Lula ressalta a transformação do Nordeste e lembra: ‘os pobres salvaram este país’

“Quando eu era criança, a 200 metros da minha casa tinha um lugar de enterrar pagão, que eram as criancinhas que morriam antes de ser batizadas”.

Lula, em Juazeiro, Bahia, celebrando a notícia de que, a despeito da maior seca dos últimos tempos, nenhuma criança morreu de fome no Nordeste

 

 

por Sulamita Esteliam

Uma baita e repentina dor de cabeça me impediu de completar minha agenda desta quarta-feira, que incluía participar do ato com o ex-presidente Lula no Recife Antigo, no fim da tarde/início da noite.

Então, valho-me de informações colhidas na blogosfera para traçar um panorama da visita do líder petista a esse trecho do Nordeste.

Todavia, optei por lincar as matérias do Instituto Lula, através dos quais você pode ouvir, se desejar, a íntegra das falas do ex-presidente em cada local. Exceto o vídeo abaixo e trechos do discurso no Recife, que transcrevo ao fim desta postagem.

Lula fechou na capital pernambucana a Caravana Popular em Defesa da Democracia, a convite da Frente Brasil Popular de Pernambuco.  A Caravana começou a percorrer o estado em 04 de julho, do sertão para o litoral. A previsão dos organizadores era encerrar dia 15, mas o calendário foi alterado para aproveitar a presença do ex-presidente.

Os objetivos convergem: denunciar o golpe, o ataque do governo interino provisório e usurpador aos direitos sociais da gente mais pobre e dos trabalhadores, defender a democracia e o resgate do mandato legítimo da presidenta Dilma.

De quebra, Caravana e Lula chamam a atenção para a importância de a massa trabalhadora escolher bem seus candidatos às câmaras e prefeituras municipais nas eleições deste anos. Afinal, a vida acontece no município, na casa de cada um, em cada rua de cada bairro.

É do umbigo para o mundo que se faz política. E a máxima inclui a omissão, que é uma maneira perversa e covarde de praticar a política.

Lula vem de um périplo de três dias por plagas nordestinas, a região que foi resgatada do engessamento por ações de seus dois governos e o da presidenta Dilma.

Começou em Juazeiro, na Bahia, com direito a título de cidadão honorário. Incluiu a vizinha Petrolina, em Pernambuco, se estendeu por Carpina, na Mata Norte e Caruaru, no Agreste, desaguando no Recife. Caudalosamente, como é próprio de Luiz Inácio.

Com direito a sacramentar a parceria do candidato do PT à Prefeitura do Recife: Silo Costa Junior (PRB), filho do deputado Silo Costa (PTB), aliado e defensor ardoroso do governo e do mandato de Dilma Rousseff, é o vice de João Paulo Lima e Silva (PT)

O ex-prefeito pretende retomar o Executivo da capital, onde esteve por duas gestões – de 2001 a 2008. Fez gestão para ficar na História, também ao impor o candidato à própria sucessão e, com isso, rachar o partido, irremediavelmente.

Com o auxílio luxuoso, diga-se, de Lula e da cúpula petista – ninguém é perfeito.

Ao meter a cunha, na vã tentativa de pacificar, acabaram aprofundando as rachaduras e fazendo cacos do espelho. Resumo da ópera: entregaram, de bandeja, a prefeitura para o ex-aliado PSB, que ainda por cima levou consigo outro parceiro de gestão, o PCdoB.

Idiossincrasias do PT, e coisas da política – difíceis de entender e engolir, convenhamos. Sempre é possível recomeçar, não obstante.

Mas Lula é Lula, por mais que tentem desconstruir sua imagem.

Por onde passou, o ex-presidente se reuniu com trabalhadores e políticos, em locais fechados e atos em praça pública. Arrastou multidões. Também visitou o Assentamento Normandia, do MST, em Caruaru, onde ficou conhecendo o Centro de Formação Paulo Freire.

O Normandia reúne 61 famílias – 41 assentadas e 20 agregadas -, cerca de 300 pessoas, e existe há 23 anos. Sobrevive a cinco ordem de despejo, e conta com cooperativa, associação, agroindústria, escola multisseriada até o quinto ano, e grupo de mulheres boleiras.

A estrutura de atividades e organização interage com a comunidade. Um exemplo é o campus da UFPE no Agreste, que usa o Centro Paulo Freire para realizar cursos.

Pela primeira vez, Normandia tem candidato a vereador de Caruaru: Edilson, militante antigo do MST e marido de Mauricéia, uma das gestoras do assentamento.

As eleições municipais estão na pauta dos movimentos sociais. O atual presidente da Fetape,  Doniel Barros, fez questão de ressaltar em sua fala no ato com Lula:

“Nosso primeiro desafio é não permitir que uma presidente eleita pelo povo seja afastada. Nosso segundo desafio é manter os direitos dos trabalhadores, que estão ameaçados pelo governo ilegítimo. Nosso terceiro desafio é a luta para conscientizar nossos trabalhadores e trabalhadoras de que é importante eleger vereadores, vice-prefeito se prefeitos com compromisso com a luta dos trabalhadores.

“O quarto desafio: demorou muito para conseguirmos eleger o primeiro deputado estadual trabalhador rural, mas Deus levou Manoel de Serra no ano passado. Vamos reconquistar esse mandato. O último e quinto desafio é não permitir nenhum retrocesso neste país nas eleições de 2018. Conte conosco, presidente!”

De sua parte, os discursos de Lula seguiram o diapasão que tem caracterizado suas falas públicas e entrevistas, como por exemplo, uma das mais recentes, para o francês Liberácion: pobre não é problema, é solução. A escolha de políticas públicas voltadas para quem mais necessita faz a diferença na economia e na autoestima de um país.

