Lições de política e de amor, mas também de truculência, no 7 de abril histórico

Legenda dispensável – Foto: Francisco Proner Ramos/Farma
por Sulamita Esteliam

No momento em que encerro esta postagem, Lula já está em Curitiba, onde vai cumprir o mandato de prisão. Apesar da parcela de seu povo que tentou impedi-lo com palavras, atos e pressões.

Venceu o bom senso brandido em palavras da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffman, que honra as saias e calças que veste:

“A resistência está linda. A foto do Lula humilhado e preso não é a foto que vai rodar o mundo. Lula foi carregado nos braços do povo. Mas o nosso objetivo aqui é garantir que Lula possa andar por esse país livre”.

Está aí, na condenação e prisão de Lula, o grande passo do golpe jurídico-midiático que, depois de apear Dilma Rousseff do poder, sequestrou a soberania e o patrimônio brasileiros, e os direitos do seu povo, para não nos deixar enganar.

Inclusive o direito de escolher seu governante. Violada a Constituição, vale tudo para manter a farsa.

E a Polícia Federal, tudo indica, não se furta a mostrar o seu lado truculento. Em meio à postagem, recebo a informação de que manifestantes que foram solidarizar-se com Lula em Curitiba foram recebidos a bala pela PF. E a tropa de choque da PM também entrou em ação. Há feridos. Enquanto a turma de fascista é preservada.

Posto a transmissão ao vivo do Brasil de Fato, via Blog do Esmael.

Não me venha arrotar importância e/ou hipocrisia em nome do combate à corrupção. Não me venha com saberes jurídicos que não se traduzem em respeito à lei maior, à correção e humanidade.

Não, não é relativo. É questão de decência.

E também não é da liberdade de Lula, o maior líder popular deste país em todos os tempos, e o líder nas pesquisas para as presidenciais de 2018, que se trata, apenas.

É da vida e do tempo presentes.

É da perspectiva de vislumbre de futuro menos opressor, do esboço de uma Nação mais igualitária, do sentimento de País para todos os seus filhos e filhas. Em todos os sentidos.

Chegamos perto demais para desistir.

A lei é para todos, mas o benefício dela nem sempre é para quem merece.

Negaram a Lula todo e qualquer direito constitucional. E sabemos o porquê: não conseguem vencê-lo no diálogo, muito menos nas urnas.

Não, não vou ater-me ao relato dos fatos deste sábado, 07 de abril de 2018, dia em que Luiz Inácio Lula da Silva se tornou preso político pela segunda vez na história deste país.

Na verdade, a seguir meu ímpeto, amaldiçoaria todos aqueles que contribuíram para chegarmos ao que hoje se concretiza; de A a Z.

Mas não, não vou sujar minha aura com energia ruim.

Isso me assemelharia à gente que defeca pela boca ao rir da desgraça alheia.

E depois vai papar hóstia ou bradar o nome de Deus, ou de seu filho, Jesus. Aquele que foi crucificado em nome do Pai, ao lado de dois ladrões, com a conivência dos iluminados. Para nos salvar, como se a humanidade tivesse salvação.

Nunca me canso de refletir sobre o quanto a gente é capaz de se enganar com as pessoas.

Hoje consegui chorar, finalmente. O choro alivia o engasgo, desopila o fígado, chacoalha o coração indignado, serena a alma.

Devo conter-me porque 07 de abril, além do dia em que há 68 anos nasceu Marisa Letícia, companheira de vida de Luiz Inácio Lula da Silva, é Dia dos Jornalistas.

E todo mundo acha que jornalista é portador da isenção que inexiste em qualquer ser humano.

E todo mundo finge que acredita que a imparcialidade é requisito possível no reportar e transmitir. Até a mídia partidária golpista, que destila veneno e engodos, dia sim, dia também.

Pois volto a dizer que de disputa de narrativa se trata: no meu caso, tomo como missão. Mas é preciso coragem e honestidade para ser transparente.

Em nome disso, postei nesses dias o acesso ao vivo, direto do palco dos acontecimentos em São Bernardo do Campo, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde Lula se refugiou, cercado por seu povo – também aqui.

Fonte que é fonte, dispensa tradução. Embora quem acessa este blogue, anão e sujo, não possa ter dúvidas de que lado do espectro político Euzinha armo a minha barraca.

Quem acompanhou a transmissão viu que Lula deixou o palanque improvisado no carro de som na lateral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, nos braços do povo.

Assim voltou ao interior da entidade para acertar com seus advogados como se apresentar para cumprir o mandato de prisão.

E ao som de Apesar de Você – música de Chico Buarque transformada em hino da resistência à ditadura civil-militar de 1964 do século passado.

Lá dentro, passou mal. A carga de emoção foi muito para o coração de um homem de 72 anos. Felizmente, tem, como se diz nas Geraes, couro e resistência de mulo; logo se recuperou, e aí foi outra novela para conseguir deixar o sindicato.

Antes, no discurso histórico, apresentou seus companheiros e companheiras, um a um – políticos, do PT e de outros partidos do campo da esquerda, sindicalistas, artistas. Lembrou greves históricas, episódios divertidos, derrotas e vitórias.

Falou com orgulho de seus governos. A presidenta Dilma Rousseff, a legítima, presente, foi lembrada como injustiçada, a despeito de garantidora do sucesso das gestões dele, nas quais foi ministra das Minas e Energia e depois chefe da Casa Civil. Reconhecimento.

“A Dilma foi a pessoa que me deu tranquilidade de fazer quase tudo o que eu fiz na Presidência da República. Sem ela, eu não teria conseguido fazer o que fiz.”

Ao fim e ao cabo, explicou sua decisão, apesar do coro de “não se entregue” bradado pela multidão.

