#8M 2020: bora pra rua, mulherada! Pelas nossas vidas e contra o desgoverno que tudo destrói

#EleNão Recife 2019, concentração na Praça da Democracia – Foto: SEsteliam
por Sulamita Esteliam

O câncer do feminicídio avança junto com a disseminação da violência geral, estimulada pelo desgoverno do capiroto. Não é dedução. É fato traduzido pelos números, que não dão conta da realidade, pois nem todos os estados computam gênero como causa de homicídios; e mesmo onde o fazem, a sub-notificação ainda é problema.

Em 2019, só para ficar no último ano, o assassinato de mulheres pelo fato de ser mulher cresceu 7,3%, segundo o Monitor da Violência: 1314 crimes de ódio por razão de gênero, contra 1225 do ano anterior. Uma mulher morta a cada sete horas – e não inclui dados três estados, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins.

Sempre se pode argumentar que o aumento se deve à adesão das secretarias de Segurança Pública à classificação, obrigatória por lei, de feminicídio como causa da matança de mulheres, que segue na contramão dos crimes dolosos contra a vida – no geral e também de mulheres.

De qualquer forma, onde havia vida, brotam estatísticas, cada vez mais sangrentas. É barbárie em estado puro.

É contra esse estado de coisas, fruto da misoginia e do obscurantismo como política de Estado, e não apenas por igualdade, que as mulheres vão às ruas neste 8 de Março em todo o Brasil.

No Recife, devido ao feriadão que inclui a Data Magna, nesta sexta, 6 a marcha se dá na tarde da segunda, 9, a partir do Parque 13 de Maio. Em Beagá, a concentração é na Praça Raul Soares, a partir das 9 horas do domingo, 8 – conforme adiantou o A Tal Mineira.  Ao pé da postagem o rol de atos Brasil afora.

É pela vida das mulheres, pelos direitos sociais e trabalhistas e, portanto, contra o desgoverno do capiroto!

Unidas sob este lema, coletivos do movimento de mulheres e dos movimentos sociais,  sindicatos de trabalhadoras da cidade e do campo, ONGs e partidos políticos de esquerda e do campo progressista se unem para dizer #Basta!

Quem tem memória há de lembrar 2018, quando nas ruas de todo o país ecoou o grito das mulheres: #EleNão!

Não foi por falta de aviso.

Transcrevo a convocatória unificada, a partir do jornal GGN:

Mulheres contra Bolsonaro, por nossas vidas, democracia e direitos

Em 2018, milhões de mulheres ocuparam as ruas do Brasil para dizer de forma sonora que o projeto político ultraneoliberal e conservador apresentado por Bolsonaro não nos representa e ameaça nossas vidas e nossa liberdade. O movimento #EleNão reuniu mulheres trabalhadoras, do campo e cidade, das florestas, das águas, negras, indígenas, bissexuais, travestis, transexuais, lésbicas, com deficiência, brancas e amarelas que estiveram nas ruas do país contra a rede de  Fake News organizada para distribuir mentiras durante o processo eleitoral.

Neste ano, o movimento de mulheres vai às ruas pedir o fim deste governo e lutar contra os desmandos e desmontes praticados por Bolsonaro. Não admitimos as tentativas autoritárias do presidente e seus apoiadores de acabar com as condições democráticas no nosso país.

Por esse motivo, convidamos as mulheres de todas as organizações, coletivos, partidos políticos e movimentos feministas e sociais do país, bem como todas as ativistas independentes, para marcharmos juntas neste 8 de março em defesa da democracia e dos nossos direitos, pela nossa liberdade, pela vida das mulheres e contra este governo conservador, reacionário, racista, machista, xenófobo e LGBTfóbico e que já declarou inúmeras vezes que tem o movimento de mulheres organizado como seu inimigo.

Estamos de pé na defesa dos avanços dos direitos conquistados pela classe trabalhadora que vêm sendo retirados. Vamos lutar contra a violência e o corte de verbas promovidos pelo governo Bolsonaro aos programas sociais, que fragilizam e colocam em risco a vida das pessoas mais pobres. Caminharemos juntas contra todas as formas de violência, pelo direito à diversidade, à autonomia, à liberdade, pelo direito e soberania de nossos corpos, pelo direito de existir.

