O Brasil de Lula, o juiz e a lei

por Sulamita Esteliam

Tem razão Rodrigo Perez Oliveira, jovem professor Adjunto de Teoria da História e Historiografia Brasileira da Universidade Federal da Bahia: “O golpe quer ver Lula morto, não pelos seus erros, mas pelos seus acertos”.

Lula não está sozinho. Nem o professor, cujo texto compartilho mais abaixo.

Os acertos também foram a principal razão do golpe para colocar Dilma fora da Presidência da República.

Mas o professor, Rodrigo, que não conheço, diz que todos nós conhecemos os erros de Lula.

Afinal é o melhor presidente da República que o Brasil já teve, mas não é Deus. Então, “só quem tem o direito de julgar Lula é o povo, nas urnas”.

Aí, o xis da questão.

Se Lula agiu ao arrepio da lei, que provem e aí, sim, o julguem e o condenem.

Mas não há provas. Reviraram do avesso a vida do ex-presidente, não encontraram vírgula. Sigam o dinheiro, não é o mantra do investigador? Dinheiro não há.

Do ponto de vista material, Lula saiu da Presidência da República com o que entrou.

Você que odeia o Lula e o PT,  bateu panelas para derrubar a presidenta em quem você não votou.

Você que ama o justiceiro de Curitiba, e crê firmemente que ele é a salvação desde país, como nunca dantes apareceu alguém com missão tão nobre.

Você que se dispõe, inclusive, a pagar o pecado de desejar o pior para Lula, Dilma e todos os e os petralhas.

Ora direis, às favas com as provas.

Sim, há gente dessa natureza…  do tipo que reza de manhã à noite, papa hóstia, ou não fala uma palavra sem colocar Jesus e o adjetivo “abençoado” diante de qualquer ser humano a conquistar, ou a espantar.

São esses os dispostos a arder no fogo do inferno. Ora dirão: “Queimemos juntos, desde que eles morram e toda a sua raça seja extinta da face da Terra Brazilis!”.

Agora, me perdoem os crentes, mas há perguntinhas que não querem calar.

E que diabo de juiz, que se respeite, condena antecipadamente, por crença ou doença?

E que diabo de juiz, que se respeite, é conivente com vazamentos ilegais e delatores criminosos?

E que diabo de juiz, que se respeite, frequenta convescotes dos barões da mídia e se deixa fotografar ao lado de alvos de processos oriundos da mesma operação que julga?

Não, juiz que se respeite não compete com o réu, nem tem  “seguidores”, muito menos os convoca para essa ou aquela cruzada, via redes sociais.

Não, ninguém está acima da lei, nem o juiz.

Lula rebatizado com as águas do São Francisco, em Monteiro/PB – inauguração popular da Transposição – Foto: Ricardo Stuckert Filho

Transcrevo o texto do professor de Historia da UFBA. Recebi via zap-zap e conferi no FB. Euzinha, que sou escriba abusada, não faria melhor; o título é por minha conta, mas é frase do autor:

‘O Brasil de Lula é bonito demais’

por Rodrigo Perez – no Facebook

Meus amigos, vou contar uma coisa pra vocês: fico sorrindo que nem homem bobo apaixonado quando escuto o presidente Lula falar, meio irritado, com aquela linguinha presa:

“Ganhei dinheiro com palestra sim, e ainda digo mais: cobrava o preço do Bill Clinton. Ele não é o melhor que eu em nada.”

Lula é o símbolo desse novo Brasil, entendem?

De um país onde o pobre não é coitado, não fala manso, não depende da caridade do senhor de engenho.

No Brasil de Lula, o pobre tem autoestima, chega pisando forte, falando de igual pra igual com os leite com pera.

Lembram da Jéssica do filme? É aquela parada mesmo, daquele jeito:

– Mas Jéssica, você é muito topetuda, se acha melhor que os outros.

– Não me acho melhor não; só não sou pior.

Tão acompanhando?

No Brasil de Lula, o Bolsa Família chega na forma de cartão, com depósito em conta bancária. É impessoal.

Tudo é impessoal, sem depender da caridade de filho da puta nenhum.

É como se Lula tivesse falando pra Casa Grande: “enfiem a caridade cristã no bumbum, pois é o Estado quem deve amparar essas pessoas”.

O Bolsa Família não é caridade. O Bolsa Família é política pública, é o Estado cumprindo seu papel civilizatório.

O Bolsa Família é libertação, é continuidade da Lei Áurea.

O Bolsa Família transforma o miserável em pobre, traz o indigente pra luta de classes.

O Bolsa Família dá ao pobre o direito do veto, de dizer “não, não vou roçar o teu lote por vinte reais, não vou limpar a tua privada por comida e teto”.

O pobre vai falar “não”, sabem por que, amigos?

Porque o básico o Estado dá, e tem que dar mesmo. Ninguém pode depender de outro alguém pra comer.

Que porra é essa? Que merda de mundo é esse?

No Brasil de Lula, o pobre faz curso técnico, entra na universidade, é beneficiado por cota.

No Brasil de Lula, o pobre faz mestrado e doutorado, vira exemplo pros irmãos, pros primos, pros vizinhos.

Geral passa a querer estudar na universidade também.

Entendem?

Basta um para que os outros comecem a desejar.

É isso: o direito de desejar.

A revolução de Lula é ampliação dos horizontes, é invenção de desejo.

Desejo de conforto material, desejo de ascensão social, desejo de consumo.

É isso mesmo: CON-SU-MO.

Consumo, desejo, fetiche, conforto.

Só quem pôde consumir desde sempre acha que isso não é importante.

O esquerdinha leite com pera fica lá, assistindo guerra nas estrelas, ouvindo banda de rock irlandês no smartphone, no quartinho na casa dos pais, com trinta anos e sem ter registro no PIS, dizendo “Lula inseriu pelo consumo, isso é pouco”.

Te enxerga, playboy! Te situa no mundo, vacilão!

No Brasil de Lula, a senzala estuda medicina, e com direito a cabelo black, todo trabalhado nos arrepio.

O Brasil de Lula é bonito demais.

Lula é muito bonito. Eu acho.

Não se enganem, meus amigos, o golpe quer ver Lula morto não pelos seus erros. Os erros de Lula todos nós conhecemos, e só o povo brasileiro, nas urnas, pode julgá-lo.

O golpe quer ver Lula morto pelos seus acertos.

*******

Postagem revista e atualizada dia 09.05.2017, às 17:19h: correção de palavras repetidas e erros de digitação e ortografia em diferentes parágrafos. Com minhas desculpas.


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