O povo nas ruas clama: quero meu país de volta!

por Sulamita Esteliam

Não consegui ir a Olinda para a manifestação por #DiretasJá, puxada pelo bloco carnavalesco Eu Acho é Pouco e seu dragão articulado vermelho e amarelo que, desde o Carnaval, grita #ForaTemer. No domingo é a vez do Recife, e estarei lá, no Cais da Alfândega – é de 14:00 às 22:00 horas.

Personagem conhecido do carnaval olindense e também do Recife, tornou-se símbolo dos protestos de rua em defesa da democracia e contra o impeachment fraudulento da presidenta Dilma. Também é figura  carimbada nas manifestações contra a degola dos direitos sociais, previdenciários e trabalhista.

A exemplo de São Paulo, que reuniu milhares no Largo do Batata, em celebração cultural pelo direito à soberania popular e pelo #ForaTemer, também liderada por blocos carnavalesco, os pernambucanos uniram o útil ao agradável.

Meu amigo Ruy Sarinho, jornalista e homem do rádio, me enviou as fotos pelo zap-zap ontem à noite, com o comentário:

“Hoje à tardinha tinha um drone sobrevoando a Praça da Abolição (Preguiça), na saído do Eu Acho é Pouco pelo Fora, Temer – Diretas, Já! Deve ter sido da GloboNojoGolpe, cujos repórteres não podem mostrar a cara, senão são enxotados pela população pensante. Plim-Plim!!! Eu acho é pouco.”

As pessoas começaram a chegar pouco depois das 14 horas. O que era pouca gente, como se pode ver pelas fotos, tornou-se uma multidão no início da noite. Ruy está convicto de que o movimento em Olinda só tende a engrossar.

“Creio que da próxima vez não saikrá apenas o Eu Acho É Pouco! Outros blocos e troças vão engordar o cordão. Foi carnaval na tarde deste domingo pelas ladeiras de Olinda. Lindo. Criança, velho, ovem, coroa, tinha tudo que é gente.”

Bom lembrar que na contagiante, mas frustrada, campanha pelas diretas nos anos 80, as manifestações, ainda com poucas pessoas, começou por Pernambuco, ainda em março de 1983, no 31 de março em que os militares celebravam o golpe. Iniciativa provocadora de vereadores em Abreu e Lima, Grande Recife.

Meses depois, em agosto, a população iria às ruas em várias cidades do estado, inclusive Olinda, onde 5 mil pessoas se posicionaram: “Quero Votar para Presidente”.  Nada mal quando se compara que a maior cidade do Brasil, São Paulo, juntou 15 mil pessoas em ato em novembro daquele mesmo ano.

A campanha pelas DiretasJá foi acumulando forças, gradativamente se espalhando pelos sete cantos do Brasil. Apesar de a mídia, sobretudo a Globo, esconder o movimento, enquanto pôde. Em janeiro de 1984, eram 30 mil em Olinda, 40 mil em Curitiba e 300 mil em São Paulo.

Foi só a partir daí que a Folha de SP, que havia sido linha auxiliar da repressão militar – emprestando seus veículos de distribuição para a desova de torturados -, engajou-se na campanha, com direito a selo e tarja verde-amarela na cobertura dos comícios.

Um mês depois, Beagá botou 300 mil na Praça da Rodoviária – Euzinha estava lá, na cobertura para o Diário do Comércio – para chegar a l milhão no Rio de Janeiro logo em seguida.

A última manifestação, novamente em São Paulo,  reuniu 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhagabaú, em abril, uma semana antes da votação da Emenda Dante de Oliveira pela Câmara dos Deputados, que não passou.

Não sabemos no que vai resultar a campanha de agora.

O que sabemos é que o STF continua a fingir-se de morto. Não toma conhecimento do terremoto que assola o país e que somente a Corte Suprema pode acelerar o desfecho. Basta votar o mandato de segurança que pede a anulação da fraude do impeachment de Dilma Rousseff.

Mas, como, você há de se perguntar, se o Supremo é parte da trama!? Ora, é oportunidade única para resgatar sua credibilidade.

Todavia, Joaquim de Carvalho, no DCM, vai em outra direção para apontar que é justo pelo STF que o usurpador deve ser apeado do poder ao qual se agarra com tanto afinco.

Segundo entende o colega, “(…) o desfecho da crise pode estar muito mais próximo do que se imagina e pode não depender da vontade dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral no julgamento da chapa Dilma-Temer”, que deve começar nesta terça-feira.

Refere-se à possibilidade de a PGR, a partir da prisão do Rocha Loures – “manus longa” do mordomo  -, concluir o inquérito policial contra o usurpador e oferecer denúncia de modo a enquadrá-lo em crime comum, a ser julgado pelo Supremo, sem a participação dos parlamentares.

Mas aí depende de autorização da Câmara, por maioria de 2/3, para o processo ir adiante. E é justo nesse ponto que a cobra vai fumar. Ou os deputados devolvem o Brasil aos brasileiros, ou se arriscam a morrer engasgados com a lama em que charfundam junto com o Planalto.

O que se sabe, também, é que a Globo e os plutocratas a que representa trabalham para a queda do mordomo usurpador, mas se empenham, por outro lado, em que a sucessão se dê pela via indireta. É questão de achar quem vão colocar no lugar.

Ou o golpe, em sua finalidade de fazer o serviço sujo ao bel prazer do deus mercado, e do desespero dos trabalhadores e dos menos favorecidos, não se consolidará.

À noite, o Largo do Batata em São Paulo estava assim – Fotos SP: Mídia Ninja e UJS

É como escreve Fernando Brito, no Tijolaço:

“Dentro da “moral” e da “lei” destroem-se os empregos, o Estado, a economia, o futuro ergue-se a ordem do atraso, da carência, da desesperança.

Somos um país governado por bandidos, à espera que seus cúmplices os delatem.

Os que pedimos eleições somos apontados por eles como golpistas e violadores das leis.”

Oh, meu Brasil!

 

 

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Postagem atualizada às 21:35h: inclusão do ato pelas diretas no Recife.


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