Somos contra a reforma trabalhista, a reforma da previdência, a Emenda Constitucional 95 que congelou os investimentos públicos por vinte anos e contra a “nova” proposta de reforma administrativa desse governo. Defendemos uma aposentadoria digna, o direito às políticas sociais, políticas públicas que defendam nossas vidas e o direito de viver com dignidade, pois somos nós que sustentamos a maioria das famílias neste país.

Marchamos contra a opressão histórica que silencia mulheres de diversas formas e contra o  machismo, o racismo, a lesbofobia e a transfobia que nos mata todos os dias.

Denunciamos o genocídio e o encarceramento em massa da população negra e indígena. Estamos nas ruas pela vida de TODAS as mulheres, brasileiras e imigrantes.

Em cada estado do país iremos ressoar a luta por demarcação de terras indígenas e quilombolas, denunciando os desastres ambientais que vimos se espalhar pelo país, em especial na Amazônia,  Brumadinho e no Nordeste.

Nossas vozes também ecoarão alto em defesa da Petrobrás, em solidariedade à greve dos Petroleiros e pela garantia da soberania nacional, ameaçada diariamente pela obsessão de Bolsonaro em entregar nossas riquezas e patrimônios para os interesses estrangeiros.

Ocuparemos as ruas em defesa do Estado laico e pelo respeito a todas as religiões e aos que não tem nenhuma, por uma convivência harmoniosa e respeitosa. Lutaremos pelo direito à pluralidade de vozes, em defesa de todas as formas de organização da classe trabalhadora e da sociedade civil.

Nós não esquecemos que, há dois anos, foi executada Marielle Franco, parlamentar mulher, negra, favelada, que amava mulheres e era de esquerda. Marielle foi assassinada pelo projeto político que representava em seu próprio corpo e até hoje não temos respostas. Exigimos justiça para Marielle e punição aos mandantes de seu assassinato.

Atentas, mobilizadas e organizadas para defender o Brasil e o nosso povo, neste mês de março mostraremos toda a nossa força. Convidamos todas a se somarem aos atos convocados em todos os estados do país neste dia 8 de março, Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora. Também nos incorporamos ao chamado dos atos que acontecerão no dia 14 de março, data que marca dois anos da execução da vereadora Marielle Franco, e ao dia 18 de março, quando iremos às ruas em defesa dos serviços públicos de qualidade.

É por nossas vidas, democracia e direitos!

Mulheres Contra Bolsonaro

A democracia não será silenciada! Ditadura nunca mais!

#EleNão #EleJamais

Fascistas não passarão!

Assinam essa convocação:

Ação da Mulher Trabalhista – PDT

PCdoB

PCB

PCR

PSOL

PSTU

Secretaria Nacional de Mulheres do PT

Secretaria Nacional de Mulheres do PSB

UP – Unidade Popular pelo Socialismo

Afronte!

