Força, Andreia! Ato em apoio à deputada mineira, alvo de ataque machista e racista no plenário da ALMG

por Sulamita Esteliam

O Coletivo de Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas dá oportunidade ao A Tal Mineira de recuperar um episódio inadmissível de que foi palco o plenário da ALMG, semana passada: a agressão racista, machista e misógina de que foi alvo a deputada Andreia de Jesus (PSol) na quarta-feira, 9.

Andreia pediu um minuto de silêncio pelo assassinato da jovem Kathlen Romeu, 24 anos, grávida de 24 semanas, em operação policial irregular em Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro, dia 8.

Seus colegas de parlamento, o Coronel Sandro (PSL) e Bruno Engler (PRTB) atacaram Andreia, interrompendo a sua fala, e classificando-a como sendo “asneira” e fruto de desinformação. Não contente, Sandro disse que ela precisa “estudar mais”. Andreia é advogada popular e educadora.

Andreia de Jesus - no plenário

Nesta terça, às 15 horas, acontece um ato de desagravo á deputada , nas escadarias da ALMG. Ao Coletivo de Mulheres da Casa se juntam entidades de defesa dos Direitos Humanos, dos Direitos das Mulheres, de combate à violência contra Mulher , ao racismo e à violência política contra a mulher, de defesa da igualdade racial.

As organizações entendem que “os referidos deputados procederam de maneira desproporcional, agressiva, machista, misógina, preconceituosa; que no ambiente parlamentar não cabe manifestação de ódio; que os deputados responderam a um momento de dor da deputada com palavras que  a feriram ainda mais.”

O ataque a Andreia de Jesus é mais um dentre a série de abusos que parecem se multiplicar como o vírus que consomem as famílias brasileiras.

Não bastasse essa dor, o choro do Brasil pelos mortos pela pandemia, “a população negra chora a dor de ver suas filhas e filhos, irmãs e irmãos, pais e mães sucumbirem a ações desastrosas de ações policiais”, lembra a convocação.

O ato vem somar-se à série de manifestações em apoio à deputada Andreia de Jesus, de entidades como o  Conedh – Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos e o Conepir – Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial. O coletivo Alma Preta Jornalismo publicou reportagem denunciando o ataque.

Importante lembrar que a violência política contra as mulheres tem sido uma constante, especialmente após os ataques misóginos que redundaram no golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

As últimas campanhas eleitorais foram das mais sujas e agressivas com as mulheres e candidaturas LGBTs dos últimos tempos. Incluem ameaças de morte, que levaram pessoas como a filósofa Márcia Tiburi, que concorreu ao governo do Rio de Janeiro pelo PT e o então deputado eleito Jean Wyllys, que sequer chegou a tomar posse no seu mandato renovado.

O mesmo se deu nas eleições municipais, e não apenas contra candidatas às prefeituras, a exemplo de Margarida Salomão, em Juiz de Fora; Marília Campos, em Contagem;  Marília Arraes no Recife e Manuela D’Ávila em Porto Alegre.

A perseguição às mulheres, eleitas ou ex-candidatas não cessaram, ao contrário, permanecem nas redes sociais e em atos explícitos, que incluem familiares. Não poupam nem crianças, como aconteceu recentemente com a filha de 6 anos de Manu.

Andreia de Jesus- Instagram

Neste domingo, deputada Andreia usou seu perfil no Instagram para contar a uma história pessoal de afeto e reconhecimento, mas que traduz o cuidado indispensável a própria segurança.

Transcrevo – a foto que abre a postagem aqui é a que acompanha o texto lá no Instagram da Andreia de Jesus:

“Peço licença neste domingo para contar uma coisa mais pessoal.

Quando me tornei deputada a vida mudou e muito. Senti muito medo, morava em uma casinha “Alguns a tipificam como barracão” . O que me separava dos lotes baldios da minha vizinhança e rua eram três fiadas de arame farpado. Tinha conseguido cercar meu terreno há pouco tempo com o salário de assessora parlamentar da gabinetona.

Cerquei e fiz uma varandinha! 🏡

Aquela altura não me preocupava a segurança, três fiadas de arame farpado em eucaliptos espaçados bastavam. Era só para dizer a mim mesma “esse lote, com essa casa são meus. Eu consegui ter uma casa”.

Sim foi por auto afirmação, porque foi duro construir a casa, o lote foi herança de meu pai. Pagou por anos um lote com salário de padeiro.

Pai onde estiver, saiba que hoje eu poderia ter mudado de casa. Mas não vou sair da periferia e honro o dinheiro suado que o senhor empregou naquele terreno fazendo pães.

Me elegi com a força dos feminismos, das ocupações e dos movimentos que atuam pelo abolicionismo penal.

Sou semente de Marielle! 🌻

Quando fui eleita, minhas redes sociais lotaram de mensagens de alegria e ódio. Fui acometida de um medo. Marielle tinha sido assassinada pouco tempo antes, Bolsonaro eleito, medo do que estava por vir para mim e para nosso país.

Fiz um muro na minha casa!

O medo com passar do tempo foi dando espaço a uma segurança vinda do amor, das lutas, da coragem que nós mulheres negras temos diante da vida e dos desafios. Do trabalho que faço junto a equipe diante de tantas lutas. Das vitórias coletivas que temos conseguido junto aos quilombos, mulheres, comunidade carcerária, contra mineração predatória.
A favor dos Direitos Humanos.

Isso tudo para dizer que tenho recebido mensagens de ódio, de racismo por parte de Bolsonaristas nas redes sociais.

Mas que elas não são maiores em quantidade e força do que nossa capacidade e inteligência coletiva de construir afetos emancipatórios e política publica.

Temos uma rede que defende os direitos humanos, que faz ciranda, que resiste junto às ocupações diante de tratores e bombas para defender a moradia do nosso povo.

Somos muitas!”

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SERVIÇO:

Ato “FORÇA ANDRÉIA”

Local: Escadaria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Rua Rodrigues Caldas, 30 – Santo Agostinho

Belo Horizonte/MG

Dia: 15 de junho de 2021

Horário: 13 horas

Contato: Coletivo de Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Renata: 31-97540-3063

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