Os ecos do #LulaLivre no 1º de Maio pelo mundo, e o alerta de Dilma para a segurança do ex-presidente

por Sulamita Esteliam

A imagem do presidente operário crucificado junto com seu povo, uma alegoria no ato no 1º de Maio no Recife, é metáfora cuja tradução correu mundo nas manifestações pelo Dia do Trabalhador: Lula é prisioneiro político, e sua condenação, prisão e isolamento nada mais são do que a tradução no plural de perseguição, uma injustiça que atinge a todos, mas sobretudo os mais carentes.

Fruto do medo e do egoísmo das elites mesquinhas e ordinárias deste País, como nenhuma outra no Planeta. Uma gente covarde, incapaz de ceder, migalha que seja em prol do outro, por que o outro, se despojado de sua condição inferior, que a miséria e falta de oportunidades impõe, não aceita ser capacho.

E povo bom é no pelourinho, é povo humilhado. Povo bom, é a canalha que se submete à coleira.

Pois não é nessa toada que a banda toca, não mais. E os últimos acontecimentos o demonstram, apesar da aparente apatia.

Que o diga o usurpador golpista, que ousou desafiar a própria condição de indigente de popularidade, a forjar empatia com o sofrimento dos sem-teto sobreviventes de incêndio e desabamento do prédio da União que ocupavam no centro de São Paulo.

Sobreviventes, mas sem uma folha de zinco ou palmeira sobre a cabeça.  O que será dessa gente?

Uma tragédia anunciada, o próprio Estado – em suas múltiplas instâncias – o reconhece. Mas providência que é bom, nadica.

Gostaria de saber quem é o marqueteiro do golpista, que induziu o temeroso a passar atestado de morto-vivo, que de fato é.

Se Lula é o símbolo do Brasil que deu certo, do Brasil de oportunidades para todos, menos desigual, soberano e sem medo de ser feliz, o usurpador golpista é o que é, um sanguessuga de energia, de autoestima e de esperança.

Por isso, importa que o grito por por Lula Livre, que troa em Curitiba e pelos sete cantos do Brasil, ecoe na América Latina, na Europa e até nos Estados Unidos, como se deu neste 1º de Maio.

Tomo o que aconteceu na vizinha Argentina, como exemplo, e que certamente a mídia venal tupiniquim desconhece.

A presidenta Dilma Rousseff, a legítima, recebida como tal, quedou-se emocionada com a recepção e a solidariedade de los hermanos à causa da liberdade para Lula.

Ela foi apresentar o livro A Verdade Vencerá – o povo sabe por que me condenam, lançado na Feira do Livro de Buenos Aires, numa parceria da Boitempo, editora responsável aqui, com a Clacso  – Conselho Latino-americano de Ciências Sociais, a Univerdad Umet, Octubre Editoríal e o diário Página 12.

E o fez sob ovação e acolhimento, mas também sob forte emoção e apreensão.

O auditório, a Sala Luiz Borges, onde não faltaram bandeiras. flâmulas e cartazes com a imagem de Lula. Transbordava de gente, segundo relata Maylín Vidal, do blogue Prensa Bolivariana.

A repórter chama a atenção para o clima de “forte indignação, mas também de unidade e de solidariedade”. E destaca no título a frase com que a presidenta Dilma fecha sua palestra:

“Livre ou preso, Lula será eleito presidente do Brasil.”

Destaca, também, que Dilma alertou para o seu temor de que a vida de Lula possa estar sob perigo:

“Eu temo pela vida do Lula. Não sei até onde irão. Temo pela comida que ele ingere, pela água que ele bebe. (…) É muito grave o que estão fazendo com Lula. Ele está sendo isolado. E eu não sei se quem isola não pode cometer outros delitos.

Lula é inocente. Por ser inocente, tem que estar livre. Estão cometendo um crime contra ele. Ele não tem que estar livre por ser um líder político. Tem de estar livre porque é inocente. Este processo que o condenou é uma vergonha, uma vergonha que contraria qualquer princípio de direitos humanos.

Todos nós devemos temer pelo Lula. Todos nós devemos estar atentos para denunciar qualquer novo ato de arbítrio em relação ao Lula.”

E a multidão, dentro e fora da Sala Luis Borges, gritava “Lula libre! Fuera Temer!”

Na mesa se distinguiam rostos conhecidos da luta político-social da região: Adolfo Perez Ezquivel, Prêmio Nobel da Paz 1980, que também narra o evento em seu sítio eletrônico; Estela de Carlotto, presidenta das Abuelas de La Plaza de Mayo; Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia; Cuauhtemoc Cardenas, ex-prefeito da Cidade do México, senadores e deputados.

Coube, a Nicolás Trotta, reitor da UMET – Universidade Metropolitana para a Educação e o Trabalho, coordenador do ato de solidariedade a Lula, puxar o coro que por aqui se repete desde o dia 7 de abril, relata Carta Maior:

“Lula”, gritava Trotta, e as pessoas respondiam: “Libre!!Lula. Libre! Lula. Libre! Lula. Libre!

Mas a frase mais aplaudida, ainda segundo Maylín Vidal, foi a do secretário Executivo da Clacso, Pablo Gentili, que resume a ideia fundamental nos dias que correm:

 “Que los poderosos entiendan que cuando no nos dejen soñar, nosotros no los vamos a dejar dormir.’

 “Que fique claro: quando não nos deixam sonhar, nós não os deixamos dormir.”

Vale à pena ver e ouvir: no encerramento do ato em Buenos Aires, Léon Gieco e outros artistas cantam com Dilma pela liberdade de Lula.

Deixo também algumas fotos e o acesso à imagens das manifestações por Lula Livre no Brasil e mundo afora, e o vídeo com o ato na capital paulista, que reuniu, não os 40 mil que se juntaram em Curitiba, porém, milhares na Praça da República:

Rede Brasil Atual: Atos de 1º de Maio reúnem milhares de trabalhadores e trabalhadoras em todo o País

Opera Mundi: Manifestantes do mundo vão às ruas para pedir liberdade para Lula

CUT Nacional: Atos por Lula Livre aconteceram em países da Europa e na América


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