Aos inimigos nem a lei e muito menos manchetes em seu benefício

Bancadas do PT no Senado e na Câmara celebram Gleisi inocente – Foto: Ricardo Stuckert;. Enquanto isso, na mídia venal…

 

por Sulamita Esteliam

Uma pesquisa sobre as capas dos jornais da mídia venal do dia, na internete, revela o que o PIG não tem o menor pudor em seguir o roteiro do anti-jornalismo nativo. Destaque discreto para a notícia da absolvição, por unanimidade, da senadora Gleisi Hoffman pela segunda turma do STF.

Se fosse a condenação, já se pode imaginar que teríamos foto aberta com manchete ocupando toda a parte superior da primeira dobra. Como tem se pautado desde sempre.

Dos três jornalões ditos nacionais, só a Folha deu a notícia no alto da primeira página, mas no canto direito e sem foto, e no segundo clichê – edição atualizada às 0h49m do dia.

O Globo deu chamada curta, no canto esquerdo, praticamente escondida na dobra. O Estadão fez parecido, só que jogou a chamada para no canto direito da segunda dobra. Os regionais seguiram o mote de diluir a importância da decisão.

Não se pode esquecer, como lembram alguns juristas de boa cepa, que é a imprensa quem condena por antecipação. Ao invés de apurar, se atém à denúncia, e dá como fato consumado algo que está em processo de apuração e/ou julgamento.

Durante quatro anos, no caso das acusações de corrupção sobre Gleisi Hoffmann, ora consideradas fictícias pela Suprema Corte, não foram informadas, minimamente, as contradições dos delatores nem se colocou em dúvida seus depoimentos. A preocupação com o contraditório, com as informações da parte atingida só se manifesta quando é o caso.

O mesmo acontece com a condenação do ex-presidente Lula, apontado como dono de um “triplex de luxo”, quando o apartamento não lhe pertence, e a ocupação relâmpago do MTST provou que é um lixo.

Em reportagem do Vermelho, o jurista Afrânio Silva Jardim, professor de Direito Constitucional da UERJ explicita para leigo entender:

“Não é necessário prova cabal para aceitar a denúncia. Mas é preciso prova cabal para condenar. (…) “A imprensa explora isso. É uma questão de responsabilidade e seriedade da imprensa que atualmente além de leiga, em se tratando de alguns veículos, tem má-fé mesmo.”

Enquanto isso, no vão do descrédito da lavajatice, os jornais O Globo e Valor Econômico abrem duas páginas para o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, desconstruir a decisão de seus colegas. Assim como o fez no que se refere às decisão do colegiado contra o abuso da condução coercitiva.

Definitivamente, Barroso, ao contrário das expectativas que cercaram sua indicação ao STF, há cinco anos, resolveu disputar com Sérgio Moro a vaga de reencarnação do Torquemada, o grande inquisidor dos reinos de Castela e Aragão, na Espanha do século XV.

Aliás, Moro não perde tempo, e pisa no acelerador para julgar Lula no caso do sítio de Atibaia. O depoimento do ex-presidente está marcado, olha só a data, para 11 de setembro.

Aos inimigos nem a lei.

É o que constatam advogados criminalistas reunidos em encontro recente, no Rio de Janeiro, conforme o Vi o Mundo. Chocados com a argumentação de certos ministros, como Barroso, contrária ao que chamam de “garantirismo”. O que em última instância reforça as ações do sistema do Judiciário que ameaçam o equilíbrio dos poderes e os direitos de cidadania.

Todo o estrondoso barulho, ou ensurdecedor silêncio ou displicência em torno da notícia reflete os interesses da casa-grande golpista da qual é parte.

E, no caso da espetacularização da Lava Jato e derivados, não é de graça. Tem objetivo certo: interferir na condução de processos e no resultado de julgamentos que sustentam o galopar das trevas.

Como o que vai decidir sobre a liberdade de Lula, na próxima terça-feira, na mesma 2ª Turma do Supremo.

Todavia, por mais que não se queira alimentar falsas expectativas, o reconhecimento da inocência da presidenta do PT é recebida como lufada de ar fresco nas hostes petistas.

O presidente do PT do Paraná e pré-candidato ao governo do Estado, Dr. Rosinha, com quem troquei palavras no zap-zap, na tarde desta quarta-feira, celebra sem tirar os pés do chão:

“Até que enfim o STF toma uma decisão justa. Sabíamos da inocência da Gleisi e ela foi confirmada. Agora, falta justiça para o Lula. É mais luta: liberdade para Lula e Lula presidente.”

O ex-presidente Lula enviou carta à presidenta do seu partido, manifestando sua alegria com a notícia da absolvição da senadora e do marido Paulo Bernardo.

