O Universo em rede e as surpresas pelo caminho…

Conexões – Foto: Internet
por Sulamita Esteliam

A vida é mesmo uma boa caixinha de surpresas. É lugar comum, bem sei. Contudo, sou do tipo que prefere acreditar que nada é por acaso neste Universo cheio de curvas e buracos negros para a gente escorregar, se perder e/ou se encontrar…

Pois não é que há poucos dias meu correio eletrônico me brinda com uma mensagem inesperada, e adorável! Daquelas de ser grata à vida por não estar nela a passeio.

Uma mineira procurando notícias da “doutora Rosa”, alvo de emoções explícitas desta velha escriba quando do seu encantamento, me encontrou. Taí um dos lados espetaculares, no bom sentido, da internet.

O poder da comunicação é circular e não tem, mesmo, limites, sobretudo nesses tempos cibernéticos. E para quem não se furta ao mundo, conquistar amigos é trilha natural em qualquer tempo, lugar e meio.

Descobertas que acabam se tornando recíprocas. Prova de que, definitivamente, nada é plano neste mundo de meu Deus.

Vou direto à mensagem – que acabou se tornando uma conversa via email, como nos tempos que já parecem longícuos – para economizar teclinhas:

Em qui., 14 de nov. de 2019 às 23:03:
Sulamita, boa noite. Meu  nome é Virginia e sou de BH.

Você não me conhece. E eu não te conheço também, mas já gosto de você. Demais.

Cheguei ao seu contato depois de chegar, por acasos da internet, ao seu blog (A Tal Mineira). E cheguei ao seu blog buscando no Google informações sobre uma pessoa que me marcou profundamente, pela qual eu nutro um profundo respeito: Dra Rosa Maria da Conceição e Silva.

Escrevo esse comentário profundamente emocionada (muito muito mesmo), após a leitura do texto em homenagem a ela, escrito por você. Fui paciente da Dra Rosa (minha querida e amada Dra Rosa) por alguns anos, quando trabalhávamos na FUNED. Ela se aposentou da Fundação e eu deixei o trabalho lá, mas continuei sua paciente de acupuntura por alguns anos ainda. Suas agulhinhas e nossas conversas sobre literatura (Garcia Marques, Saramago, Drummond, Guimarães Rosa e outros, muitos outros…),  cinema e vida, durante as sessões de acupuntura, me salvaram de uma profunda tristeza e permitiram que eu conhecesse um ser humano maravilhoso.

Depois que ela mudou para São Paulo, não nos vimos mais. Escrevi algumas vezes e fiz planos para vê-la, durante algumas passagens minhas pela cidade, mas nunca conseguimos concretizar os encontros, por motivos diversos da vida.

Ano passado escrevi um email querendo saber notícias e ela me respondeu uma mensagem doce e amorosa, contando que estava doente mas que eu não ficasse preocupada, porque ela estava bem. Que ser humano é esse que, enfrentando um câncer, ainda pede para que o outro não fique preocupado por sua doença? Que ser humano é esse? É a Dra Rosa. Humana, corajosa, dedicada, delicada, solidária… 

Na virada do ano (2018-2019) escrevi outro email para saber mais notícias, e não tive resposta. Imaginei que ela havia falecido. Continuei buscando mais informações na internet, já que não tinha nenhuma outra fonte de contato (telefone, endereço…). Dra Rosa e eu nunca fomos amigas íntimas, nunca frequentei a casa dela, nunca saímos juntas. Mas, sabe essas pessoas que você se identifica assim, de graça? Fácil?

Nunca deixei de pensar nela e de ser grata por tudo o que ela fez por mim.

Hoje cheguei ao seu blog e veio a confirmação da minha suspeita. Fiquei triste. É sempre triste quando uma pessoa boa morre. Principalmente um ser humano como ela. Mas, ao mesmo tempo, é bom saber que ela não sofre mais as dores da enfermidade que, tenho certeza, ele enfrentou com coragem e determinação, como você mesmo escreveu no texto.

Essa mensagem, escrita de improviso, é para te agradecer pelo texto e pela homenagem a ela, à Estrela Rosa Maria. E por disponibilizar seu lindo texto a todos. 