“Eu vou atender ao mandado deles porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo o que acontece nesse país é por minha causa. E eles vão descobrir pela primeira vez o que tenho dito todo dia: o problema desse país não se chama Lula, mas a consciência do povo que tem as ideias de Lula plantada nas mentes e corações.”

“Minhas ideias estão pairando no ar, não há como prendê-las. Não adianta acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia.”

Outra maneira de dizer, o que vem cantando a cada ato, em cada cidade por onde passou nos últimos anos, sobretudo no pós-golpe em curso. São milhões de Lula. Cada um de vocês, que se reconhece gente que batalha pela vida, é Lula.

“Eu caminho pelas pernas de vocês. Eu falo pela boca de vocês. Eu sou vocês hoje, amanhã e todos os dias em cada canto deste País.”

No tributo a Marisa Letícia, não houve lamentações. Foi uma celebração. Não de uma missa, porque se Lula é católico, o povo é múltiplo e diversificado em suas crenças, e não necessariamente religiosas.

Foi um ato de louvor e de resistência, embora presidido pelo bispo emérito Dom Angélico, amigo de longa data, que chama Lula de “irmão”. Estava acompanhado de outros padres, e chamou a participação de pastores e pastora. Também havia artistas de várias partes do País, além de políticos e sindicalistas.

Lula fez a direção musical, listando a trilha sonora que embalou a cerimônia. De Vermelho, hino do Garantido, boi-bumbá de Parintins, no Pará, ao samba que é a cara do brasileiro, Deixa a vida me levar, sucesso de Zeca Pagodinho, passando por raps e Maria, Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

A foto que abre esta postagem já correu mundo. É de um garoto de 18 anos, que assina Francisco Proner Ramos, celebrado com justiça pelo colega Renato Rovai em seu blogue. Que o Universo siga bom cúmplice de seu bom olhar e de sua destreza e fazer.

Agora, quem achar que o que ali aconteceu foi uma reunião de ladrões, uma quadrilha de multidões a incensar “o chefe”, então, não há salvação possível para a confusão de sua mente.

Desde a noite da quinta-feira, quando o justiceiro Moro expediu a ordem de prisão, Lula esteve no interior do prédio do Sindicato que ele presidiu, frutificou, de onde saiu preso há 38 anos, onde conheceu Marisa Letícia e onde criou o PT.

Foto: Roberto Parizotti/Agência CUT

Lula não desacatou a Justiça. Simplesmente, conduziu o processo, sem capitular, como desejavam seus algozes.

Ancorado por seu povo. Milhares, de São Bernardo e dos 7 cantos do Brasil que para lá afluíram.

Ali nasceu o político e o líder. De lá saiu um gigante que o arbítrio transformou em mito. A História há de lhe fazer justiça.

Devo dizer que acompanhei os acontecimentos a partir do Recife, ao vivo, pelo link oferecido pelo sítio do PT na rede, via TVT. Aliás, até a emissora madrasta do Brasil o fez; todas as demais o fizeram, só que pela “pilhagem” indevida do sinal, e serão processadas por isso.

Sim, porque, ao contrário da mídia livre e da imprensa internacional, e mesmo dos coleguinhas do PIG escrito, os repórteres da Globo et caterva não podem pisar o chão em aglomerações onde está o povo que não é pasto da mídia venal.

O Zé e a Maria Povinho e também a parcela das ditas classes médias que se reconhece como trabalhadora. E que não vive de explorar a mão de obra alheia, a preço de migalhas. Enquanto acumula seu vil metal. Até esses tiveram a vida melhorada nos governos Lula e Dilma.

E chamam a isso meritocracia.

Como diz a gente pernambucana, iludido é pior do que doido.

Em São Bernardo, nas praças e ruas de São Paulo e de todo o país está o povo que exerce consciência política com atos, não com omissões; com palavras, não com agressões; com sentimento de nação, não com intriga, ódio, alienação, fundamentalismo ou ignorância piegas.

E pensar que dentre essas pessoas existem quem se pague de religioso e outros tantos que ganham a vida como “educadores”…

A Globo é símbolo da injustiça que se confirma nesta sexta-feira no País. O papel dela, como de toda a mídia venal, é sequestrar opiniões e fazer deste poder instrumento de achaque às instituições. A preço de milhões dos cofres públicos – o seu, o meu, o nosso dinheirinho – em favor próprio.

E depois nós, mortadelas e petralhas, é que somos sem noção.

Leia a íntegra do discurso histórico de Lula em São Bernardo.

Aqui o acesso sonoro ao discurso, publicados em trechos pelo Brasil de Fato.

Fecho com a mensagem de Lula, gravada durante sua estada no Sindicato dos Metalúrgicos:

 

Postagem revista e atualizada em 08 de abril de 2018, às 11:16 horas.

 

 


6 comentários sobre “Lições de política e de amor, mas também de truculência, no 7 de abril histórico

  1. Gostaria de expressar minha solidariedade ao povo brasileiro/nordestino – do qual faço parte – comungando a mesma dor…
    Meu Deus meu Deus
    Se eu chorar não leve a mal…
    Pela luz do candeeiro
    liberte o cativeiro social…
    Parabéns a Tal Mineira pela emocionante matéria!!

  2. Que matéria Sulamita!!!! Deixei comentário… Boas vibrações pro Brasil e pro Lula!!!

    Célia – radialista apaixonada – comunicadora de gênero no radio Frente de Mulheres de Movimentos do Cariri – Ce Rede Mulheres Amarc/Brasil Rede Mulheres em Comunicação Rede Mulher e Mídia Terapeuta Holística em Reiki Celular Tim: 88 – 99635 1560

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s