Sem vacina suficiente, a peste avança, as UTIs transbordam e cada vez mais brasileiros morrem

por Sulamita Esteliam

Difícil celebrar vitórias em meio a recordes de mortes por Covid-19. Nesta terça, foram dois: 1.726 vidas apagadas em 24 horas e 1.224 a média móvel de óbitos em uma semana, 23% mais do que há duas semanas.

A contagem é do Consórcio de Imprensa, baseado em dados do Conass – Conselho Nacional de Secretários de Saúde fornecidos às 20 horas. Ainda que considerados os dados do fim da tarde, do mesmo Conass, o triste recorde se mantém: 1.641 mortes em 24 horas.

Todavia, há boas notícias, sim, também no que diz respeito à pandemia, aos menos preliminarmente, e elas vêm do Senado.

O primeiro é que está ampliado o leque de vacinas que pode ser adquirido pelos estados, que incluem a Sputnik V, produzida pela Rússia e a Covaxin, fabricada na Índia.

A segunda boa notícia é que o relator da PEC emergencial, que é do MDB bolsonarista, acabou retirando o jabuti embutido por Paulo Guedes no projeto para acabar com o piso de gastos com educação e saúde.

Chantagem absurda vincular o auxílio emergencial, que é para tirar as pessoas do sufoco da fome, a reforma fiscal, no meio do recrudescimento da gravidade da peste. Só mesmo um desgoverno carrasco.

A oposição ainda tenta que a concessão do benefício seja votada separada e primeiramente da PEC. A emenda do senador Paulo Rocha (PT_PA) que propunha a PEC exclusiva para o auxílio emergencial foi rejeita. O que se requer, agora, é que a votação seja à parte, o que ainda precisa ser decidido pelo plenário.

Nesta terça, governadores do Nordeste visitaram, no Distrito Federal, a fábrica da União Química, onde é produzida a vacina Sputinik V. Negociaram com representantes da empresa a compra direta da vacina, na hipótese mais do que provável de o governo federal não atender às necessidades dos estados em número de doses.

A vacina aguarda a autorização da Anvisa para ser usada em caráter emergencial. Aí é que entra a importância do projeto aprovado no Senado: ele autoriza os estados a comprarem vacinas que tenham sido testadas e aprovadas em seus locais de origem, mesmo que ainda não tenham o registro definitivo da agência de vigilância sanitária brasileira.

Claro que o capiroto-genocida pode vetar, assim como fez com o prazo de cinco dias para a Anvisa aprovar os pedidos de registro de vacinas. Afinal ele está aí para atrapalhar tudo que possa significar vida.

Mas, da mesma forma, o Congresso pode derrubar o veto, como o fez em alguns situações anteriores. Aliás é sua obrigação fazê-lo, quando nada, por questão de sobrevivência, também política.

Fato é que no andar da carruagem Brasil, qualquer avanço que não seja para o abismo, que permita esperançar, mínimo que seja, passa a ter gosto de festa.

Na real, o mar não está para peixe. Pernambuco está entre os 18 estados em “zona de alerta crítica”, que é a ocupação de leitos de UTI superior a 80%; aqui está em 93% e subindo.

Por conta disso, o estado entra com novas restrições à atividade econômica, a partir desta quarta, 03 até 17 de março, no período da noite, ao longo da semana, e durante o dia nos sábados e domingos. Somente as atividades essenciais – hospitais, farmácias, mercados, padarias e postos de gasolina, por exemplo.

Clubes sociais, praias e parques também fecham no fim de semana. Entretanto, exercícios individuais estão liberados nas praias, mesmo no fim de semana.

Pernambuco já conta 11.030 mortos por Covid-19 e 301.434 casos confirmados da doença, 1330 dos quais confirmados nesta terça.

Os demais 17 estados com UTIs no limite são: Rondônia (97%), Acre (92%), Amazonas (92%), Roraima (82%), Pará (82%), Tocantins (86%), Maranhão (86%), Ceará (93%), Piauí (80%), Bahia (83%), Rio Grande do Norte (91%), Goiás (95%), Mato Grosso (89%), Mato Grosso do Sul (88%), Paraná (92%), Santa Catarina (99%) e Rio Grande do Sul (88%). No Distrito Federal, a ocupação é de 91%.

De acordo com a Fiocruz, é a primeira vez, desde o início da pandemia em que há “o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos, de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de SRAG [Síndrome Respiratória Aguda Grave], alta positividade de testes e a sobrecarga de hospitais”.

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Fontes recorridas:

PE Contra o Coronavírus

Jornal Extra

Revista Fórum

Carta Capital

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