Lula, Moro e a síndrome da carência de holofotes

“Não tenho o direito de desanimar. Um cara que sai de Garanhuns pra não morrer de fome e vira presidente. O que eu quero mais da vida?”
“Acharam (conta no exterior) do Serra, do Aécio. Por que não acharam a minha? Eles não estão julgando o Lula, estão julgando um jeito de governar.”
“Nem o velho Prestes sofreu o massacre que sofro todo santo dia.”

Luiz Inácio Lula da Silva, no programa Na Sala do Zé, nesta quarta, 20, transmitido ao vivo no Canal do Trajano no Youtube

por Sulamita Esteliam

Na concentração para o ato público pela Democracia, em defesa do Lula e dos nossos direitos de cidadania, logo cedo, no Parque 13 de Maio, no Recife, topo com um amigo dos tempos em que assessorava o movimento sindical. Artista performático dos melhores que há na terra dos melhores, foi logo dizendo:

– Menina, descobri qual é o problema do Moro com o Lula, além de limpar a trilha para os tucanos poderem voar baixo e defecar à vontade…!

– É mesmo, e qual é!?

– Pavonice.

– Faz sentido.

– O bofe não suporta o Lula conseguir ser o centro das atenções. A ribalta é dele, e ninguém, muito menos o Lula, tasca.

Pronto, eis o diagnóstico, segundo o meu amigo: síndrome de abstinência dos holofotes. Ou bem que pode ser medo de sombra, como traduz à perfeição a charge do querido Aroeira.

De fato, o justiceiro andava meio fora de foco, com o protagonismo do Janot-PGR em sua ânsia de passar à História, como um homem de moral… tal e qual os herdeiros do Marinho e seus comparsas amestrados.

E aí o Moro tratou de dosar as maldades contra o ex-presidente para garantir a atenção das manchetes da mídia venal, a celebração dos bate-paus da direita e os protestos dos ativistas da esquerda.

Conseguiu.

Um dia, a condenação a nove anos e meio, sem provas. Outro dia a negação do recurso da defesa, admitindo que o caso do triplex, que não é do Lula, não se vincula ao processo investigado pela Lava Jato, operação que ele, justiceiro de primeira instância, coordena para os despossuídos de fórum privilegiado.

No outro confisca todos os bens do ex-presidente, fora da sentença, inclusive a aposentadoria e, condenando-o a morrer à míngua, caso não obtenha a suspensão judicial da ilegalidade. O recurso já está encaminhado.

E para garantir agenda futura, um dia depois, bloqueia também os planos de previdência privada – o pessoal,onde teria guardado o dinheiro das palestras,  e o pessoa jurídica, da LLIS, empresa que administra as palestras do ex-presidente. E anuncia data para novo depoimento de Lula, em outro processo que está em suas mãos: 13 de setembro.

“Chicana”, como bem define o procurador federal aposentado e ex-ministro da Justiça do governo Dilma, Eugênio Aragão, é pouco. “É escárnio”, resume a presidenta legítima.

Digo que das três, uma, já que vaidade apenas, perdoa-me o amigo pernambucano, ou ruindade em estado puro, que ninguém desfruta, não pode explicar tamanha aberração – do ponto de vista jurídico, humano e até mesmo político:

  1. psicose, que requer tratamento urgente, e desconfio que os Estados Unidos é bom lugar para ele se tratar, e o fará, mais dia menos dia, nem que seja sob a desculpa de que vai aprofundar seus estudos sobre tortura;
  2. cansaço da vida de carrasco, e aí enterra sua reputação, que não é lá essas coisas, na lambança ampla, geral e restrita das instituições; ou, por outra, sabedor da inocência do réu, fornece todos os meios para anular  sua sentença absurda, porque desprovida de fundamento, e o confisco ilegal, tarefa para instâncias superiores;
  3. agente duplo, que se apresenta como tucano, mas na verdade trabalha para Lula, em campanha antecipada, o que é vedado a atores do serviço público de qualquer natureza.

O próprio Moro se encarrega de mostrar que o ex-presidente é vítima de sua perseguição implacável. Sim, porque o que conseguiu até agora, foi provar, negando, que Lula não apenas é inocente, como honesto.

Em 12 anos de passagem pela Presidência da República, e mais outros cinco palestrando mundo afora, a convite de universidades e governos, amealhar apenas R$ 606 mil, dois carros usados e manter os mesmos imóveis de quando assumiu, e tudo declarado ao fisco, é brincadeira.

Ou, como diz o próprio Lula em sua primeira entrevista após o congelamento de seus bens, no programa Sala do Zé, no canal do jornalista José Trajano no Youtube, nesta quarta, 20, dia nacional de protestos contra o arbítrio jurídico, político e social:

“Eu estou como o técnico do Corinthians, cada jogo é um jogo. Em algum momento vai se fazer justiça.”

Assista ao vídeo

 

 

Fotos: captura de tela

 


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