Os ares do dia seguinte ao primeiro turno

por Sulamita Esteliam

Estou de ressaca cívica. O excesso de adrenalina me deixa em frangalhos.

Recupero-me enquanto busco subsídios para escrever algo que não redunde em pregação. Na blogosfera pululam conselhos sobre o que deve fazer o candidato Fernando Haddad para vencer o coiso ruim no segundo turno.

Quem sou eu para iniciar pai-nosso ao vigário. Haddad é professor, advogado, economista e cientista político – além de músico e dono de gentileza, tranquilidade e empatia ímpares.

Tem experiência política e aptidão executiva: foi ministro da Educação por sete anos e prefeito e da terceira megalópole do mundo. Sua administração, embora bombardeada pela mídia venal, foi premiada internacionalmente como inovadora e humanizadora.

Há quem prefira capitães de guerra, brucutus e coronéis arranca-tocos. E quem paga por isso é o País, é sobretudo o Zé e a Maria Povinho.

Pensar além do umbigo ajuda a construir e não dói. Mas uma coisa que fica  cada dia mais evidente é que ignorância e egoísmo desconhecem classe social.

A despeito do aval de Lula e da reverência partidária, Haddad chegou ao segundo turno com as próprias pernas. Ou não teria conseguido absorver a transferência de votos do líder.

Venceu a especulação, a difamação, a manipulação, a má vontade e os algoritmos.

É o  indicado de Lula, sim; o homem que encarceraram, bloquearam e censuraram para que não vencesse as eleições no primeiro turno.

É o candidato do PT, sim, o partido que tentaram destruir, mas que emerge com quase 30% das intenções de votos em “seu poste”.

Claro que precisa buscar aliados para vencer o inominável, e está tratando disso.

Queiram ou não queiram os juízes e manietados de plantão.

Como a minha paciência está curta, melhor debrear. O caminho é para frente e para o alto.

Compartilho o texto abaixo, a meu ver a melhor análise do resultado do processo eleitoral até aqui.

Todos pela democracia, agora é Haddad

Brazilian presidential candidate Fernando Haddad attends a rally in Belo Horizonte
Haddad encarna a esperança de um Brasil com Democracia e Liberdade – Foto: Ricardo Stuckert
por Arnobio Rocha* – no blogue do autor

O país virou à Direita, isso é fato.

Entretanto, a Direita não conseguiu esmagar a Esquerda, como desejava, nas palavras de um dos filhos de Bolsonaro: “depois de domingo, vamos usar os coturnos sobre vocês”, não vão. PT e PDT, juntos rivalizaram em pé de igualdade com o candidato que concentrou o voto útil à Direita.

As eleições de 2018, ratificam 2014, no legislativo cada vez pior, tendo destroçado PSDB e MDB, surgindo forças a e figuras declaradamente fascistas. Elas confirmam os ventos das jornadas de junho de 2013, que foram capturadas pela Direita, tomando a primazia da Esquerda, das ruas e, principalmente, no novo palco de embate: as redes sociais.

Sem juízo de valor sobre se o predomínio é por conta de algoritmos ou se na produção de memes/fakenews. O movimento extremamente conservador se apoderou desse importante instrumento de debate político, ideológico e de comportamento.

A opção pela extrema-direita é uma resposta ao fracasso das forças conservadoras de centro-direita tradicionais de vencer nas urnas a Esquerda e centro-esquerda.

É também um alerta para as forças progressistas de que o modo tradicional de fazer política se esgotou, A democracia formal, representativa baseada no voto, nos acordos e nas campanhas milionárias chegou ao seu limite. Somos vistos com desconfiança pela falta de transparência e loteamento de cargos, troca de favores, ainda que em nome da governabilidade e de políticas sociais efetivas.

É preciso constatar que o PT sobreviveu e teve quase 30% dos votos, mesmo sob de ataques ferozes midiáticos intensos por mais de 15 anos, dirigentes presos, interditados, o que significa, também, que para uma parcela enorme da população, o PT ainda representa a resistência ao Kapital, suas políticas excludentes e violência sobre os mais pobres.

Somados os votos no campo da esquerda, Ciro, Boulos e Haddad, dão 42,3%. É uma estupenda votação, que se transforma num enorme capital no enfrentamento à extrema-direita. Representa os que querem Democracia e liberdades, os direitos e igualdade das mulheres, a força dos negros, a diversidade LGBTQ.

Ainda há um voto conservador, mas no campo da Democracia, que precisa ser conquistado, pois a próxima batalha será entre civilização e barbárie. O momento é de construção de uma frente ampla de esquerda e de democratas, com um governo de Unidade Nacional para que o país não caía nas mãos daqueles que dizem e repetem que não têm compromisso com a Constituição e com a Democracia.

A maior Vitória foi ter conseguindo um 2º turno, e isso não é pouca coisa. A campanha massiva de voto útil no candidato clandestino, que não apareceu, surtiu enorme efeito no Sul e Sudeste. Entretanto o heroico povo nordestino deu ao Brasil a CHANCE de se conhecer quem é Bolsonaro.

Ele terá que aparecer, ir ao debate, não serão apenas memes e fakenews, ou dizer que é “contra tudo que está aí”,  ou”contra o PT vale qualquer coisa”, não funcionará. A mensagem por um segundo turno significa que o Brasil votou: Pelo debate.

A tarefa para Esquerda é hercúlea, mas com paciência, sem pedantismo, explicar e debater com todos e todas, em todos os lugares,  por que votar em em Haddad é votar pela Democracia, na luta por um Brasil, sem ódios e violência, de todos os povos e cores.

À Luta!

* Arnobio Rocha é advogado e escritor, trabalha com Telecomunicações e Direito


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