O motor do golpe segue alimentado

por Sulamita Esteliam

Oportuno resgate do amigo jornalista, Marcos Barreto, em grupo mineiro de que participo. Trata-se da entrevista do diretor estadunidense, Oliver Stone, ao jornalista Maurício Stycer, colunista da Uol, quando veio ao Brasil divulgar o filme Snowden, nos idos de novembro de 2016.

Guardei para uso oportuno, e eis que é chegada a hora. Um boa reflexão para iniciar a segunda semana do ano em que temos a tarefa de mudar o rumo deste país.

A notícia da liminar que suspende a nomeação e posse da nova ministra do Trabalho do desgoverno do mordomo usurpador, a filha de Jefferson, o amoral, me remeteu a um trecho da entrevista, não destacado pela mídia venal à época. Mesmo em matérias aparentemente bem-intencionadas.

É logo no início, quando o Stone usa da ironia para responder à pergunta debochada do jornalista, com direito a caras e bocas, e, ao fazê-lo, clareia uma obviedade: não existe almoço grátis. A questão é saber, quem paga e com que meios.

“- O seu filme recebeu o nome de Snowden, apenas. Mas aqui no Brasil recebeu um subtítulo, com uma pergunta: “Herói ou traidor” O que o senhor achou?

– Não gosto. É meio brega. Mas a Disney quis. (risos) Acho que muita gente acha que ele é traidor. Mas nenhum traidor, que eu conheça, dá informação de graça.”

Que dirá cargos.

A entrevista é preciosa para futucar o abissal complexo de vira-latas do brasileiro, sobretudo o de raciocínio e comportamento classe média. É espantoso que um estrangeiro consiga enxergar o que essa turma sequer vislumbra, ou se negue a admitir.

– Você foi feito de palhaço, meu caro, de otária, minha cara. Sorry!

É o caso de dizer, helôÔ! Acorda, patativa!

Mas Stone diz muito mais. Em tom meio blasê, diz que Snowden é um funcionário público exemplar, um escoteiro. O vazamento vem para mostrar ao mundo que os Estados Unidos se vale da espionagem indevida de líderes mundiais, a presidenta Dilma, inclusive, para interferir no processo político dos países, para atender aos próprios interesses.

“- Se você falar com o seu presidente, como é o nome dele, Temer? Ele não foi legalmente eleito, mas está lá. Eu acho que Dilma era um problema para eles. Ela era um alvo de vigilância…  (dos EUA). O envolvimento dela com a Petrobras… Quem sabe o que eles descobriram? Mas não conseguiram nada contra ela. A pegaram com uma acusação ridícula, uma acusação menor, e conseguiram o impeachment dela. E colocaram no lugar gente que não foi eleita. É verdadeiramente a definição de um golpe de Estado. E os Estados Unidos apoiaram, eles reconheceram o novo governo imediatamente.”

E, mais adiante:

“Eles (os EUA) estavam vigiando a Dilma, assim como muitos outros líderes. Essa informação vai para algum lugar, não fica lá guardada. É usada para destruir, mudar governos, grandes empresas, a Petrobras, empresas petrolíferas na Venezuela… Isso pode levar à guerra. Imagine: trata-se de um aliado seu. Como fica o Brasil? O “vírus” americano está aqui, nas suas estruturas e vocês não devem saber onde exatamente. Eu gostaria de saber o que os líderes mundias sabem sobre o chamado aliado (…)”

Eis o vídeo:

A propósito do que move o golpe, circula pela rede um resumo pueril, mas interessante, do processo que apeou Dilma Rousseff Presidência da República e jogou o Brasil no pântano. É atribuído a um certo Urias Rocha, que desconheço.

Começa por lembrar que a presidenta Dilma, a legítima, foi inocentada em todas as acusações que lhe imputaram e que poderiam, se confirmadas, configurar “ato de ofício” e, portanto, crime de responsabilidade a subsidiar o impeachment: compra de Pasadena (TCU), obstrução da Lava Jato (PF), dinheiro no exterior (MPF), abuso de poder  (TSE) e as próprias pedaladas fiscais (MPF).

E prossegue listando os interesses que, no exercício do cargo, Dilma contrariou e que gerou a concertação que lhe garfou o posto.

Transcrevo, com alguns ajustes, pois vem a calhar:

De onde nasceu o ódio

  1. Dilma vetou reajuste de 40% nos salários do Poder Judiciário.
  2. Dilma vetou a reforma trabalhista e a aprovação da lei da terceirização, desagradando o empresariado.
  3. Dilma vetou o financiamento privado da campanha eleitoral ao sancionar o projeto aprovado pelo Congresso Nacional.
  4. Dilma não interferiu na investigações da PF sobre os “malfeitos” – “Não vai ficar pedra sobre pedra…”, repetiu à exaustão.
  5. Dilma se recusou a negociar com Cunha, que presidia a Câmara e mantinha 300 deputados no bolso. Não cedeu às suas chantagens em troca de apoio.
  6. Dilma insistiu em dar à Petrobras a primazia da exploração dos recursos do Pré-sal e a destiná-los para a educação.
  7. Dilma preservou o que restava do patrimônio público nacional.
  8. Dilma não perdoou a dívida de R$ 2 bilhões dos planos de saúde nem fez Refis para os sonegadores da Previdência Social,
  9. Dilma não concordou em perdoar a dívida dos clubes de futebol .
  10. Dilma não aceitou perdoar a dívida milionária dos canais de TV, Globo especialmente, com a Receita Federal e o INSS.

 

 

 

 

 


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