Educação liberta e resulta em troca permanente de saberes, nos ensina Paulo Freire

por Sulamita Esteliam

Domingo foi Dia de celebrar a professora e o professor, como todo 15 de outubro. Estava com acesso precário à internet e mesmo à rede telefônica móvel, que se multiplicam em quantidade, continuam, uma e outra, com qualidade abaixo do sofrível, mesmo nos grandes centro. Artes e maravilhas da privatização do patrimônio público.

Para não passar em branco, e provocar mal-entendidos sobre o respeito que devoto a quem nos ensina a navegar, já à noitinha, ao voltar para casa, postei a ilustração que repito aqui, agora. Resume à perfeição o que é ser professor@: abrir as janelas do mundo de crianças, adolescentes e adultos para a amplidão da vida.

Afinal, todo dia é dia de manifestar nosso respeito à professora e ao professor.

A professora Lola Aronovich, doutora em Literatura de Língua Inglesa pela UFSC, feminista e blogueira, e mestra na UFC, posta em seu blogue Escreva, Lola, Escreva, nota sobre esse entendimento.

Inspira-se no grande mestre Paulo Freire, um mais respeitados do mundo, que o obscurantismo quer varrer das nossas escolas, porque sua pedagogia fala à essência e à identidade cultural de cada um.

Parece mentira que uma parte da população brasileira apoie esse tipo de retrocesso. Se restar memória no futuro, há de causar espanto e engulhos a constatação de que partiu de jovem, e mulher – e observem o nivel neste link -, a inciativa de um abaixo assinado com tal despropósito. Pior, que 21 mil pessoas tenham aderido à bizarrice, para dizer o mínimo.

É fundamental reverenciar o pernambucano Paulo Freire, cidadão universal, neste momento. Manter vivos seus ensinamentos que nos conduzem do umbigo para o universo coletivo, solidário, construtivo, onde não há lugar para intolerância e qualquer tipo de dominação:

 

Lola confessa seu orgulho em ser professora, e lembra que “hoje, mais do que nunca é tempo de resistir, de se posicionar”, e observa:

“Sei que estamos sendo perseguidos. São tempos perigosos.”

“Menos Frota (Alexandre, o ator pornô, precussor da escola sem partido), pelamor, e mais Freire.”

A educação que liberta, a arte que ilumina, a cultura que dá pertencimento, a comunicação como direito humano são alicérceres de inclusão, de dignidade, de solidariedade, de cidadania.

Daí que no país do golpe em estado permanente se queira emparedar o pensamento em ignorâncias do tipo “escola sem partido” e sem discussão de gênero, por exemplo.

Em contrapartida, com o auxílio luxuoso da Corte Suprema, agora se pode levar de volta às salas de aula o ensino religioso dogmático.

Isso sem falar no aviltamento salarial e das condições de trabalho de quem tem na educação sua escolha profissional, sobretudo na escola fundamental e no ensino médio, especialmente na área pública.

É como bem lembra o colega Leonardo Sakamoto, que é cientista político, em postagem recente em seu blogue:

“Infelizmente, uma mudança estrutural na educação causa calafrio em muita gente que, na dúvida, prefere um país sem futuro do que um futuro que não possam mais controlar…. “

A propósito, importante nesse contexto, trazer luz sobre a falsa polêmica em torno da discussão de gênero. Professores da UFMG gravaram vídeos sobre o mote #NãoÉIdeologia.

Contrapõem-se à onda de atraso que se dissemina no parlamento, nas igrejas, nas escolas, via mídia venal e mídias dirigidas e via redes sociais.

Reproduzo quatro, da professora Marlise Matos, de quem acredito seja a iniciativa, por favorecerem a compreensão mais direta a respeito da discussão de gênero nas escolas, em casa, na mesa do bar…

      1. Gênero e desigualdade

 

2. Gênero é ciência

 

3. Identidade de gênero não se aprende na escola 

 

4. Gênero, golpe e democracia

 

Fecho com dois vídeos produzidos pelo Sind-UTE de Minas Gerais. Uma linda homenagem, que começa pela chamada das 10 crianças de 4 a 6 anos, e da professora Helen que morreram vítimas de queimaduras, provocadas por uma celerado, na tragédia recente em Janaúba, norte do Estado.

 

 

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Postagem revista e atualizada em 18.10.2017, 19:51h, hora do Recife: correção do nome do ator pornô, baluarte da “escola sem partido”: Alexandre Frota, não Marcos; correção do acesso ao terceiro dos quatro vídeos sobre identidade de gênero.


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