‘A Verdade Vencerá: o povo sabe por que me condenam’, o livro de Lula

“Não fui eleito para virar o que eles são, eu fui eleito para ser quem eu sou. Tenho orgulho de ter sabido viver do outro lado sem esquecer quem eu era.”
Luiz Inácio Lula da Silva
por Sulamita Esteliam

Acabo de reservar  à Boitempo meu exemplar do livro A Verdade Vencerá: o povo sabe por que me condenam, de Luiz Inácio Lula da Silva. Campanha de pré-venda, disponível até o dia 16, data do lançamento oficial da obra, em São Paulo.

Importante para mim garantir o exemplar, mesmo rompendo com o propósito de severa contenção de despesas. Os tempos andam bicudos.

O livro é organizado por Ivana Jinkings,  fundadora e diretora da Boitempo, com a colaboração do professor e cartunista  Gilberto Maringoni, e dos jornalistas  Juca Kfouri e Maria Inês Nassif. A parte substancial da obra soma 124 páginas, das 216 no total, e é, de fato, uma entrevista coletiva de Lula ao time de pesos pesados da intelectualidade nativa.

Chega em momento-chave para o ex-presidente, que tem seu destino nas mãos do sistema judiciário que tem-se mostrado parcial e injusto em verdadeira saga persecutória contra Lula, a partir da operação Lava Jato.

De acordo com o texto de divulgação da editora, foram horas e horas de conversas, divididas em três rodadas, no Instituto Lula, dias 7, 15 e 28 de fevereiro. Portanto, conteúdo atualíssimo, à luz e ao calor dos acontecimentos.

Não houve temas proibidos. Todavia, anuncia-se como destaque “a análise inédita do ex-presidente sobre os bastidores políticos dos últimos anos e o que levou o Partido dos Trabalhadores a perder o poder após a reeleição de Dilma Rousseff. Lula também fala sobre as eleições de 2018 e suas perspectivas e esperanças para o País”.

A edição é de Mário Lopes, e traz ainda textos de Eric Nepomuceno, Luis Fernando Veríssimo, Luis Felipe Miguel e Rafael Valim. Inclui, também, um cronologia da vida de Lula, organizada pelo jornalista Camilo Vanucci e texto de capa do historiador Luiz Felipe de Alencastro. E um bônus de fotos históricas, dos tempos do Sindicato dos Metalúrgicos até as caravanas Lula pelo Brasil e outras manifestações de rua.

Uma aposta de visão e senso histórico, mas também comercial, pois certamente será um campeão de vendas.

A tiragem inicial é de 30 mil exemplares.

O lançamento acontece na sexta-feira, 16, de 18:00 às 23:30 horas, no Sindicato dos Químicos, na Liberdade, em São Paulo.

 

Aproveito para compartilhar texto do professor Luis Felipe Miguel, da UNB, autor do prefácio do livro, publicado em seu perfil no Facebook. Ele trata dos “comentários furiosos” de alguns internautas na página da Boitempo contra a publicação da obra.

Irracionalidades que, infelizmente, passaram a ser triviais nesses tempos sombrios de cabo de guerra in Terra Brazilis.

Vale à pena ler.

O título vai por minha conta, extraído do texto. E o vídeo é da Boitempo, com os bastidores da impressão do livro. Pequeno aperitivo para aumentar o apetite, ou instigar os resistentes… hehe!

‘O livro do Lula é um ato político, o ato de dar voz a um líder político perseguido’

por Luis Felipe Miguel – no Facebook

Na página da Boitempo, há comentários furiosos contra a publicação do livro do Lula (que será lançado em São Paulo na sexta). São minoritários, mas chamam a atenção. Alguns provocadores de direita e outros que se apresentam como sendo a extrema-esquerda. A Boitempo estaria traindo seu compromisso com o marxismo, endossando a conciliação de classes ou mesmo se vendendo ao PT.

Acho difícil entender essa mistura de dogmatismo infantil com ódio irracional contra Lula. A Boitempo sempre publicou autores de um espectro amplo da esquerda – e esse é um de seus méritos. Está publicando Lula como está publicando, por exemplo, Chico de Oliveira, campeão da crítica (pela esquerda) aos governos petistas.

O livro do Lula é um ato político, o ato de dar a voz a um líder político perseguido. Nem por isso é um panfleto partidário. Quando Ivana Jinkings me ligou para pedir que escrevesse o prefácio, deixou claro que eu tinha toda a liberdade para fazer o balanço crítico da experiência lulista, discutir suas limitações, indicar seus equívocos. Também é ilusório pensar que a equipe de entrevistadores, pessoas do quilate de Maria Inês NassifMaringoni Gilberto, Juca Kfouri e a própria Ivana, se prestaria a ser mera escada para uma propaganda do ex-presidente.

Porque a questão, afinal, não é ser contra ou a favor de Lula. A questão de fundo é essa: Lula e seu legado devem ser julgados pelo eleitorado. Impedi-lo de concorrer por uma decisão judicial viciada é, uma vez mais, golpear a democracia.

Para a editora, seria fácil se omitir; afinal, ninguém estranharia se o livro não fosse publicado. Ela não despertaria a ira dos golpistas no poder, nem dos pretensos radicais frustrados. Ao decidir publicar o livro, neste momento dramático da vida brasileira, a Boitempo mostra a coragem que se espera de uma editora que é de esquerda não só no seu catálogo, mas também em seus compromissos e valores.


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