Cidadão “de bem” tem licença para matar…

por Sulamita Esteliam

Vou repetir aqui o que postei mais cedo nas redes sociais: o Brasil mata por ano 62,5 mil pessoas, a maior parte delas, pretos e pardos – 71,5%. É uma guerra civil cotidiana, que dispensa adereços e estímulos.

Os dados são do Atlas da Violência 2018, do Ipea, e se baseiam nas informações consolidadas pelo Ministério da Saúde no período 2006-2016.

No entanto, o desgoverno bananeiro quer mais. Afinal precisa pagar a conta da eleição, e a indústria armamentista está aí, de boca escancarada, feito jacaré do papo amarelo à beira do rio.

Que o diga o ora ministro-chefe da Casa Civil, cujo nome mais se assemelha a marca de produto de limpeza.

No país do faz de conta, cidadão “de bem” tem licença para matar.

Ah, sim, as ações da Taurus despencaram na Bolsa de Valores, após o anúncio do decreto. A queda superou 20%;

Justo no dia em que o decreto estapafúrdio foi assinado, uma jovem de 22 anos foi assassinada a tiros dentro do seu local de trabalho: uma loja num shopping em Maracanaú, área metropolitana de Fortaleza, no Ceará.

O algoz é mais um dos milhares de executores de feminicídios país afora. Jovem, também, de 25 anos, que na sequência da danação, suicidou-se.

Ele também vítima, não somente do próprio desvario, mas da cultura de posse do macho sobre a fêmea, que não aceita rejeição. Cria do machismo patriarcal, que colocam a mulher como objeto de todos os desvarios de seu “dono”.

Mais e mais mulheres, a despeito do rigor da lei, morrem por falha também das medidas protetivas do Estado. E dizem que é por amor.

Quem ama não mata.

Todavia, no país campeão de homicídios e o quinto no rol das nações que mais assassinam mulheres, e que mata mais do que nos países em guerra declarada, incentivar a posse de armamento é uma aberração, uma a mais.

Quem se preocupa com a vida de seu povo não arma.

Tem razão a colega Helena Chagas, que bloga no sítio Os Divergentes: o ora presidente do Brasil ainda não desceu do palanque.

Azar o nosso. Que se danem as mulheres, o Zé e a Maria Povinho, as criancinhas, digo eu.

Até porque, ela avalia, não está preparado para debater o que realmente importa: emprego, previdência… E Euzinha acrescento: educação, cultura, direitos civis e as patranhas do Queiroz e seus, dele também, pimpolhos.

Triste Brasil.

PS: O Partido dos Trabalhadores promete recorrer contra a decreto no STF. O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta, vai mobilizar seus pares por decreto legislativo que anule os efeitos da medida. Obviamente, quando o Parlamento voltar do recesso, em fevereiro.

Tomara, porque em março tem Carnaval.

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Postagem revista e atualizada em 17.01.2019, às 17;46hs, hora do Recife: correção do número de homicídios/ano no Brasil: 62,5 mil e não milhões, como postado originalmente. “Ou não teríamos mais população”, observa o maridão Júlio que percebeu a navegada…  Minhas desculpas.

 

 


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