Thiago de Mello: de encantador a encantado

por Sulamita Esteliam

“Fica decretado que agora vale
a verdade.
Agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos
pela vida verdadeira.”
(Thiago de Mello – Artigo I, Os Estatutos do Homem – ou Ato Institucional Permanente)

E lá se vai nosso timoneiro,
poeta do povo,
encantar estrelas!
Como o rio encanta a floresta
de onde ele brotou para espalhar amor,
sementes de luz em forma de versos.
Obrigada🙏🏼✨😇
#ThiagodeMellopresente

Reproduzo aqui minha postagem no Instagram em reverência ao poeta amazonense, Thiago de Mello, encantado nesta sexta-feira, aos 95 anos. Em 31 de março, o poeta das lutas populares completaria 96 anos.

Vai outro poema, lindo, como tudo que ele escreveu. Recebi em um dos ene grupos de que participo no zap-zap:

Madrugada Camponesa

 
Por Thiago de Mello
 
Madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.
A noite já foi mais noite,
a manhã já vai chegar.
 
Não vale mais a canção
feita de medo e arremedo
para enganar solidão.
Agora vale a verdade
cantada simples e sempre,
agora vale a alegria
que se constrói dia a dia
feita de canto e de pão.
 
Breve há de ser (sinto no ar)
tempo de trigo maduro.
Vai ser tempo de ceifar.
Já se levantam prodígios,
chuva azul no milharal,
estala em flor o feijão,
um leite novo minando
no meu longe seringal.
 
Já é quase tempo de amor.
Colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana,
minha alma no seu pendão.
Madrugada camponesa.
Faz escuro (já nem tanto),
vale a pena trabalhar.
Faz escuro mas eu canto 
porque a manhã vai chegar

O amazonense é uma paixão poética desde os tempos da juventude. E já o declarei aqui, em texto escrito em 2020, quando postei um vídeo com ele em pessoa declamando seu poema de resistência à ditadura militar de 1964, de onde extraí o verso abre esta postagem. A íntegra ddos versos, em seus 13 Artigos mais o Artigo Final podem ser lidos aqui:

Thiago de Mello e a poesia como arma da indignação: ‘Os Estatutos do Homem’

Lá no perfil do Instagram, agreguei, repostando, o texto-homenagem do MST, que transcrevo, antes que os ponteiros do relógio dobrem para o sábado:

Reposted from @movimentosemterra ✊🏾

Thiago de Mello

Na manhã desta sexta-feira (14) o mundo se despede do grande poeta das lutas populares Thiago de Mello. Nascido em Barreirinha, no interior do Amazonas, ele viveu seus 95 anos intensamente comprometido com o destino do povo brasileiro.

Bastante ativo na luta contra a ditadura militar, Mello foi preso e exilado, passando pela Argentina, Portugal e Chile, onde viveu com seu amigo Pablo Neruda. Após o fim da ditadura, retornou ao Brasil, vivendo sempre no Amazonas.

Um de seus livros mais célebres é “Faz Escuro, Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar”, publicado em 1965 e escolhido como frase-título da última Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 2021.

Seu poema “Os Estatutos do Homem”, escrito logo após o golpe militar de 1964, começa com os seguintes versos: “Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.”

Nos inspirando nestes versos, nos comprometemos em mantemos vivo o legado de Thiago de Mello, seguindo sua luta!

Thiago de Mello, presente!

#QuarentenaSemTerra#ForaBolsonaro#TodosPelaReformaAgrária

 

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