Transcrevo um trecho – leia a íntegra aqui:

“As mentiras dos delatores e dos procuradores eram tão evidentes que não havia outra decisão possível, apesar da imensa pressão da Rede Globo para condená-la.

(…)

No julgamento dessa terça-feira, sua defesa mostrou que a Lava Jato construiu uma denúncia falsa a partir de depoimentos negociados com criminosos, em troca de benefícios penais e até financeiros.

E pela primeira vez o STF reagiu claramente diante da indústria de delações em um caso concreto, desmoralizando o discurso e a prática da Lava Jato.

(…)

E assim, de vitória em vitória, vamos reconstruir este país e restaurar a esperança na democracia, na justiça e na igualdade.

Salve companheira Gleisi, salve companheira inocente!

A verdade sempre vencerá!

Um grande abraço do Lula

Curitiba, 20 de junho de 2018”

A própria Gleisi Hoffmann acredita que a decisão sobre seu caso pode contribuir para um resultado favorável a Lula no STF

“Acho que nós podemos começar a pensar em reestabelecer a seriedade do processo judicial no Brasil. E acho que pode ter um efeito positivo para o presidente Lula.”

Em artigo publicado no sítio do PT Nacional, ela saúda o restabelecimento da verdade, mas também o que define como “avanço em direção á normalidade democrática, frente à máquina de perseghuição e arbítrio instalada desde 2014 na Vara Federal da Lava Jato”.

O A Tal Mineira transcreve a íntegra:

Vitória da Verdade e da Democracia

por Gleisi Hoffmann – PT Nacional

“O julgamento de ontem na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal foi de enorme relevância para o restabelecimento do estado de direito no Brasil. Fui julgada e absolvida, por unanimidade, das falsas acusações que me imputaram. Mas foi principalmente um avanço em direção à normalidade democrática, frente à maquina de perseguição e arbítrio instalada desde 2014 na Vara Federal da Lava Jato.

Creio que pela primeira vez, diante de um caso concreto, o STF se pronunciou colegiadamente contra a indústria das delações premiadas e contra os abusos do Ministério Público da Lava Jato. A denúncia ruiu perante os juízes porque não trazia prova de nada, apenas delações negociadas com presos condenados, em troca de perdão de seus crimes.

No meu caso e do meu marido, Paulo Bernardo, eram delações contraditórias, que foram sendo modificadas no curso do processo para compor a narrativa perseguida pelos promotores. O julgamento expôs as sucessivas violações praticadas em Curitiba, e endossadas pela PGR, que não poderiam ser aceitas à luz da lei e da justiça.

Dos cinco votos proferidos restou claro que ninguém, nenhum cidadão ou cidadã, pode ser condenado apenas com base em depoimentos (negociados sabe-se lá a que preço) que não sejam acompanhados de provas. Dessa forma, o direito prevaleceu sobre o arbítrio, a verdade sobre a mentira, quando íamos nos habituando ao contrário.

Durante quase quatro anos, desde outubro de 2014, a TV Globo e os grandes jornais repetiram sistematicamente que eu era acusada de corrupção e lavagem de dinheiro, repetiram o enredo forjado pela Lava Jato. E nunca, até a véspera do julgamento, nunca informaram os argumentos concretos da minha defesa. Nem uma só palavra.

É o mesmo método autoritário de julgamento midiático,  de acobertamento da injustiça, que levou à prisão ilegal e arbitrária do maior líder político e popular do Brasil, o ex-presidente Lula.  É o método que levou ao golpe doimpeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016.

Ao longo desses quase quatro anos, meu nome deixou de ser Gleisi Helena Hoffmann. Passei a ser chamada deGleisi Hoffmann, investigada na Lava Jato, Gleisi acusada, Gleisi indiciada, Gleisi denunciada, Gleisi ré. Alguém escreverá agora Gleisi inocente?

Já disse que nada vai apagar o sofrimento causado a mim, a minha família, meus amigos e companheiros de luta. Nada vai reparar o dano causado a minha imagem pessoal e política. Mas a decisão de ontem me anima a continuar acreditando que, quando se julga com base no direito, na lei e nos autos, a verdade sempre vence.

Agradeço a todos os que foram solidários ao longo desse processo: a imprensa independente, os juristas que se pronunciaram em artigos, líderes políticos de vários partidos e principalmente a militância do PT, que sempre me deu energias para seguir lutando de cabeça erguida.

Há outras batalhas pela frente e vamos enfrentá-las, confiando que o Brasil vai retomar o estado de direito na plenitude. E vai retomar o caminho da democracia para acabar com o sofrimento do povo. 

Gleisi Hoffmann, senadora e presidenta nacional do PT”

 

Com Agência PT,

 


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