Aurora da Resistência no Recife: cultura é política, minha gente…

por Sulamita Esteliam

Ajudei a divulgar a Aurora da Resistência, mas não pude comparecer, devido a um mal estar digestivo. Deu-se na tarde-noite deste domingo, véspera do marco de 30 dias da prisão, ilegal e imoral, do ex-presidente Lula.

Volto ao assunto  #LulaLivre mais tarde. Por hora, vou simplificar.

Compartilho, para começar, o vídeo com a cantoria de paródia sobre a canção-símbolo do Carnaval de Olinda: “Ó Lula, quero votar, em você nessas eleições…”

A criatividade popular não tem limites.

Capturei no Youtube:

Segundo, assino embaixo do que escreve o colega Inácio França, do Marco Zero Conteúdo: chega de atos políticos engessados no carro de som, com discursos infindáveis e repetitivos, de gente que não abre mão para o protagonismo popular.

Isso no terra que respira diversidade cultural, com uma sem-número de artistas que vêm do povo, que fazem arte para o povo e com o povo, é de uma arrogância mesquinha e burra.

É possível fazer uma miscelânea do político com a cultura e o lazer, sem virar gororoba. O evento do Eu Acho é Pouco é exemplo

Quem foi ao ato do 1º de Maio no Recife, sabem bem do que digo.

Pronto, falei.

Transcrevo o comentário do Inácio França, que capturei no Facebook:

Primeiramente, apartidário é mózovo! E suprapartidário é umkarai!

O alerta da linha acima é pra quem acha movimentos sociais para ser legítimos não podem ter a presença de partidos políticos.O pessoal do ‘Eu acho é pouco‘ sabe e leva isso a sério, garantindo voz e espaço para parlamentares, sindicalistas, representantes de partidos.

Dito isso, vamos ao assunto que quero tratar, antes de retomar o trabalho fechando uma matéria para a Marco Zero Conteúdo:

As milhares de pessoas que foram ontem à rua da Aurora testemunharam (mesmo que a maioria sequer tenha se dado conta) cenas de um saudável e inevitável conflito em curso: a lógica e da dinâmica horizontal e sem hierarquia de quem luta e vive a luta política de cada dia fora dos partidos políticos e das estruturas tradicionais versus a militância de esquerda tradicional que, consciente ou inconscientemente, ainda atua com base nos preceitos leninistas de que só um partido pode representar os trabalhadores, os intelectuais progressistas etc.

Pra começar, não havia palanques a rua da Aurora. Nem mesa. Apenas um círculo, ao lado de uma tenda para as apresentações de DJs, sambistas, cantores, performers, poetas, o escambau.

O tal círculo foi palco e cenário do tal encontro entre as formas contemporâneas de militância e aquelas vindas diretamente do século XX. E olhe que este que vos fala é um ex-militante de um partido comunista, nascido em 1968… Mas sou um traíra assumido: aderi fácil às hostes do Euachoépouquismo.

O militante/político tradicional tem de falar,tem de se repetir, tem se pregar para convertidos, tem de desfiar um jargão e palavra de ordem. E se não fala, vê nisso a patrulha, cria problema, quando poderia simplesmente curtir a festa, passear entre a multidão, abraçar e ser abraçado, jogar conversa fora.

Que usem os microfones sim, os organizadores da festa/ato/evento de ontem não são apartidários, são gente muito politizadas. Mas que tenham a sensibilidade de entender que o discurso do carro de som não cabe mais, que é necessário realmente comunicar, que só usar as palavras de ordem defendidas na base (ou na célula, ou na subsecretaria do coletivo partidário xis ipsilón zê) não tem nada a ver com mobilização.

Se leio até aqui, observe: não estou generalizando. Tem gente que fez o discurso e se misturou, tomou cerveja, entendeu onde estava. Foi, aliás, de um militante de partido que escutei a seguinte frase:

– Se fôssemos nós, os leninistas, a convocar esse ato, não teria nem 15 pessoas aqui.

 


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