Sete dias que abalaram o Brasil e a inconsequência de chamar os milicos

Na Paulista,no domingo 27, ato por Lula Livre e Lula Presidente – Foto: SEsteliam
por Sulamita Esteliam

A última segunda-feira de maio foi longa e tensa para todos que pensam o Brasil para além de encher o tanque de seus reluzentes ou cacarecos automóveis.

Com o desgoverno caindo de podre, completamente desmoralizado pelo movimento dos caminhoneiros, tenha o caráter que tiver, o horizonte do Brasil segue carregado de nuvens pesadas e eletrizadas.

Os petroleiros anunciaram greve de 72 horas a partir desta quarta-feira, a título de advertência. Mais um esquenta para a greve nacional prevista para agosto. A semana já começa com paralisações em São Paulo e no Rio; um pré-aquecimento acompanhado de perto pela Guarda Nacional – que não foi vista nos bloqueios dos caminhoneiros.

Contudo, os trabalhadores da Petrobras não param por reajuste salarial ou condições de trabalho. Param pela retomada da produção nas refinarias, que rodam a 60% da sua capacidade, com reflexos patentes nos preços dos combustíveis. Param pela reformulação da política de preços imprimida por Pedro Parente.

Param pela demissão do presidente da empresa, cuja atuação à frente da pasta das Minas e Energia, em 2002, lhe custa a pecha de “apagão”. Os petroleiros consideram que o “Fora, Parente!” é essencial para a retomada do emprego e para preservação do patrimônio do povo brasileiro.

Ao movimento paredista também aderem os motoboys, em apoio declarado aos caminhoneiros. Quem pega carona sem checar o condutor corre o risco de se estrepar.

E as vivandeiras de plantão foram às ruas, em diversas capitais, uniformizados de verde e amarelo e”em nome da família”. Tentativa trôpega de reeditar a Marcha da Família em Deus pela Liberdade, de triste memória do 64 do século passado.

O que se vislumbra, de imediato, não recomenda celebrações.

Ainda que as sondagens de opinião as induzam. Está em todos os blogues e manchetes de sítios não comprometidos com o golpe: com 39% das intenções de voto, Lula, mesmo preso há 52 dias, se as eleições fossem agora, venceria no primeiro turno.O ex-presidente tem 39%, mais do que a soma dos demais 13 pré-candidatos. Palavra do Vox Populi.

O líder absoluto das pesquisas segue encarcerado, entretanto. E sua inquebrantável superioridade eleitoral é fator desconcertante e, sem dúvida, estimulante a aventuras fora do eixo democrático. Tão ao gosto da turba ignara e inconsequente – por ignorância, inocência ou desfaçatez.

Não se pode esquecer que chegamos até aqui porque os perdedores não se conformam com a própria pequeneza.

Outra coisa que fica clara é que o desgoverno falecido pouco se dá para os mortais contribuintes, porque cidadãos é uma palavra por demais lapidada para nos traduzir no momento. É chibata no lombo dos dos revoltados e dos incautos também.

A oferta de que se serve o mordomo usurpador golpista para capitular aos grevistas e/ou locauteiros, é tirar dinheiro de onde não tem, do orçamento já restrito. E para quem e para o quê? Para servir às transportadores, sem sustentação ou garantia de repercussão nos preços do óleo diesel, que come o frete dos autônomos.

Equivale, conforme aponta o Tijolaço, via Estadão, a um ano de orçamento do Bolsa Família:

“A conta é insuspeita: publicada pelo Estadão, foi feita pela equipe de José Serra.

Os corte do PIS/Cofins sobre a venda de óleo diesel, se total, implicará numa renúncia fiscal equivalente a R$ 28 bilhões por ano, proveniente da comercialização de 55 bilhões de litros do combustível, na média anual dos últimos três anos

É tanto quanto o orçamento do programa Bolsa Famílianos mesmos 12 anos.

Dar um mínimo de dignidade a milhões de brasileiros, como se vê, é muito barato e nada tem a ver com os absurdos tributários do Brasil.”

Nesta segunda, senadores da oposição apresentam três propostas alternativas para reduzir o percentual de preço do óleo diesel e também da gasolina e do gás de cozinha, dentre outros derivados do petróleo.

São elas: 1) aumentar a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos bancos de 20% para 25%; 2) revogar a isenção das petrolíferas internacionais num prazo de 20 anos – concedida no final do ano passado, significa perdas da ordem de R$ 1 trilhão para o Tesouro, calculam técnicos do setor; 3) retomar a política cíclica de reajuste de preços dos combustíveis a médio prazo, de modo a que empresas e consumidores individuais possam se preparar para a ocorrênca.

Entrementes, com a reabertura dos postos para abastecimentos de automóveis – assim, mas não como num passe de mágica – topei com o texto abaixo durante minha viagem noturna pela blogosfera progressista. É a analise mais lúcida que li até a hora desta postagem, para a greve dos caminhoneiros, a começar pelo título.

