A mídia esconde a greve, mas não consegue aprisionar os escândalos do Brasil em pedaços

por Sulamita Esteliam

Na imprensa tradicional, comercial, e que Euzinha chamo de venal, pois conheço por dentro, impera o silêncio. Em todas as tevês, em todos os jornalões – pretensamente nacionais, e nos regionais também, quase sempre correias de transmissão. Só é notícia decisão contrária ao movimento.

Mas os petroleiros estão em greve há 12 dias, e a greve segue forte, a despeito das decisões autoritárias da direção da empresa e da Justiça. É a maior desde 1995.

Perto de 100 unidades estão paradas – 50 plataformas, 23 terminais, 11 refinarias, 7 campos terrestres, 5 termoelétricas. Mesmo sob o tacão do TST , que impôs multas pesadas aos sindicatos principais e à FUP – e agora do STF, via Dias Tofolli, seguem firmes no protesto por seus direitos trabalhistas e do emprego de milhares.

Desde janeiro, outras categorias já estiveram em greve, não apenas contra o desrespeito a seus acordos coletivos e/ou para manter a integridade de seu trabalho. Todas omitidas, tanto quanto possível.

Todas elas em setores públicos essenciais ao desenvolvimento e/ou à segurança de dados do país, como é caso dos trabalhadores do Serpro,  da Dataprev e da Casa da Moeda.

A greve é pelo Brasil.

Nosso patrimônio, a entrega das nossas riquezas ao capital internacional, a preço de banana. É parte do desmonte do país que, minimamente, já vislumbrou o futuro e agora só enxerga o chão mover sob seus pés.

É a consequência de um desgoverno incompetente, machista, misógino, homofóbico, mentiroso, falastrão, autoritário, delirante e fascista. Um desgoverno onde reinam a grosseria, a truculência, preconceitos de toda espécie, o desrespeito para com a nação e seu povo.

Onde ministros deslumbrados e patéticos, alguns envolvidos até o pescoço com malfeitos, esfregam na nossa cara seu desprezo por tudo que possa assemelhar civilidade ou bom senso.

Quando a correia aperta, saem com todo tipo de ataques e aberrações. O inimigo é qualquer um que lhes apontem as falhas.

Da fúria insana não escapa nem a imprensa, que passa pano para a sujeira produzida em série – e que ajudou a essa horda chegar aonde chegou. E aí de quem pisar fora da linha do é comigo ou contra mim.

É o caso da jornalista da Folha SP, Patrícia Mello, difamada em plena CPI da fake news, a ponto de a própria Folha sair em sua defesa. Tudo porque a colega ousou fazer o dever de casa e desmascarar, com farta documentação, o uso ilegal de disparo em massa de fake news que levaram à vitória do capiroto nas eleições presidenciais.

Sabujos adestrados.

Freud e síndrome de inferioridade, dada ao despreparo, já diagnosticou o doutor Dráuzio Varella em programa de TV recente. O complexo de vira-latas e a impotência explicam, mas não justificam.

Tudo ao modo e bem ao gosto do capiroto-chefe. Diga-se, escalado para fazer o serviço sujo, pois que os financiadores não precisam botar as mãos na massa,  a não ser com e por dinheiro.

Bem, há controvérsias.

O banqueiro Paulo Guedes, supremo-afundador da economia e da dignidade, por onde passa – o povo do Chile que o diga -, não se cansa de vomitar sua indigência emocional e intelectual, dia após dia. A bem da verdade, como a maioria absoluta da equipe que desgoverna  e empata o a vida, a educação, a soberania e o prazer deste país, como nunca dantes.

Não basta nominar servidores públicos como “parasitas”, depois de sugerir vender a Amazônia e até o Pão de Açúcar. Hoje , para justificar nova alta colossal do dólar, foi a vez das domésticas, aquelas que, mesmo ganhando salário mínimo, se davam ao luxo de “uma farra danada”, três vezes por ano, na Disney.

É preciso registrar que a trepeça é filho de uma funcionária pública, do IRB – Instituto de Resseguros do Brasil.  Graduou-se economista em universidade pública, a UFMG. Foi para a Universidade de Chigago, EUA, com bolsa do CNPq. Deu aulas no Institto de Matemática Pura Aplicada, RJ, também público.

É desse jeito!

Coerência e memória não são qualidades universais. Já mau-caratismo tende a se reproduzir feito protozoário.