Por isso, o desgoverno golpista se concentra no desmonte dos direitos dos trabalhadores e da gente humilde. Daí a importância de que o povo se una para cobrar dos senadores a derrubada do impeachment contra a presidenta Dilma, que é um desrespeito à vontade popular, à Constituição, à democracia.

Sintetizo o que, para mim, são os trechos principais:

Em Juazeiro-BA, em ato de lançamento de políticas do governo baiano para o semiárido, na segunda-feira, 11:

“Eu dizia (em suas palestras pelo mundo sobre como o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU): se você quer acabar com a fome do seu país, não tem outro jeito: você precisa incluir o pobre no orçamento. Seria impossível esse país chegar onde chegou se não fossem vocês.”

Mais:

“Agora eles estão tentando desmontar programas sociais, criar as condições para vender a Petrobras, o Banco do Brasil… Esse filme já vimos. O PT tem quadros muito bons e eu não preciso voltar. Agora, se o governo que está aí  não sabe governar e precisa vender patrimônio público, eu digo: se vocês não sabem, eu sei!”

Antes, na cerimônia em que recebeu o título de cidadão honorário:

“Durante muito tempo, o Nordeste foi tratado como a parte do Brasil que nunca recebia recursos dos governos federais. O Nordeste quase virou uma região de nômades porque as pessoas saíam daqui procurando trabalho, água, comida e melhores condições de vida. Quando chegamos ao governo em 2003, carregamos um aprendizado muito grande e um compromisso ainda maior com o povo brasileiro. A coisa mais importante que eu fiz nesse governo, foi lembrar ao resto do Brasil a importância do Nordeste.”

Em Petrolina-PE, divisa com Juazeiro, no ato do Semiárido contra o Golpe, que juntou pessoas dos nove estados do Nordeste:

“Quem pode salvar o país da crise? Eu colocaria financiamento na mão dos pobres. Porque R$ 500 na mão do pobre não vira dólar ou conta bancária, vira consumo, emprego, desenvolvimento.”

E ainda:

“Para ser vereador, tem que disputar eleição e ganhar. Para ser prefeito, governador, sindicalista… Tem que disputar a eleição e ganhar. Como é que seu Temer quer ser presidente sem ser eleito para isso?” (…) “(o golpe)Foi um assalto organizado por uma maioria muito, mas muito duvidosa da Câmara dos deputados”. (…) “Estamos aqui não somente para manter o mandato de vocês, que é o mandato da Dilma, mas para evitar que os direitos dos trabalhadores sejam desrespeitados.”

Em Carpina, no ato com trabalhadores rurais na Fetape, na terça, 12:

“Viajei o mundo todo falando sobre o sucesso do Brasil. Sabe quem salvou o Brasil? Os pobres. Os pobres que receberam o primeiro salário digno, que entrou pela primeira vez no Banco do Brasil. Quando um pobre recebe R$ 500, ele não compra dólar, ele consome. E isso gerou um dinamismo na economia que salvou o Brasil.”

“É claro que existe uma crise. A culpa é da Dilma? Não! Em primeiro lugar a culpa é de uma parte do Congresso que fez de tudo para atrapalhar e depois cassou não apenas ela, mas 54 milhões de brasileiros que escolheram ela como presidente.”

Em Caruaru, no ato da Caravana Popular, na quarta, 13:

“Eles sabem que eles estão mentindo. Eu nunca imaginei que a Dilma seria vítima de uma mídia que não tem compromisso com a verdade. Possivelmente eles estejam incomodados porque tem empregada doméstica, filho de agricultor familiar, filho de pobre fazendo universidade. Isso incomoda muita gente da elite desse país. O que eles não sabem que que os trabalhadores brasileiros estão dispostos a prosseguir na consolidação da democracia nesse país e fazer com que os trabalhadores sejam eleitos vereadores, prefeitos, deputados,  governadores e presidentes neste país.”

No Recife, no ato de encerramento da Caravana Popular em Defesa da Democracia, na Av. Rio Branco, no Antigo – também aqui:

“Só existe apuração de corrupção neste País porque o PT tirou o tapete que escondia a corrupção na sala deste País, porque o PT investiu na inteligência da Polícia Federal, porque o PT investiu na contratação de policiais federais, porque pela primeira vez o presidente não interfere na escolha do procurador-geral da República.”

“Nós não temos medo de investigação, o que nos temos é medo de mentira, é da delação premiada deformada. Pega um cidadã que roubou milhões, denuncia meia duzia de pessoas, fica com metade do que roubou e vai fumar charuto na praia.”

Na segunda-feira, em Petrolina, Lula concedeu entrevista ao radialista Geraldo Freire, da Rádio Jornal. O áudio com a íntegra pode ser ouvido aqui.

O Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do Instituto Lula, autor das fotos desta postagem, gravou um vídeo com pequeno trecho da entrevista, que antecipa o que o ex-presidente repetiu no discurso no Recife. Compartilho:

 

PS: O foco das críticas à Lava Jato é perfeitamente explicável, não apenas pelo conjunto da obra no que tange às irregularidades e abusos amplamente apontados por juristas de boa cepa.

É que nesta quarta, a Globo noticia que a Força Tarefa do MP do Paraná requisitou que o juiz Moro determine que o ex-presidente “explique”  como e de onde vêm os objetos que hoje estão em seu acervo privado. Conforme estabelece a Lei 8.394/91.

Até as brumas de Curitiba no inverno sabem que trata-se de presentes que recebeu, de cidadãos e chefes de Estado do mundo inteiro, ao longo exercício da Presidência da República. Assim como o fizeram presidentes anteriores, como Sarney e FHC.

Notícia requentada para tirar o foco do que interessa.

 

 

 

 

 

 


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