Vou acompanhar seus escritos no blog e procurar seu livro. Sou professora e as temáticas dos direitos humanos, do feminismo e da cidadania me interessam demais. 

Obrigada Sulamita. Muito obrigada.

Um abraço carinhoso.

Virginia Ribeiro 

Em sex., 15 de nov. de 2019 às 20:54:
Olá Virgínia!
Suas palavras me tocaram profundamente. Estou aqui emocionada.
Rosa era mesmo uma joia rara de delicadeza, sensibilidade e generosidade.
Obrigada por suas palavras e que bom que agora tenho em você uma leitora do blogue.
 
Pergunto se posso compartilhar seu texto no A Tal Mineira.
 
Sim, e lhe digo que, se vc quiser o livro dedicado, posso postar para você pelos Correios. (…) É só me passar seu nome completo e endereço com CEP. Qdo postar, lhe passo meus dados bancários e vc. deposita.
 
Caso não faça questão do autógrafo, é só clicar na imagem do livro na coluna à direita do blogue, se vc usa computador; ou clicando no título de qualquer matéria, rolando a tela para baixo até a imagem do livro. Clique e chegará à página da editora, onde vc pode adquirir o exemplar impresso ou ebook. No caso, opte pela Viseu, que sai mais em conta por conta do frete.
 
Deixo meu telefone, que é zap, para facilitar, caso a opção seja direto comigo: 81-9…
 
Abração.
 
Sulamita
 

Em quar., 20 de nov. de 2019 às 11:50:

Olá Sulamita!

Que alegria receber sua mensagem! Sobre publicar o texto no blogue, claro que sim! Que honra para mim! Fico feliz e agradecida!

Agora há pouco li seu texto sobre o Festival Lula Livre em Recife. Imagina em Recife! Que festa! Que vontade de ir! Pena que não deu. Lula é um símbolo do povo, é amado pelo povo, representa o povo. Por isso tanto ódio contra ele. Mas esse homem é uma fortaleza!

Em tempos de tanta vergonha em ser brasileiro, de tanta vergonha ser da mesma terra das pessoas que elegeram esse projeto perverso que está na presidência, Lula nos faz ter orgulho de sermos compatriotas dele, de pertencermos ao Brasil do Lula. Que orgulho desse homem! 

Quanto ao envio do livro, quero o livro autografado sim. Vou deixar aqui o endereço para envio, mas se preferir te mando via whatsapp também.

(…)

Sua origem é Caetanópolis e a minha é Cordisburgo. Sou registrada e cresci em BH, mas minha família paterna é de lá, dos “…domínios do Tabuleiro Grande Roseano…”. Minha avó foi a maior raizeira de São José das Lajes e dela herdei o nome e o amor às plantas e aos animais. “O Curvelo vale um conto/Cordisburgo um conto e cem/mas as Lajes não tem preço porque lá mora o meu bem…”

Quero aproveitar a mensagem e comentar outra coisa: lendo seu texto, vi que você cita o nome do filho da Dra Rosa, o Ismael. Ismael dos Anjos… assim como o Ismael dos Anjos, do projeto “Papo de Homem”.

Achei a coincidência dos nomes grande demais. Aí, encontrei um texto do Ismael, no site do Papo de Homem, uma homenagem do Ismael ao pai, Tarciso.

Gente… o Ismael dos Anjos é o filho da Dra Rosa? É isso? Não acreditei! Não tô acreditando até agora!

Eu conheço o site faz mais de um ano! Compartilho os textos deles com meu irmão, com meu companheiro, com amigos. Gosto demais! Assisti recentemente ao documentário “O Silêncio dos Homens”. Tô chocada com essas coincidências! 

Então tá Sulamita… já escrevi demais. rsrsrsr

Seguimos em contato e aguardo o livro e as informações bancárias para depósito. Mas faça quando puder, sem pressa. No seu tempo.

Um abraço carinhoso para você!

Em tempo: onde estiver, a “dra Rosa” deve estar sorrindo larga e gostosamente, como só ela sabia fazer, boca e olhos abertos para a ternura e a delicadeza.

Salve Rosa Maria, obrigada!


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