Nós, desajustadas, unidas pelo veto ao inominável: #EleNunca!

por Sulamita Esteliam

Descobri esta semana que sou uma desajustada, porque fui criada por mãe, pobre. Mas não perdi o sono por causa disso. Afinal, não estou sozinha: nada menos que 40,5% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres, percentual que é quase o dobro do que era 15 anos atrás. Palavra do IBGE.

Quase metade da população é, portanto, miolo mole, sem rumo e sem prumo. Sem contar 95% da outra metade, que é preta  ou parda, e se branca ou assemelhada também é pobre.

E nesse contingente se incluem minhas duas irmãs e meu irmão, assim como três das minhas crias e pelo menos um terço dos meus 42 primos, vivos, só da parte de mãe.

Somos uma família matriarcal – e não falo tão somente da minha. Mesmo com homens vivos, provedores e presentes, as mulheres criam os filhos.

E não são poucos os lares em que é a aposentadoria dos velhos que sustenta a casa.

Ainda que provedoras ou partícipes da manutenção familiar, em algum nível, com seu parceiro,  a divisão do trabalho doméstico-familiar pesa no lombo feminino. E inclui o cuidado da prole.

As exceções são exceções.

Nossas mães nos criaram num tempo em que não era tão comum mulheres chefes de família. Aí, vale o singular e o plural.

Minha avó materna sempre foi a referência de autoridade para os oito filhos que pariu – e para pelo menos dois terços dos 49 netos que recebeu de presente, e que vicejaram.

Portanto, o parceiro de chapa do inominável, você sabe quem, poderia nos poupar de tamanha estultice, imbecilidade. O vice tem conseguido superar o cabeça.

A propósito, um recadinho do Lula para ele, se é que mourão tem ouvidos:

Curitiba, 19 de setembro de 2018

“General Mourão, não julgue avós e mães pobres pelo seu conceito medíocre sobre a espécie humana. Se o senhor já pensava assim não deveria ter chegado a general e muito menos querer ser vice-presidente. 
Eu e sete irmãos fomos criados por uma mulher analfabeta chamada Dona Lindu e duvido que exista alguém na sociedade brasileira que educou os filhos melhor do que ela. Pode ter igual, melhor nunca. 
General, um conselho, faça um curso sobre o Humanismo.”

Lula

Cabe perguntar de que tipo de arranjo familiar brotou e cresceu essa dupla de brucutus que se arvora em disputar o direito de conduzir o País. Foram criados por mães, pais ou avós?  É de se supor que cresceram em orfanatos? Ou seriam produtos de chocadeira?

Nem vem que não tem.

É bom que continuem vomitando asneiras, inflando a rejeição. Como diz o colega Palmério Dória, no Twitter, quanto mais falam mais a gente, do lado de cá do espectro político, cresce.

O que temos é a luta da civilização contra a barbárie, disse outro colega, o Beto Mafra, em grupo no zap-zap. O resto, diz ele, “é conversa de comadres” – os homens, mesmo bem-intencionados, acabam escorregando na casca do machismo…

E são as mulheres que vão brecar o coiso, o vice e seus asseclas manietados. Já somos a maioria da população – 51% em 2010, segundo o IBGE – e  no eleitorado, 52%.

O movimento contra a candidatura  – me recuso a escrever o nome do coiso – no Facebook já supera 2 milhões e meio de mulheres, com ataque de hackers, com tudo. Por que é assim que agem os robôs, em ataques massivos.

E dia 29, se ligue na agenda da sua cidade, milhares de vozes hão de ecoar Brasil e mundo afora: #EleNão #EleNunca #EleJamais

A despeito disso, por incrível que pareça, há mulheres que apoiam a candidatura do inominável.  Assim como há negros.

E há, também, quem sabe. até homossexuais que com ele cerram fileiras – talvez imaginando do que seria capaz o bofe.

Parece piada, mas a coisa é séria.

Há também gente, homens e mulheres, que se diz cristã, católicos e evangélicos.

