Quando o inaceitável prevalece, só a arte consola

por Sulamita Esteliam

A gente bem que tenta escapar, mas prevalece o inaceitável a desgovernar o País. Transforma a Nação, a partir do que deveria ser a casa do povo, em penico particular – como tão bem traduz o genial Aroeira.

Ontem, quero dizer, quarta-feira, 25 de outubro do ano de 2017, o destino do Brasil já estava decidido matematicamente pela votação na Câmara dos Deputados (vídeo ao fim da postagem), quando entrei no chuveiro para uma ducha rápida, pois tinha compromisso à noite.

Duplo compromisso: com a arte e com a amizade.

Eis porque não atualizei o blogue nem fui para a rua assistir mais um capítulo do desastre cada vez mais brochante das instituições nacionais, políticas e políticas, tão bem representada pela máfia golpista que usurpou o poder e nada de braçada com o dinheiro público e a vergonha nacional.

Com o Supremo, com tudo.

Fiz de propósito: há dias em que o fígado só sossega com uma boa dose de bom gosto, completada por uma cerveja bem gelada e um papo agradável. Euzinha e minha amiga pernambucana Mereh, que está de férias, nos divertimos à beça juntas.

Vimos uma apresentação de coereografias do Festival Internacional de Danças do Recife – tango, sapateado, dança de salão, frevo, bumba meu boi.

Tradicionalmente, o festival que está em sua 22ª edição, sempre em outubro – este ano de 17 a 29 -, exibe atrações de alto nível técnico e artístico. Constitui-se, assim, numa vitrine para os profissionais da área – locais, nacionais e internacionais.

Além dos espetáculos, oferece oficinas de ritmos e passos vários, em diferentes cantos da cidade, periferia incluída.

E não é diferente desta vez. Uma programação vasta, multifacetada, descentralizada e com acesso democrático, também no preço; ingresso a R$ 10, inteira; as oficinas são gratuitas.

Não obstante, a divulgação, nos últimos anos sobretudo,  tem sido uma lástima. Para se ter ideia, a última página do festival nas redes sociais data de 2015, quando esteve aqui, dentre outros convidados, o grupo mineiro Corpo, celebrando 50 anos.

E a ocupação das casas de espetáculo reflete o descaso. Noite passada, por exemplo, menos de um terço dos quase 600 lugares do Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, estavam ocupados.  E a maioria era de gente do mundo da dança.

É um desperdício de esforço e talento para muito pouca gente, o que acaba perdendo o objetivo do projeto que é democratizar o acesso à arte.

Magistral a apresentação de dança do ventre do conterrâneo Igor Kishka, convidado também a ministrar oficinas.  Há outro grupo mineiro na programação do Santa Isabel: a Cia Mario Nascimento, com seu premiadíssimo espetáculo Território Nu, que abriu a programação do festival.

No Luiz Mendonça, gostei muito, também, da apresentação das meninas da Cia Carol Lemos de Sapateado, em perfeita sintonia.

A criatividade da Catarinada (bumba meu boi de personagem única) é um elixir para a alma. E, claro. a Cia do Frevo, que sempre arrasa, e me deixa com aquela inveja boa de jamais ter tido joelhos e destreza, nem mais idade para adquirir um e outros, para ir além de três ou quatro das centenas que a dança possibilita.

Bom, infelizmente não tenho um vídeo para mostrar, porque a carga do meu celular estava no limite, e só pude fotografar, ainda assim ligeiramente (acima). E quando falo de divulgação, não localizei nem o espetáculo de abertura no Youtube. Dureza.

Retratos, tristes, do Brasil desses tempos; até quando se procura alívio na cultura e nos prazeres da vida.

Manter-me-ei desagradável, já que prevalece o inaceitável. #TemerÉInaceitável

Fecho com o vídeo-análise da TV Afiada sobre os acontecimentos de ontem em torno do desgoverno, o mordomo e a camarilha:

 


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