Quando se completam 700 dias da execução da vereadora do PSol, Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes – que guiava o carro em que foram assassinados, no Rio de Janeiro -, o Brasil e o mundo ainda não sabem quem os mandou matar.

Quem poderia dar a fonte, agora também é defunto, ao que tudo indica, provavelmente sob encomenda.

A questão em torno de quem mandou, ou convenientemente lavou as mãos, permanece também aqui.

Arquivo morto não fala.

Mas os rastros nem sempre são apagáveis. Há 13 celulares por aí que podem dizer mais do que o defunto quando vivo. Se a polícia – da Bahia ou do Rio ou as duas juntas? – apreendeu, tem que mostrar.

O corpo, de que apenas se tem notícia, ninguém viu, fala sim.

A juíza, que nesta quarta proibiu a cremação solicitada pela família de Adriano Magalhães da Nóbrega, anotou, a partir do atestado de óbito, corrijo: “politraumatismo csusado por objeto perfurocontundente”. E as fotos divulgadas mostram um rio de sangue no interior da casa.

O laudo da necrópsia, divulgado esta tarde pela polícia baiana, no entanto, dá conta de que ele teria sido morto por dois tíros.

Mas, como assim “objeto contundente”, se foram tiros que abateram o miliciano, ex-policial de elite, capitão do Bope, que teria resistido à prisão, numa casa isolada, cercada por sete policiais, no meio do nada da Esplanada na Bahia? Sítio de um vereador do PSL, o partido sob cujas asas o capiroto chegou ao Planalto.

E tudo isso depois de escapar, cinematograficamente, semanas antes, atravessando quilômetros de mangue, de cerco da Polícia Federal num condomínio de luxo na Costa do Sauípe.

Tem razão a magistrada de plantão, quando argumenta que, dada as circunstâncias, há muito o que se investigar sobre a morte. Sua decisão foi renovada esta tarde por juiz titular, a pedido do Ministério Público Estadual do Rio, por motivos óbvios: o corpo do defunto pode falar, o que calou, e se calou,  na sua boca.

Pelo sim, pelo não, Queiroz que se cuide.

Miliciano Adriano Maghal~hães, ex-capitão do Bope RJ – Foto: Reprodução

Curioso é que havia um silêncio sepulcral da família do capiroto, íntima do ex-chefe da milícia fluminense conhecida como o Escritório do Crime. Foragido desde a menção de seu nome na organização do duplo homicídio,

Aliás, só o governador Witzel, do Rio, tinha falado sobre o assunto até agora. E quase que numa confirmação das suspeitas sobre Estado executor; “Fizeram o que tinham que fazer”.

Uma banana foi a resposta do primeiro mandatário da res-pública, quando perguntado pelos coleguinhas humilhados diariamente na coletiva matinal do Palácio da Alvorada. É o nível.

Também o ex-juiz inquisidor, xerife da moralidade nacional, ora ministro sob a pecha de “capanga da milícia”; que lhe cravou na testa o deputado Gabriel Braga (PSol-RJ), nesta tarde, em audiência pública, na CCJ da Câmara, sobre a tentativa de ressuscitamento da prisão em segunda instância, defendida pelo Moro.

Cabra bom esse Glauber! Evidente que sua coragem, ousadia e estilo sem papas na língua não sai barato. Deputado ex-policial xingou sua mãe no plenário, e está sob ameaça da milícia troleira que ainda venera o capiroto.

Já o ex-juiz inquisidor, ora ministro da Justiça, bem a seu estilo, defendeu-se jogando no colo do governo da Bahia, que é do PT, a morte do miliciano. Ele que havia omitido da lista de criminosos procurados o sujeito que era alvo de captura da Interpol.

Nada fora do script.  Bem disse o deputado Glauber ao introduzir e fechar sua fala: “lobo em pele de cordeiro”.

Ruy Costa, o governador, permanece mudo. Até agora, deixou que se encarregue do assunto seu secretário de Segurança; que, claro, defende a operação e a versão de confronto inicialmente divulgada.

Aguardemos os próximos capítulos. Mas que a novela cheira a dejà vu, lá isso fede.

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Postagem revista e atualizada com novas informações sobre o ministro-“parasita”, às 10:19 horas.

Nova atualização, às 16:43 horas para corrigir informação sobre atestado de óbito do miliciano Adrisno Nóbrega.

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