Ouvi outro dia, via celular da moça que trabalha com meu filho, um pastor pregar, em programa na internet, o voto em você sabe quem…

Perguntei, “é isso mesmo que ouvi, um pastor pregando o voto nesse celerado!?” E ela, “pior que é. Esse povo perdeu a noção e quer fundir a cabeça da gente…”

Jesus, acenda a luz! Aonde foi parar seu Evangelho? Desça por aqui e, como fez com os fariseus, quebre os templos que não lhe são fieis.

Um sujeito que é misógino a ponto de declarar publicamente que a filha que brotou de seu sêmen é fruto de “uma fraquejada”.  E que confessa que preferia ver os filhos mortos a vê-los gay.

Um sujeito que diz que se fosse patrão, pagaria salário menor para mulher, porque elas engravidam e parem.

Um sujeito que acha o estupro natural, desde que a mulher mereça.

Alô, alô, mães e pais, prestem atenção!

Um sujeito que em 30 anos como parlamentar não tem um só projeto de sua autoria. Mas que é co-autor de projeto de lei que suspende o atendimento pelo SUS de mulheres em situação de aborto.

Um sujeito que vota, sistematicamente, contra os direitos dos trabalhadores e os direitos civis.

Um sujeito que pede voto, e se fez através dele, e joga suspeita sobre a apuração das eleições, por que se sente ameaçado em sua escalada.

Um sujeito que apoiou o golpe,  que defende a tortura e os torturadores, que apoia milícias e diz que vai fechar o Congresso.

Um  sujeito que chama negro de preguiçoso, que ofende indígenas, bota arma na mão de criança e defende a guerra civil para resolver os problemas do País.

Já temos a nossa guerra civil: a luta pela sobrevivência, para não sucumbir à fome, à disputa pelo poder do ponto de droga, à execução cotidiana de jovens pobres e negros por agentes públicos e pelo soldados do estado paralelo…

Pelo amor…!

Você tem filhos, tem netos? Pense neles, se não é capaz de se solidarizar com o próximo.

E nem vamos falar de honestidade, que tanto apregoa. Há pelo menos duas acusações de favorecimento ilícito contra ele. Todavia, estão sob investigação e concedamos a ele o que nega aos outros – o benefício da dúvida e o devido processo legal.

E nem vamos falar do programa econômico, que nem sabe por onde passou. Seu assessor e, se Deus tal não permita, seu ex-futuro ministro, quer nivelar a taxa do Imposto de Renda em 20%.

Ou seja, se hoje o pobre já paga imposto para o rico, vai pagar ainda muito mais.

No popular, o sujeito é um verdadeiro 171. No Código Penal:

“Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

Chega a ser tragicamente cômico, situação tão bem capturada pela genialidade de Renato Aroeira, de quem raptei as imagens que abrem a postagem. Não me canso de agradecer a generosidade do artista.

Desculpe-me, mas se você é parte das minorias, se diz cristã/o ou humanista e considera votar num cara desses, das duas uma: ou é suicida, ou perdeu o tico em algum bloqueio cerebral pelo caminho. O teco, bem, o teco…

*******

PS: Terça foi impossível chegar ao blogue. Meu cotovelo voltou a dar o ar da graça, sem graça nenhuma. Estou em processo de revisão ortográfica do meu primeiro livro, Estação Ferrugem, publicado há 20 anos, com vistas a futura edição – ainda sem contrato com editora alguma, mas com perspectivas. Isso tem consumido meu tempo, e a epicondilite reativou. Mas é minha prioridade no momento. Sei que compreende.

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Postagem revista e atualizada dia 21.09.2018, às 10:11 hs: inclusão de item sobre o desempenho do inominável como deputado; em 28.09: correção do número de primos vivos.


2 comentários sobre “Nós, desajustadas, unidas pelo veto ao inominável: #EleNunca!

  1. AS MULHERES representam hoje 52% do eleitorado brasileiro, o que corresponde a 77 milhões de eleitoras em todo o país.

    A grande maioria das mulheres brasileiras são declaradamente contra o fascista Bolsonaro,

    Parece mesmo que estas eleições serão decididas pelas mulheres que vão escolher entre a restauração da democracia ou o estabelecimento do fascismo em nosso país.

    Por outras palavras: OU Fernando Haddad e a civilização, OU Bolsonaro e a barbárie.

    Vocês decidem, meninas !!

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