Governo desdenha, mídia esconde, mas greve geral faz história

 

por Sulamita Esteliam

Ontem fui dormir com a alma lavada, e hoje acordei em estado de graça. A Greve Geral imobilizou 35 milhões de trabalhadores em todo o Brasil, e os atos públicos de celebração e protesto encheram as ruas das capitais e de cidades do interior do país com a energia da indignação.  O governo e a Câmara dos Deputados chamaram para a briga, pois é só o começo.

Por mais que a mídia venal e o desgoverno usurpador senil insistam em desconhecer e manipular, o povo sabe, pois experimentou e foi protagonista de uma das maiores greves de todos os tempos.  Em protesto contra a degola de seus direitos, sociais, trabalhistas, previdenciários. Em repúdio à demolição do futuro.

A presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff,  sempre alertou que o golpe que a destituiu não era contra o seu mandato, mas contra a democracia e os direitos sociais. Ela, que junto com o ex-presidente Lula, participou de ato em defesa da indústria naval, no Rio Grande do Sul, neste sábado, resume em nota publicada em seu sítio:

“Essa greve é símbolo de coragem. É um momento de esperança e resistência”.

Euzinha e meu pequeno núcleo familiar dissemos presente no ato público no Recife. Desde a concentração, na Praça do Derby até quase a dispersão, na Av. Guararapes, também na área central. Tudo na mais perfeita harmonia, com a PM se comportando como deve ser: garantir a segurança coletiva.

Pernambuco deu show do Litoral ao Sertão. O estado amanheceu com 32 pontos de bloqueios nas principais rodovias e em todos os acessos à capital. Recife acordou erma, com seus principais corredores de transportes, vazios e em silêncio incomum. Os ônibus não circularam e o metrô só correu nos horários de pico, por determinação judicial.

A CUT regional garante que foi o maior ato do Brasil, com 200 mil manifestantes. Exageros à parte, foi um dos maiores de que participei, desde o golpe. O percurso de cerca de 3 km foi percorrido em cerca de três horas. E os jornais locais, ao contrário das TVs no plano nacional, registraram o sucesso da greve e da passeata, sem questionamento.

Os bancos não funcionaram e o comércio, o pouco que abriu, ficou às moscas. Professores, rodoviários, trabalhadores dos Correios, metalúrgicos, funcionários públicos municipais, estaduais, federais, metroviários, trabalhadores rurais, polícia civil. O MST fez um belo trabalho no trancamento das rodovias, desde a madrugada.

As pessoas ficaram em casa até o início da tarde, quando aos milhares se dirigiram para o ponto de concentração definido pelos movimentos sindical e social – de carona, transporte alternativo, bicicleta, a pé.

Aí, sim, a cidade voltou a ganhar vida. Aconteceu no Recife, em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, em cada quadrante do Brasil. Lamentável que no Rio e em São Paulo, a violência policial, mais uma vez, tenha mostrado os dentes.

Beagá, minha Macondo de origem, também fez bonito, apesar da chuva, mas os jornais locais não deram a devida importância.

Indigna a postura dos jornalões que, se não puderam esconder a eficácia da greve, distorceram o conteúdo do movimento e das manifestações, focando no que chamam de “baderna” e “vandalismo”.

Há denúncias de que a mídia venal, sobretudo as TVs, fecharam um acordo para desvirtuar a cobertura. Jornalistas que atuam nas redações informaram que a expressão “greve geral” foi proibida.  A ordem foi concentrar a cobertura nos “tumultos  e badernas” em “pequenos grupos isolados” e, o movimento como se fosse ato de “sindicalistas”.

Ora, é no mínimo risível tal atitude. Não existe greve sem ação dos sindicatos, nem manifestação por geração espontânea. Todo movimento requer organização.

Greve é direito Constitucional, e embora nossa Carta Magna venha sendo violada, constantemente, ao bel prazer da casa-grande , na tentativa de retomar como oficial a escravidão, não cola a tentativa de impor ao trabalhador que defende seus direitos a pecha de “vagabundo”.

Motivo é o que não falta para confronto. Somos uma panela de pressão da qual se retirou a válvula de escape. Sorte, ou azar, é que a gente brasileira ainda é de paz, apesar de.

O Globo, em indigência deliberada, cravou: “Protesto das centrais afeta o trânsito e tem em violência”. O Estadão ecoou: “Manifestação contra reformas afeta as grandes cidades e termina em violência”. E a Folha sibilou: “Greve atinge transportes e escolas em dia de confronto”.

Uma vergonha escancarada internacionalmente. Um antijornalismo que não resiste à comparação com o que se faz pelo mundo, a despeito dos vícios próprios do setor. A imprensa global deu o merecido destaque à amplitude do movimento paredista.

O The New York Times, por exemplo, manchetou: “Greve contra o governo escandaloso de Michel Temer”.  O Le Monde resumiu: “Greve Histórica”, e agregou dossiê e resenha sobre o filme Brasil: O Grande Salto para Trás, objeto de postagem aqui no A Tal Mineira. A BBC: “Primeira Greve Geral em duas décadas”.

Queiram ou não queiram os juízes, os poderes constituídos só funcionam à base da pressão.

A greve geral é mais um passo para a chamada de consciência de que é preciso barrar a carroça desembestada de anulação de direitos duramente conquistados, da demolição da nossa soberania e da rapina ao patrimônio nacional.

É imperioso deter a camarilha que se autodenomina governo, que usurpou o poder e não tem legitimidade para guilhotinar o futuro do Brasil. E o caminho é a união de forças de que move esta nação, o povo brasileiro.

Confira abaixo algumas fotos do ato público e passeata no Recife.

Fotos do alto: Bárbara Esteliam, Beto Oliveira e SEsteliam

Fotos galeria: SEsteliam e Bárbara


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