Justiça reflete a sociedade de castas e uma elite sádica

Charge capturada no Conversa Afiada
por Sulamita Esteliam

A sociedade brasileira é feita de castas. Se fosse o Brasil fosse a Índia, a Maria e o Zé Povinho pertenceriam aos “intocáveis”, que são nada mais nada menos do que o oposto ao que a palavra em português sugere; é a ralé, no lombo da qual só cabe o toque da chibata.

Claro que a divisão de classes não é exclusividade nossa, é própria do mundo capitalista – e não apenas. Ocorre que temos uma elite predadora e uma classe média com profundo complexo de vira-latas, que, como observa o colega Paulo Henrique Amorim, em comentário recente na TV Afiada, se presta a ser “a chibada da casa-grande”, e com prazer.

O exercício do umbigo a revelar sadismo. E que se reflete nas posturas da casta das castas, encrustada no sistema de Justiça.

Sob o escudo da lei, juízes e promotores exercem um poder de vida e de morte sobre os cidadãos reles mortais. A interpretação, normalmente, se molda ao freguês.

É voz corrente que justiça no Brasil se dá em cima de três pês: pobres, pretos e prostitutas. Tem um quarto pê, quando se trata de políticos: petistas.

Vem de antanho, e sobram exemplos nos dias atuais.

As estatísticas do sistema carcerário brasileiro estão aí para não nos deixarmos iludir: 622 mil presos, 61,6% negros; 56% jovens. Temos a quarta maior população carcerária do mundo, e dois em cada três presos são negros.

Não é mera coincidência, conforme anota rep0rtagem do coletivo Jornalistas Livres. A lembrar que 48% dos presos tem pena de até oito anos, quando quase 19% deles poderiam ser enquadrados em penas alternativas.

Sem falar do alto índice de encarcerados sem julgamento e dos 80 milhões de processos que dormitam nas gavetas do sistema judiciário, o mesmo que consome R$ 48 bilhões mensais das burras da viúva; tão somente com pagamento de juízes.

É “o Brasil das diferenças”, descrito com simples objetividade, e toda a gentileza que emana de seu jeito de reportar, o colega Caco Barcelos, jornalista e escritor, do Profissão Repórter, programa que ancora na Rede Globo Golpista.

Caco esteve em Belo Horizonte na penúltima semana de agosto, e falou a gestores de rede privada nacional de Educação, nascida mineira.

Foi curioso observar a reação da plateia enquanto ele descrevia o significado de “bandido bom é bandido morto”, apregoado por colegas dos programas policiais, bordão repetido nas ruas, não só pela classe média umbilical.

Em apenas 25% dos homicídios praticados no País, as vítimas são bandidos; 75% são favelados, negros – e jovens de até 29 anos, conforme o Mapa da Violência no Brasil.

Execuções em sua maioria, boa parte delas pelas mãos de agentes do Estado que deveria proteger seus cidadãos.

O jornalista lembrou casos de assassinatos na classe média, cujos algozes são da mesma casta: o da menina Isabela Nardoni, filha e neta de advogados, jogada da janela pela madrasta também advogada, com a cumplicidade do pai. Assassinos defendidos pelo avô. Só a mãe chorou a morte da filha.

Resgatou, também, o caso da jornalista Sandra Gomide, morta pelo colega, chefe e namorado Pimenta Neves, libertado ano passado “por bom comportamento”. O tempo que ele passou na cadeia foi menor do que o Ministério Público levou tentando fazer justiça.

Em qualquer dos casos, observou Barcelos, não se ouviu ninguém pregar que “bandido bom é bandido morto”.

O Brasil das diferenças possui uma Justiça de classes, de circunstâncias e conveniências.

Pegue o exemplo do helicoca –  eita, helicóptero -, de um certo senador mineiro. Foi apreendido com 450 quilos de cocaína em terreno da fazenda de outro senador das Gerais, com lustros da TFM. Quem se danou foi o piloto.

Agora compare com o destino de Rafael Braga, o rapaz preso com dois fracos de desinfetantes nas manifestações de junho de 2013, no Rio de Janeiro. Sim, aquelas mesmas que inspiraram a plutocracia a plantar o golpe de Estado. Foi acusado de carregar artefatos para construir bomba artesanal.

Condenado a 5 anos e meio, teve sua condicional suspensa e terminou novamente acusado e condenado a 11 anos por tráfico de drogas. Sua defesa  e testemunhas asseguram que as drogas foram plantadas por policiais da UPP que o prenderam.

Este ano, mesmo tuberculoso, a Justiça negou o terceiro habbeas corpus, ao jovem, desta vez para tratamento fora da prisão, onde há surto da doença.

Rafael é pobre, preto e favelado, e já foi morador de rua.

Se fosse filho de desembargadora, poderia carregar toneladas de drogas e até balas de fuzis, que seria liberado para tratar seu vício ou uma síndrome qualquer em clínica especializada.

E não é somente esta reles e velha escriba, ranheta e ciosa dos direitos humanos quem o diz. Deixo você com o doutor Dráuzio Varella, autor de Carandiru:

 


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