Dilma e Aécio, fome, encruzilhadas e malabarismos

A tradução precisa de Aroeira, há pouco mais de um ano
por Sulamita Esteliam

É curioso observar as encruzilhadas da política, ou seria o Universo malabarista em conspiração permanente? Para o bem ou para o mal…

No dia em que a defesa da presidenta da República, Dilma Rousseff, a legítima, resolve cobrar da Suprema Corte o julgamento do mandato de segurança que anula a fraude do impeachment, e portanto o golpe parlamentar-jurídico-midiático que a depôs.

Exatamente neste dia, o Senado recusa a medida cautelar definida pelo STF para o detonador do golpe, e devolve-lhe o mandato. Eram preciso 41 votos, obteve 44 a 26; nove senadores ausentes, sete deles em viagem oficial.

Voto aberto, sem pudor, de cara lavada. E faz isso “em nome da Constituição”, que, no Brasil desses tempos, serve a propósitos gregos e troianos, e nada civilizatórios.

Serve para caçar Delcídio Amaral (PT), por alegação de tentativa de obstrução de Justiça.

Serve para impichar Dilma sem crime de responsabilidade, com votos comprados por um milhão de reais, segundo o X-9 da vez.

Serve para livrar o Aécio, em nome da “independência dos poderes”.

Interdependência. Compradrio. Baile de máscaras. Caiu!

O doleiro Lucio Funaro garantiu o troco,  ele que até as areias do Leblon sempre souberam que opera proprina do Eduardo Cunha (PMDB); até ser preso, lugar-tenente no Parlamento, e dos artuculadores das operações de risco, do mordomo usurpador da Presidência da República.

Há quem creia que seja o contrário. De qualquer forja, esta é a dupla que manda – naturalmente, com o auxílio luxuoso da saga inquisitória do justiceiro Moro e seus miquinhos adestrados do Ministério Público.

AhÉCim, o Brasil e o mundo sabem, foi flagrado tungando 2 milhões do açogueiro-mór do JBS, dentre outras peripécias bem ao seu estilo, ao longo de seus “30 anos de vida pública”. Ele diz, para variar, que é vítima de uma “trama ardilosamente construída”.

De ardil, ele certamente conhece, ou pensa que… O cérebro sempre foi a irmã, Andréa. Sem ela, perde a eficácia.

No golpe em estado permanente, AhÉCim cumpre o papel de bode na sala, devo concordar com o Fernando Brito. Antes mesmo do resultado, o colega tratou no Tijolaço da irrelevância do resultado provável no Senado esta noite:

“Aécio é um fantasma, não tem mais serventia para a direita. (…) A cassação de Aécio servirá – como serviria o improvável afastamento de Temer – apenas, para que ele desapareça de cena e “limpe a cara” de seus cúmplices. (…) Ele está morto, ainda que possa deambular pelos corredores acarpetados do Senado.”

Pulo, a bem da qualidade do meu sono.

Mas está difícil.

O 17 de outubro celebra o Dia da Música Popular Brasileira, por que nesse dia, em 1847, nasceu no Rio Chiquinha Gonzaga, nossa primeira compositora.

Nada mais adequado do que parir uma filha nesse dia, e Euzinha o fiz: Carol aí está, bailando com energia, e às vezes com a leveza que a ocasião exige, ao som e ritmo da vida. O Universo, no caso, é bom cúmplice.

O 17 de outubro é, também, Dia Internacional para a Erradicação da Miséria. Em 1987, o polaco Joseph Wresinski, padre, convidou e reuniu cem mil pessoas dos sete cantos do mundo para celebrar, em Paris, o primeiro Dia Mundial para a Erradicação da Miséria. Deu-se na Praça dos Direitos Humanos e da Liberdade, onde em 1948 se assinou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em 1992, a ONU definiu a data e seus princípios numa carta. Pilares que já andaram mais próximos de serem alcançados. A fome grassa no mundo, sobretudo atinge crianças.

Infelizmente, no Brasil, que caminhava para a erradicação, volta a assolar nossa gente aflita.

É só abrir os olhos ao andar nas ruas e calçadas das nossas cidades. A miséria ronda novamente, e quem apoiou o golpe pode até fingir-se de égua, mas tem seus pés e mãos nessa ponte para o abismo pantanoso.

Massa de manobra é outro nome para patos infláveis e milhões de Cunha. Equivocados, mas não inocentes.

Assim, com Supremo, com tudo…

De nossa parte, havemos sempre de lembrar que  Dilma Rousseff, honesta, caiu por que se recusou a fazer parte da lambança.

“A presidenta da República foi derrubada por um criminoso, que está preso, e que extorquiu dinheiro de empresários para comprar deputados que votassem num impeachment fraudulento”, destaca a nota de José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma Rousseff.

“Impeachment comprado tem que ser anulado.”

Pois, este A Tal Mineira,  concorda plenamente.

A ver o que o STF faz com isso.

 

 

 

 

 

 

 

 


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