O antídoto contra o jornalixo é você mesmo e sua capacidade de refletir

por Sulamita Esteliam

No curso da análise e da repercussão do que foi a Greve Geral do dia 28 de abril, e ainda no mote do 1º de Maio, nestas plagas, transcrevo logo abaixo o artigo do amigo Eduardo Campos, jornalistas e advogado, companheiro de muitas batalhas profissionais e sindicais em tempos idos lá em Beagá, O A Tal Mineira agradece a generosidade.

Para mim, Dudu, como o tratam os amigos, toca no ponto-chave do antijornalismo que vem sendo praticado pela mídia venal – parceira do golpe parlamentar-jurídico que colocou o Brasil a pique -, e que se repetiu na cobertura do dia em que o Brasil parou:

“As pessoas não absorvem, sem filtros, o que tentam incutir em suas mentes. E o filtro principal, determinante, é a experiência de vida de cada um, seu lugar no mundo.”

Concordo, plenamente. Lembrar-se de onde você vem, quem você é e o que faz aqui é essencial para refletir e decidir se você toma ou recusa o veneno de cada dia da des- informação que entra na sua casa, e na sua cabeça.

Até porque, a esculhambação chega a tal nível, que mesmo o mais desavisado e santo desconfia.

É o que, com elegância, mas com clareza, aponta a ombdsman do jornal Folha de São Paulo, em análise sobre a cobertura da greve pela mídia nativa, em especial do diário que a contrata: “O bom jornalismo aderiu à greve”, escreveu Paula Cesarino Costa.

Faltou dizer quem determinou a manipulação e o miserê informativo foi a direção da empresa. Mas aí talvez seja querer um pouco demais. Não à toa a jornalista está na empresa desde 1987.

Ao texto do Dudu, pois:

Charge capturada no coletivo FB/Jornalistas Livres

A Greve Geral, a mídia mafiosa e a percepção da sociedade

 por Eduardo Campos – no Facebook

Tive ontem mais um motivo para voltar 40 anos no tempo. A cobertura da mídia golpista da Greve Geral me fez lembrar de minhas aulas sobre meios de comunicação de massa no curso de Jornalismo da Pucminas e de uma palestra da antropóloga e cientista política da USP, Eunice Durham.

Por maior que seja o massacre da mídia mafiosa, por mais que ela tente fazer a cabeça de seus receptores, seu poder para isso é limitado. As pessoas não absorvem, sem filtros, o que tentam incutir na mente delas. E o filtro principal, determinante, é a experiência de vida de cada um, seu lugar no mundo.

A greve foi um sucesso. Mesmo que não tenha sido tão geral assim, foi um grande avanço, um passo importante para deter as investidas dos usurpadores contra os direitos sociais.de nossa gente. A mídia mafiosa tenta associá-la, essencialmente, ao que chama de “baderna”, que não é, nada mais, nada menos, que o confronto entre manifestantes e repressão, ainda que, em alguns casos, depredações injustificáveis sejam promovidas, por pessoas equivocadas ou mesmo infiltradas.

Se o poder da mídia mafiosa fosse absoluto, estaríamos, agora, com a sensação de derrota, mesmo com o sucesso da greve. E não o é, hoje, não apenas pelos filtros mencionados acima, mas, também, pela democratização da disputa da hegemonia da opinião pública, permitida pelas redes sociais contemporâneas.

Outras contradições ainda entram na balança. Por mais que os veículos construam seu discurso oficial – como o Sistema Globo, que proibiu a utilização da expressão Greve Geral -, seus múltiplos canais não falam exata e integralmente a mesma língua, ainda que haja uma padronização prévia de conduta. Colunistas de jornais, mesmo, às vezes, os conservadores, contrariam a linha editorial; jornalistas críticos, mesmo sem poder contestar abertamente os patrões, deixam escapar algumas “verdades”. Ontem, por exemplo, isso aconteceu diversas vezes na Globonews, quando os profissionais reconheciam, mais ou menos veladamente, a força do movimento.

De mais a mais, a repulsa ao governo usurpador e sua política de desmanche de direitos é tão grande que é bem provável que até mesmo atos criticáveis, como as depredações, sejam celebrados por parcela importante dos que estão sendo violentados, como uma legítima reação aos abusos que vem sofrendo. Afinal, tudo o que quer a maioria da população é simbolicamente traduzido pelo coveiro que ontem escreveu, na entrada do cemitério, a pérola “Entra Temer”, referindo-se, naturalmente, ao enterro das políticas de desconstrução das conquistas tão duramente alcançadas.

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Um exemplo de como escapa entre os dedos é o vídeo que posto a seguir. Trata-se do comentário da jornalista Graça Araújo, editora e âncora do Jornal do Meio Dia, da TV Jornal, afiliada do SBT em Pernambuco.

Graça tem luz própria e, obviamente, um grau de independência conquistado com sua popularidade e competência. Um contraponto na medida.

Mas é preciso dizer que a TV Jornal pertence ao grupo JCPM – tradução de João Carlos Paes Mendonça -, dono do Jornal do Commércio e da Rádio Jornal, e que navega muito além dos meios de comunicação neste quadrante do Nordeste e do Brasil.

Eis o vídeo, que bombou nas redes sociais e mereceu a observação de ninguém menos que Hildegard Angel, colunista social  carioca que não vendeu a alma à elite na qual circula: “Jornalismo verdade”, escreveu ela no Twitter.


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