Já são mais de 15 mil cartas de apoio enviadas a Lula, dentre elas a do amigo Ruy

Em Minas, durante a Caravana Lula Pelo Brasil – Foto: Ricardo Stuckert
por Sulamita Esteliam

Olha só que iniciativa bacana a matéria que compartilho a seguir, em vídeo. É pauta para qualquer veiculo de TV ou portal que se preze. Entretanto, é solenemente ignorada pela mídia nativa, por razões óbvias, e a principal delas é que o jornalismo, assim mesmo, com “j” minúsculo, perdeu a humanidade, e também a vergonha na cara.

Pois o Nocaute, blogue do colega Fernando Morais, que tem um canal no Youtube,  e uma equipe em ação, foi lá e cravou.

Mostra que ao contrário da narrativa cotidiana da mídia venal, o povo se importa, sim, com a injustiça a que está sendo submetido o ex-presidente Lula, encarcerado há 108 dias na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Talvez esse carinho, essa ternura que se traduz nas mais de 15 mil cartas que chegaram ao presidente nesse período, e a compreensão das razões que o mantém prisioneiro e silenciado, expliquem o porquê de Lula ser o líder absoluto de todas as pesquisas de opinião em praticamente todas as regiões do País; exceto talvez, no Sul e Centro-Oeste, por enquanto…

Aliás, a liderança se verifica também na “vaquinha” para financiamento da campanha.  Já foram arrecadados R$400 mil, o que dá em média R$ 91,53 para cada um dos 4.200 doadores até agora. Para colaborar, basta clicar em lula.com.br/doe ,

Já ensaiei várias vezes, mas ainda não escrevi minha carta para Lula; talvez nem chegue a fazê-lo.

Mas o meu amigo pernambucano, Ruy Sarinho, jornalista e homem de rádio, escreveu há alguns meses. Por minha insistência, cedeu a cópia para publicação. Mas só depois que recebeu uma resposta cortês do Instituto Lula, para onde, aliás, devem ser remetidas as cartas para o ex-presidente.

Publico-as agora, missiva e resposta:

Meu Presidente Lula,

Desculpe-me, mas esta carta, antes de ser para você, é para meu neto Gabriel, que, agora em julho próximo, completará sete anos.

Para Gabriel, porque espero que um dia ele leia esta e outras cartas que deverei escrever a partir de hoje para você e, como já disse, para ele.

São três horas e nove minutos desta madrugada chuvosa, de chuva fina, aqui em Candeias, praia do Município de Jaboatão dos Guararapes, de tantas lutas libertárias, e conhecida por essas lutas como a ‘Moscouzinho’ pernambucana, do Brasil.

Madrugada ainda cinzenta pela chuva fina que insiste em regar meus sonhos, inspirados nas suas lutas, nas suas ideias e ideias de homens como Dom Helder Câmara, um Santo, que pregava a luta contra a fome e contra a miséria, que você tão bem encampou quando chegou à Presidência deste grande, imenso, e desigual Brasil. Tão imenso nas suas medidas territoriais, quanto nas suas desigualdades, desde que foi invadido pelos portugueses em 1500.

Suas ideias, como as de Dom Helder, seus sonhos, são os mesmos que foram sonhados por outro cearense, como Dom Helder, o eterno Governador Miguel Arraes de Alencar, o “Pai dos Pobres”, o “Pai Arraia”, como era carinhosamente chamado por milhões de Josés, de Marias, de Severinos, pessoas olhadas por nossas elites, ou melhor, nem olhadas foram durante mais de quinhentos anos. Eram invisíveis para essas elites repugnantes. Pessoas tratadas como sub-raça, no signo da cultura permanente da submissão, da escravidão, das desigualdades.

Sonhos, também, de brasileiros como Gregório Bezerra, o Homem em ferro e flor, Francisco Julião, Celso Furtado, Paulo Freire, Leonel Brizola, do mineiro Darcy Ribeiro, Valdir Pires, Josué de Castro, Frei Caneca e tantos outros que fizeram e fazem da luta contra as desigualdades a razão de viver.

Escrevo para meu neto Gabriel, Lula, para que ele cresça cultivando o amor e não o ódio aos mais pobres. Para que ele seja, também, um lutador pela Justiça Social e pelo fim dos privilégios destas elites apodrecidas.

E por falar em ódio, Lula, duas palavras que usei nesta carta são os motivos da perseguição e do ódio implacável desta elite pobre contra você, ou melhor, contra todos os pobres, nutridos por conta destas duas palavras antagônicas: igualdade e desigualdade.

A inculta elite brasileira, que cultiva o complexo de vira-latas, de eternos colonizados do Tio SAM, nunca admitiu que um igual  a tantas Marias, Josés, Severinos…, um torneiro mecânico, chegasse a ser o Melhor Presidente do Brasil em toda a sua História. Eles querima que aquele “sociólogo” de Merda, da alta elite, fosse reconhecido assim pelo mundo. E o mundo, nem, nem, para esse almofadinha engomado, cheio de ódio, de inveja de você.

Esta elite forjou um juizeco iMoroal, um Judi$$iário promíscuo, um Congresso vendido e uma mídia tão hipócrita, quanto corrupta, para comandarem esta perseguição de ódio a você e aos milhões de brasileiros pobres, que eles querem ter como seus eternos cachorros de quintal, para limparem o mato da frente de suas mansões em troca de um prato de restos de comida.

A Casa Grande não perdoa um igual como Presidente. Igual ao seu povo, na origem e nos seus sonhos. Que luta contra as desigualdades, que pratica ensinamentos de Dom Helder.

Gabriel, seis anos; Lula, setenta e dois anos, tenham certeza de uma coisa, como Dom Helder dizia nas suas crônicas diárias na Rádio Olinda AM, intituladas “Um olhar sobre a Cidade”: – “Quanto mais negra é a noite, mais carrega em si, a madrugada”.

Lula, a sua madrugada será carregada de esperanças e de novas lutas, sempre. Sabe por quê? Porque você sempre fez tudo na sua vida com amor, com verdade nos seus objetivos solidários com as populações invisíveis.

Lula, lembro da grande Mestra arte-educadora pernambucana, Miryan da Costa Carvalho Didier, que me disse quando fui seu estagiário, em 1982: – “Tudo o que você fizer, faça com amor; até para varrer um chão, faça com amor, pegando na vassoura com vontade, com verdade”.

E este, Lula, este amor com que você governou o Brasil, tirando quase cinquenta milhões de pessoas da fome e da miséria, é a razão deste ódio da elite podre.

Lula, Gabriel, acho que Dom Helder está agindo lá de cima, das estrelas. O Céu não está mais tão escuro. Às quatro horas e cinco minutos desta madrugada, a claridade está chegando para iluminar os seus caminhos e de milhões de brasileiros invisíveis para a elite podre.

Um Grande Abraço.

Candeias, Jaboatão, 22 de abril de 2018.

Ruy Travassos Sarinho    

 

 

PS: Estou devagarinho, quase parando, devido uma crise de faringite que há muito não aparecia, mas que desde ontem me atazana. Cheguei a ter febre, mas hoje estou menos mal, e amanhã com certeza estarei melhor.  E vamos em frente…


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