                                              Dilma Vana Rousseff, presidenta da República do Brasil, afastada em 12 de maio de 2016

por Sulamita Esteliam

A presidenta da República, ora afastada por decisão do Senado Federal, que abriu nesta madrugada o processo que pretende enterrar seu governo, deixou o Palácio do Planalto esta manhã, nos braços do povo.

Esta é a imagem que fica para a História, e repercute no mundo, depois do placar de 55 x 22 votos que a retira de cena por 180 dias, teoricamente. O presidente do Senado não votou e houve duas ausências na sessão que começou na quarta-feira 11, e que durou mais de 20 horas.

Depois de fazer declaração oficial à imprensa e ao povo brasileiro,  com voz firme e palavras certeiras, Dilma foi acolhida pelo carinho das milhares de pessoas que a aguardavam do lado de fora do Planalto. E, ao lado do ex-presidente Lula, ex-ministros, assessores e parlamentares de sua base de apoio, voltou a falar. Desta vez , com toda a carga de emoção que as circunstâncias carregam.

Mais uma vez, disse que não é apenas seu mandato e a democracia que são atingidos pelo golpe travestido em impeachment, sem crime de responsabilidade. Mas todas as conquistas do povo brasileiro, sobretudo os mais humildes.

Voltou a afirmar que é vítima de uma injustiça, que vai resistir por todos os meios possíveis. Agradeceu o apoio dos movimentos sociais, dos trabalhadores, de todos que ficaram do lado certo da História. Afirmou que está acostumada a desafios e à luta, e que hoje, um dia especialmente triste, a energia do povo lhe restituíra a alegria.

E pediu que todos continuem mobilizados e em paz.

Foi ovacionada.

Eis os vídeos com as falas da despedida:

 

1.Nos braços do povo

 

2. O impeachment é uma fraude, uma farsa: é golpe

 

 

 

O golpe de Estado, por via parlamentar, está consumado. Seguiu rito previamente traçado, e não apenas do ponto de vista da formalidade.

Todavia, o impeachment pode levar até 180 dias para se consolidar, ou não.

Neste período o Senado, através da Comissão de Impeachment “investiga” os “crimes” os quais a presidenta Dilma Rousseff é acusada: ouve testemunhas, busca provas. O que é irônico, uma vez que se não há crime, como haverá provas?

Novo relatório é feito, consolidando as acusações ou não.

Em quaisquer dos casos, ao final, volta ao plenário onde é submetido à votação. Nesta etapa é necessário maioria de dois terços para o afastamento definitivo da presidenta, se a recomendação for pelo impeachment.

Tanto a comissão como a sessão do colegiado que fará o julgamento final são conduzidas pelo presidente do Supremo Tribunal Federa, ministro Ricardo Lewandowski. A ele cabe arbitrar os recursos da defesa contra decisões no âmbito da comissão – que tem na presidência e na relatoria os mesmos senadores da fase encerrada nesta madrugada.

Note-se que o afastamento temporário, que apenas requeria maioria simples, foi obtido com um voto a mais do que os dois terços requeridos. O que não significa que a presidenta e as forças que a apoiam não possam vir a conquistar os votos que faltam.

Ao longo desses seis meses, a presidenta Dilma tem direito a continuar morando no Palácio da Alvorada, e também recebe seu salário integral,à segurança e ao seu gabinete pessoal. Assim definiu o Senado, frente à ausência de regras legais claras que definam as prerrogativas.

Clique para assinar petição pela anulação do processo de impeachment. Claro que Euzinha já assinei.

Fotos capturadas no FB/ Jornalistas Livres e no Tijolaço
Fotos capturadas no FB/ Jornalistas Livres e no Tijolaço

 

 

 


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