ABGLT – Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Intersexos

ABL – Articulação Brasileira de Lésbicas

ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos

ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transsexuais

Artjovem LGBT

Católicas pelo Direito de Decidir

CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura

Círculo Palmarino

Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro

Coletivo Juntas

Coletivo Negro Minervino Oliveira

Coletivo Para Todas

CSP-Conlutas

CUT – Central Única dos Trabalhadores

EIG – Evangélicas pela Igualdade de Gênero

Feministas Anticapitalistas

Intersindical

Instituto Plurais

Juventude Rebeldia

MAMA – Movimento de Mulheres da Amazônia

Marcha das Mulheres Negras de São Paulo

Marcha Mundial das Mulheres

Movimento de Mulheres Olga Benário

Movimento Mulheres em Luta

MCONEN – Mulheres da Coordenação Nacional de Entidades Negras

MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas

MNU – Movimento Negro Unificado

MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

Rede Afro LGBT

Rede Emancipa de Cursinhos Populares

Rede Feminista de Juristas – DEFEMDE

Resistência Feminista

RUA – Juventude Anticapitalista

UBM – União Brasileira de Mulheres

UBES – União Brasileira de Estudantes Secundaristas

UNE – União Nacional dos Estudantes

UJR – União da Juventude Rebelião

UJS – União da Juventude Socialista

União de Mulheres do Município de São Paulo

Unidade Classista

8M Recife 2017 – Parque 13 de Maio – Foto: Maíra Acioli

Confira local e hora do 8M 2020 em sua cidade*

São Paulo (SP) – 8 de março às 14h na Av. Paulista
São José dos Campos (SP) – 6 de março às 17h na Praça Afonso Pena
Campinas (SP) – 7 de março às 9h no Largo do Rosário
Osasco (SP) – 7 de março às 10h no Calçadão
ABC Paulista (SP) – 7 de março às 13h na Praça 22 de novembro de Mauá
Baixada Santista (SP)
 – 7 de março às 12h na Praça dos Correios de São Vicente
São José do Rio Preto (SP) – 7 de março às 9h na Praça Rui Barbosa
Sorocaba (SP) – 7 de março às 10h na Praça Coronel Fernando Prestes
Caçapava (SP) – 7 de março às 10h na Praça da Bandeira
Hortolândia (SP) – 8 de março às 9h no Jardim Amanda
Pedreira (SP) – 14 de março às 10h na Praça Santana

Rio de Janeiro (RJ) – 9 de março às 17h na Praça da Candelária
Rio das Ostras (RJ) – 8 de março às 14h na Praça José Pereira Câmara
Niterói (RJ) – 8 de março às 9h no Campo de São Bento e Horto da Fonseca
Petrópolis (RJ) – 9 de março às 17h na Praça da Inconfidência

Belo Horizonte (MG) – 8 de março às 9h na Praça Raul Soares
Uberlândia (MG) – 8 de março às 14h na Praça Sérgio Pacheco

Vitória (ES) – 6 de março às 15h em frente à Casa Porto das Artes Plásticas e a Defensoria Pública

Porto Alegre (RS) – 9 de março às 18h no Centro
Pelotas (RS) – 7 de março às 10h no Chafariz do Calçadão
Gravataí (RS) – 8 de março às 15h30 no Parcão da 79

Curitiba (PR) – 8 de março às 9h30 na Rua Santa Zita, 281

Florianópolis (SC) – 8 de março às 12h na Ponte Hercílio Luz – Parque da Luz
Blumenau (SC) – 7 de março às 8h na Praça Dr. Blumenau
Joinville (SC) – 9 de março às 15h na Av. Beira Rio

Salvador (BA) – 8 de março às 9h no Cristo da Barra

Fortaleza (CE) – 8 de março às 13h no Dragão do Mar
Iguatu (CE) – 7 de março às 8h na Praça da Caixa Econômica
Crato (CE) – 6 de março às 8h na Prefeitura
Sobral (CE) – 8 de março às 8h no Mercado Público

João Pessoa (PB) – 8 de março às 15h na Praia de Tambaú (Busto)

Recife (PE) – 9 de março às 13h no Parque Treze de Maio
Caruaru (PE) – 12 de março às 8h em frente ao INSS

Aracaju (SE) – 8 de março às 9h na Praia de Atalaia

Maceió (AL) – 8 de março às 15h na Praia da Pajuçara

Natal (RN) – 9 de março às 15h na Catedral

São Luís (MA) – 9 de março às 15 na Praça Deodoro

Teresina (PI) – 9 de março às 8h na Praça da Liberdade

Palmas (TO) – 8 de março às 7h na Feira do Aureny I

Belém (PA) – 8 de março às 8h na Praça Waldemar Henrique
Altamira (PA) – 6 de março às 6h30 no Calçadão das Lojas Americanas
Marituba (PA) – 7 de março às 7h30 na Feira Municipal
Castanhal (PA) – 7 de março às 16h no Cras da Jaderlândia
Ananindeua (PA) – 8 de março às 9h na Praça da Matriz
Marabá (PA) – 8 de março às 8h na Folha 28, em frente da Unifesspa – Campus I
Santarém (PA) – 14 de março às 8h no Parque da Cidade

Macapá (AP) – 6 de março na Praça Veiga Cabral às 15h

Boa Vista (RR) – 6 de março às 9h no INSS

Rio Branco (AC) – 6 de março às 8h no Palácio Rio Branco

Manaus (AM) – 8 de março às 18h na José Clemente esquina com Eduardo Ribeiro

Brasília (DF) – 8 de março às 8h no Parque da Cidade

Cuiabá (MT) – 8 de março às 16h na Praça Ulisses Guimarães

Goiânia (GO) – 6 de março às 15h na Faculdade de Educação

* Fonte: PSol.org

 

 

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