Por isso transcrevo, mesmo com o escorregão racista do “denegrir” – para significar, desconstruir, sabotar. As fotos são por minha conta.

Qualquer movimento que se dobre a um pedido sobre intervenção militar se desmoraliza, se enfraquece e não reconhece a história de lutas recente do país

por Paulo Endo – Psicanalistas pela Democracia

Essa greve representa um Brasil aos pedaços. A princípio muito parecida com a greve que antecedeu e apoiou o impeachment de Dilma Roussef, os caminhoneiros voltaram a bloquear às estradas para desafiar o presidente ilegítimo que ajudaram a colocar no poder. Misturados estão os empresários de transportadoras e movimentos de ultradireita, como ‘vai prá rua’ e ‘mbl’, que são cobrados por seus seguidores em suas redes sociais, por não apoiarem clara e prontamente a manifestação dos caminhoneiros.

Manifestações do candidatos à esquerda e a greve anunciada dos petroleiros parece dar a entender que a greve tem um objetivo mais amplo. Globo, folha, estado continuam seu trabalho de gastar muita saliva para dar a entender que o Brasil está sendo invadido por marcianos. E a grande maioria da população está interessadíssima apenas em quando a greve vai acabar e quando será possível voltar aos postos de gasolina sem fila. Afinal o feriado vem aí.

O roteiro é conhecido: uma mobilização politicamente ambígua que se coloca refém de agenciamentos de todo tipo, porque não se manifesta claramente a respeito de seus objetivos nacionais de médios e longo prazos.
Queriam parar o país? Porque? Para que? Para quem?

Um fenômeno de impacto nacional ocorre há sete dias, mas não há discurso coerente, nem pautas claras além da queda dos preços do diesel. Que o ilegítimo presidente já concedeu ontem.
Querem a queda de Temer? A privatização total da Petrobrás-e de tudo o que for possível-, como defende o MBL? A demissão de Pedro Parente? Privilégios fiscais para os proprietários das transportadoras? A intervenção militar?
Quais objetivos nacionais defende o movimento dos caminhoneiros?

Uma coisa é certa, quando movimentos se deixam capturar por grupelhos que defendem a intervenção militar eles abandonam suas pautas originais, mesmo as mais imediatas, e passam a envergonhar todo a história dos movimentos dos trabalhadores barbaramente atacados pelas forças que apoiaram o golpe militar de 1964, e todos os que lutaram e resistiram depois nas fábricas e nas escolas e nas ruas contra os sequestros, as perseguições as torturas e os assassinatos cometidos pelo regime militar contra trabalhadores em todo o país.

Se esse movimento, ou qualquer outro, não souber como rechaçar esses grupos atrasados e oportunistas, endereçando claramente seu movimento rumo à institucionalidade democrática, sua força será sua fraqueza e sua motivação será vista como um ataque frontal aos trabalhadores que supõem defender e à toda história de lutas, sacrifícios e vitórias que um dia conquistaram através da Consolidação das leis do trabalho, da Constituição de 1988 e dos direitos previdenciários às trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Todos sob ataque e sem tréguas pelo atual governo.

Se as lideranças do movimento são populares e autônomas, elas devem se manifestar com maior clareza, porque muitos querem cooptar suas motivações e denegrir suas estratégias descontextualizando-a do movimento e da história das lutas dos trabalhadores brasileiros. Permitir isso é deixar um potente movimento como esse ao léu e à deriva. Não basta paralisar e cruzar os braços é preciso conferir um sentido à essa desobediência que contribua para o esclarecimento da sociedade em geral e dos trabalhadores de transporte em particular. É necessário confessar em alto e bom som quais são suas intenções políticas, esclarecendo a todos os que são afetados ao que o movimento se dirige e permitindo o apoio ou não dos que se reconhecem em suas causas.

De todo modo é sempre bom lembrar que num regime militar uma greve de caminhoneiros sequer seria pensável, porque seus supostos líderes já estariam presos, perseguidos, desempregados enquanto outros, provavelmente, estariam sendo torturados e mortos pelos militares que, em geral, não simpatizam muito com movimentos de oposição.

*******

A Tal Mineira passou o chapéu para estar no 6º BlogProg, dias 25 e 26 de maio, em São Paulo. Um esforço coletivo para viabilizar a viagem desde o Recife, translados e estada, que inclui dois dias em Curitiba, para onde esta escriba segue na manhã da próxima quarta-feira.

Sou extremamente grata a cada uma e cada um d@s amig@s que até agora contribuíram para esta jornada.

Mas digo que continua valendo. Quem puder e quiser pode usar a seguinte conta para depósito:

Ideias e Letras Comunicação

Esteliam & Estelian Comunicação integrada Ltda (razão social)

cnpj: 13.602.046/0001-22

Caixa Econômica Federal

Agência 0867 Operação 022 Conta 238-6

Seguimos na batalha.

Abração.

Sulamita

 

 

 

 

 


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