Para derrotar o capiroto e o dar uma chance ao Brasil, só anulando a eleição

por Sulamita Esteliam

Que #BastadeBolsonaro hoje até as pedras do paraíso de Abrolhos, onde a mancha de óleo cru chegou nesta segunda-feira, sabe.

Motivos pululam, mas o principal deles é a destruição de direitos do povo brasileiro, tanto quanto as ameaças de totalitarismo explícito. É o que deveria mobilizar as pessoas e puxar a agenda de protestos.

Como, aliás, destaca o afiadíssimo artigo do colega blogueiro Arnóbio Rocha., onde capturei a charge que abre esta postagem. Ele chama a atenção para o diversionismo, já apontado outras vezes aqui no A Tal Mineira, que representam as bizarrices da famiglia, enquanto o que importa, a cidadania e o patrimônio público é destruído de forma avassaladora. 

“Todos os direitos trabalhistas, previdenciários foram dizimados, começou com Temer e aprofundado agora. Essa realidade paralela produzida pela família Bolsonaro, não impediu que o Kapital impusesse o mais duro ajuste contra os trabalhadores nos últimos 50 anos.

Parece que nada sobrará dos direitos sociais, o avanço destruidor, sem nenhuma reação, pois os olhos e mentes continuam concentrados nas bobagens e bizarrices do stand up comédia presidencial, sem que se perceba, onde a bola rola, efetivamente.”

Os movimentos sociais e sindical, através da Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, UNE, MST convocam para esta terça o #5NContraoAI5. Na verdade, uma redução hastagariana dos mil e um motivos para se dizer Basta! Ditadura Nunca Mais.

O primeiro pedido de impeachment, aliás, foi protocolado nesta segunda-feira na Câmara dos Deputados pelo Instituto Anjos da Liberdade. O motivo: interferências no caso Marielle Franco.

No entanto, a pergunta que não quer calar, a despeito do crime de responsabilidade caracterizado de fato e de direito – diferentemente do golpe parlamentar-jurídico-midiático que depôs a presidenta Dilma, é a quem serve o impeachment do capiroto?

Já escrevi algumas vezes sobre isso aqui no blogue. É trocar seis por meia dúzia ou, se preferem, sair do espeto para cair na brasa. Do ponto de vista das reformas neoliberais, que não servem à maioria da população, mas tão somente ao capital financeiro, Mourão é muito mais eficaz do que o delirante que ora ocupa a cadeira presidencial.

O que parece não ser levado em conta pela maioria das pessoas, inclusive de esquerda, é que a pauta obrigatória é pressionar pela anulação da eleição presidencial, fraudulenta.

Elementos não faltam para isso, e o TSE está fartamente documentado a respeito. O povo brasileiro teve sua vontade fraudada e tem o direito a escolher novamente.

O cientista político, jornalista e cartunista, Gilberto Maringoni, professor da UFABC não toca nesta questão específica, para mim lapidar, mas escreve com vigor as razões pelas quais o impeachment não nos serve.

Transcrevo:

por Gilberto Maringoni – do perfil do autor no Facebook:

“GENTE, POR FAVOR, GRITAR FORA BOLSONARO NÃO GARANTE NADA

Há quem considere que protocolar na Câmara – com formulário em diversas vias, carimbos e assinaturas – o pedido de impeachment de Bolsonaro seja medida radical. Há gente muito boa com tal concepção.

Contudo, isso significa não examinar corretamente como se formaram as gigantescas mobilizações no Equador e no Chile. Elas começaram com reivindicações concretas, como preço de transportes, aposentadorias, emprego decente etc.

“Bolsonaro cairá quando parcelas consideráveis da população tiverem ciência de que seus infortúnios privados são decorrentes de decisões públicas por parte de um determinado autor. Isso está longe de acontecer, por mais que nós – em nossa estimulante bolha virtual – achemos o contrário.

Gritar “Fora Bolsonaro” conforta nossas atormentadas almas, mas nos exime de buscar alternativas reais às dores coletivas de nossos semelhantes em volta.

Sacramentar o impeachment como solução deve levar em conta alguns pressupostos:

1. PODEMOS TER MOURÃO na presidência, com um governo neoliberal muito mais eficiente e capaz de atrair setores centristas,

2. NADA GARANTE que um eventual impedimento de Bolsonaro leve junto Paulo Guedes e seu projeto sulfúrico de destruição nacional. A hegemonia financeiro-privatista nos acompanha desde Dilma II e se aprofundou com Temer. Ela segue impávida. Aí está o poderoso inimigo principal das grandes maiorias a ser efetivamente combatido,

3. QUEM PREGA O IMPEACHMENT precisa urgentemente mudar a terminologia do ocorrido em abril de 2016 nesse canto do universo,

4. PRECISA TAMBÉM admitir que qualquer governo de esquerda que sofrer um processo de impeachment não estará diante de um golpe.

Bolsonaro tem de ser derrotado. Urgentemente! Isso só se dará com mobilizações sociais de grande envergadura. E essas só acontecerão quando milhões de pessoas forem sensibilizadas a entrar em ação por seus problemas reais, materiais e concretos.

É duro. Sofremos duas derrotas sérias, em 2016-18. Não há atalhos ou analgésicos contra elas..

P.S. O Diretório Nacional do PSOL aprovou – por maioria – não adotar a campanha pelo impeachment como centro de sua tática. Agora, grupos em seu interior e parlamentares do partido – que vivem a falar em democracia – vêm a público externar a posição refutada. Um dia ainda vou entender essa peculiar noção de democracia.”

 


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