O jogo da política não é para amadores

No Sertão do São Francisco, 90% querem Lula de novo – Foto na inauguração popular da Transposição do Velho Chico em Monteiro-PB: Ricardo Stuckert
por Sulamita Esteliam

Enfim, uma semana que se inicia com, pelo menos, três boas notícias: a esquerda ganhou a eleição presidencial no Equador, embora, lá como aqui, tenha que lutar contra os maus perdedores; Lula continua imbatível em Pernambuco e o governo socialista no estado se desmancha em sua própria insignificância – só perde para o desgoverno Temer.

Fato é que o jogo da política não é para amadores. E o povo, a seu modo, sabe como mexer o caldeirão das possibilidades. Dá-se mal quem aposta o contrário.

A blogosfera, a partir do Tijolaço, do atento Fernando Brito, repercute o resultado de uma pesquisa do instituto pernambucano Uninassau, divulgada nesta segunda pelo Jornal do Commercio.

Traduz em estatística o sentimento do povo desta terra, palpável nas ruas.

O fenômeno avança do Litoral para o Sertão e resulta em que 65% votariam no conterrâneo para presidente de novo, se as eleições fossem hoje. No Recife são 53%, sobe a 58% na Metropolitana, 65% na Zona da Mata, 71% no Agreste, 72% no Sertão, mas no Sertão do São Francisco vai a 90%.

Quem foi às ruas no 31 de março, quando trabalhadores do Brasil, aos milhares, protestaram contra a retirada de direitos, pôde ver que o contraponto ao “fora, Temer” é o “Lula, Lulaaa”…!

Queiram ou não queiram os juízes – e uma parte da esquerda inconformada, que não tem jogo eleitoral e, muito menos, cacife para bancar a revolução popular. Muita garganta para pouca substância.

Em compensação, se no plano nacional a impopularidade é de 78% (Ibope), aqui o mordomo usurpador da Presidência da República é rejeitado por 91% dos entrevistados.

Mas o grande perdedor é o próprio governador do estado, Paulo Câmara, que se revela indigno do que colheu nas urnas. Eleito no primeiro turno com 68,8% dos votos, em 2014, foi tragado pela incapacidade de gerir a crise econômico-política, e agora paga o preço: 74% dos entrevistados reprovam seu governo.

O ectoplasma de Eduardo Campos – ainda hoje considerado “o melhor governador” de Pernambuco, segundo a mesma pesquisa -, não é suficiente para equilibrar o desmantelo de uma gestão que associou-se à camarilha que tomou de assalto a República.

Curiosa é a reação do partido de Câmara, o PSB, diante do que capta a pesquisa, a demonstrar a sutileza política de um elefante. Em nota, não contente em atacar o Uninassau, atribui o desastre do governo às “políticas equivocadas dos governos do PT”.

Se não é amnésia é má fé. Até os arrecifes sabem que o Estado de Pernambuco alcançou o ápice do desenvolvimento econômico e social nos 12 anos do PT na Presidência da República.

Também em nota oficial assinada por seu presidente, Bruno Ribeiro, o Partido dos Trabalhadores em Pernambuco coloca os pingos nos is. Seleciono e transcrevo o trecho principal; a íntegra pode ser lida clicando no título:

NOTA OFICIAL DO PT-PE

(…)

“Como é notório, as políticas e as prioridades dos governos petistas de Lula e Dilma colocaram Pernambuco e o Nordeste em novos patamares sociais e econômicos,  apontando rumos estruturadores para o País e para o seu povo, que ascendeu socialmente e saiu da fome aos milhões.

Sob o abrigo das políticas do PT, o nosso Estado afinal concluiu Suape e passou a refinar petróleo, a fabricar automóveis, a construir navios, a ter um novo parque industrial, a transpor águas, a construir a Transnordestina, a enfrentar a maior seca dos últimos 100 anos sem fome, sem saques e sem mortes de pessoas, dentre muitas outras transformações.

Também sob o abrigo e em razão direta dos Governos do PT, do qual o PSB participou até 2013, o governo de Pernambuco conheceu índices de aprovação expressivos que, até hoje, a pesquisa da Uninassau apura como uma duradoura avaliação positiva aos Governos de Eduardo Campos, ele mesmo um ex-ministro de Lula.

Depois de se afastar do PT e da sua própria linha histórica, o PSB mergulhou na conspiração para desestabilizar o Governo Dilma e para construir um ambiente de respaldo ao golpe parlamentar, desfechado com o apoio de todos os votos dos parlamentares do PSB e lançando a nossa democracia e o nosso País num abismo político e econômico, cujas consequências nefastas ficam visíveis cada vez mais.

Ora, construir o golpe e adentrar no Governo ilegítimo de Temer, indicando ministros a ele filiados ou à sua base de sustentação partidária, bem como votando nas suas medidas de supressão de direitos e de conquistas de nosso povo, é a real causa da rejeição popular e do precoce fracasso da gestão do PSB em Pernambuco.  Aliás, uma outra pesquisa, a do Ibope divulgada na sexta-feira, no sintomático dia 31 de março, evidenciou os índices de insatisfação e de ojeriza popular aos retrocessos que estão sendo impostos a Pernambuco e ao Brasil.

(…)”

 

 

 


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