Capiroto amarela e faz recuo tático: sabe que o jogo está com o TSE

por Sulamita Esteliam

Usemos a linguagem do capiroto-presidente para resumir a ópera pornográfica do golpe anunciado para o 7 de Setembro, com roteiro e direção do próprio. Só podia dar no que deu.

Quero dizer: o bufão amarelou, arregou e o golpe broxou. Ao menos por hora…

O jeito foi chamar o mordomo-golpista, vampiro insaciável, para amansar as feras togadas, a começar pelo Alexandre Moraes, que dele foi ministro da Justiça e por ele foi nomeado ao STF.

Moraes tem a chave da cadeia dos filhos presidenciais. E recebeu pedido de desculpas telefônicas. E veio a nota oficial: “foi sem querer, estava de cabeça quente”.

Pediu desculpas. Naquele velho estilo do estica e puxa. O gado estrilou, decepcionado. O lockdow do agronegócio, travestido de greve de caminhoneiros, bateu com os cornos na barreira política.

Da próxima, quem sabe da certo… 

Mas o personagem do dia é Luís Roberto Barroso, o ensebado. Botou a pica na mesa, e o capiroto tremeu – de medo ou de encantamento, vai saber. 

Feito um cachorrinho vira-latas, viciado em chorume, que é a verdadeira natureza dos valentes de ocasião: latem a nos ensurdecer para chamar a atenção, mas fogem ganindo ao primeiro bater de pé.

Ocorre que e o TSE, presidido por Barroso, é quem pode acabar com a farra do inominável.

Há quatro ações em tramitação, todas por abuso de poder econômico e uso indevido das redes sociais, como disparo em massa de mensagens pelo zap-zap, proibido por lei. 

Demorou, mas recentemente, o tribunal passou a considerar real a possibilidade de cassação da chapa. O próprio favorecido tem denunciado de público que houve fraude, embora tente jogá-lo no colo do próprio TSE.

Ele sabe bem o que fez há três verões passados. Sem falar na pantomima da facada cinematográfica. E as mentiras lavadas diariamente no cercadinho e nas redes.

O Alexandre Moraes franqueou mais algumas, obtidas nas investigações das fake news. Também houve compartilhamento com a CPI do Genocídio, que fez transbordar todo o estrume.

Mas provas da ilegalidades eleitorais já havia desde a apuração do resultado. Só não se julgou por conveniência política – que eles nominam como “a bem da democracia”, a saber para quem.

Navegaram contra o vento, deixando Brasil naufragar na lama abissal em que nos jogaram.  

Desnecessário repetir aqui o rol de crimes de responsabilidade do ocupante da cadeira presidencial. Estão aí enumerados por juristas e cientistas políticos, e políticos de colarinho alvo ou encardido, e não apenas nas celebrações do 7 de Setembro. 

A Constituição mais violada do planeta sabe de cor quantas vezes, como e quando foi estuprada, coletivamente, e com requintes de sadismo.

E não só pelo ser que desgoverna o Brasil, mas pelos donos da casa-grande e a horda que mosqueja no seu entorno .

Desde a quebra do sigilo ilegal da presidenta Dilma Rousseff pela Lava Jato. Depois a fraude do impeachment dela, a prisão do presidente Lula para impedi-lo de se candidatar, a despeito da Lei Maior assim o permitir. 

A lista é interminável. E como bem lembra o colega Rubens Valente, “era só ler a Constituição”.

Injustificável, por outro lado, é a demora, quase três anos, em apurar e julgar as falcatruas eleitorais de 2018. Todas fartamente documentadas, e conhecidas até pelos buracos da Serra do Curral.

Desdigo: não se fez por conveniência política, que eles traduzem por “condições políticas”.

Em miúdos: até dois anos da eleição, o presidente interino – Câmara, Senado e STF, pela ordem – teria que convocar diretas em três meses, e aí…

Agora que a escolha do presidente-tampão é pelo Colégio Eleitoral, pode até rolar acordo com o Arthur Lyra (PSD) ou o Rodrigo Pacheco (DEM). É a chance deles de articular a tal da terceira via para entrar no jogo.

O sistema de justiça – STF, TSE, MPF e que tais – é, portanto, co-autor da debacle brasileira. Ajudou a abrir a caixa de pandora, ao invés de vedar a tampa. A mídia venal ligou o ventilador e aqui estamos.

Tornaram-se alvo, e agora falam grosso, e antes tarde. Voltam a ser lanterna a iluminar a saída do fosso em que nos meteram.

Depois da passada de pano do presidente da Câmara, do não é comigo do presidente do Senado e do lero-lero do Luiz Fux é o que nos resta.

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Fontes requisitadas

TSE/Gabinete Luís Roberto Barroso: Nota á Imprensa

Jornal GGN: Bolsonaro ameniza ameaças golpistas em carta à Nação, escrita com ajuda de Temer

Carta CapitalCassar a chapa Bolsonaro-Mourão é mais viável que o impeachment, diz cientista político

O Povo: TSE avalia que existem condições técnicas de cassar a chapa Bolsonaro-Mourão

Agência PTTSE autoriza quebra de sigilo e pode cassar chapa Bolsonaro-Mourão

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Postagem revista e atualizada: correção de erro de ortografia: “fosso”, não “foço”, conforme grafia anterior. Obrigada Dalmir e Orion.

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