Belo Horizonte, metáfora e pleonasmo

por Sulamita Esteliam

Minha Macondo de origem está ficando velhinha. Acaba de completar 120 anos neste 12 dezembro.

Perto da minha Macondo de coração, Recife, que em menos de 20 anos bate cinco séculos, porém, acaba de adolescer.

Meus olhares sobre Belo Horizonte se encontram no mundaréu de gente que a habita, e palpita, nos morros e no asfalto.

Do oeste, onde vicejei, ao centro, leste, sul, norte. Dos botecos, praças, parques e museus. Das ruas que gritam e amortecem em suas bem traçadas linhas.

Belo Horizonte é uma metáfora e um pleonasmo.

Olhares que se perdem até onde a vista alcança nesse quase sempre belo horizonte.

Curvam-se em ladeiras que renovam e tiram o fôlego.

Olhares que esbarram na Serra que lhe serve de Curral, outrora Del Rey.

Belo Horizonte cordial e agreste, bela e feroz, recatada e bandoleira.

Beagá é sonho e pesadelo para seu povo que vai e quer ficar, que volta e quer fugir sem perder o lugar.

Uma gente  que brinca de ócio nas praças mil, que, malgrado ultrapassem o cinturão que a contorna, e adorna, e não alcançam a periferia que a questiona.

Cidades são como gente, um vaivém em constante mutação.

Cidades não se comparam.

Mas se Beagá tivesse mar, não seria uma cidade, seria uma perdição.

 

Fotos: SEsteliam, exceto as duas que fecham o mosaico, que são de Foca Lisboa/UFMG

 

 

 

 


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