Com fome, não há saúde possível

por Sulamita Esteliam

Não há saúde possível em meio à fome. E no Brasil, como de resto em boa parte do mundo, as pessoas estão morrendo de fome. Aqui, sobram relatos médicos e de agentes de saúde sobre gente que procura o serviço médico, e não há outro diagnóstico que não seja fome.

A má gestão deliberada da pandemia de Coronavírus por desgoverno deliberadamente destrutivo só fez tornar tudo muito pior. O impacto inflacionário dos preços de combustíveis e da falta de controle de estoques de alimentos no Brasil é criminoso.

Bom reativar a memória no dia internacionalmente dedicado à saúde e nacionalmente á profissão de jornalista – que também anda capengando, mais do que sempre.

Nas capitais brasileiras, atos de protestos contra o desmantelo da saúde pública e em defesa do SUS de qualidade fizeram um esquenta para as manifestações de sábado já agendadas pelos sete cantos do país pelo Fora Coisa Ruim! Link com os locais confirmados ao pé da postagem.

No Instagram, o ex-ministro Alexandre Padilha, hoje deputado federal pelo PT-SP, lembra que o PT revolucionou a saúde pública no país: antes dos governos Lula e Dilma, menos de 32% da população brasileira era atendida por equipes de saúde da familia; em 2016 chegou-se a 61%,

Até o final do governo Dilma, 41.557 UBS – Unidades básicas de Saúde estavam em funcionamento, com mais de 15.720 obras concluídas.

Foi o PT que criou o Samu, as Upas e ampliou o serviço de farmácia popular.Em seus governos o Programa Nacional de Vacinação alcançou a marca de 80 milhões de imunizações em três meses.

Enquanto isso, o desgoverno valeu-se de mentiras, atos e omissões para: negar e retardar a distribuição de vacinas; desestimular cuidados básicos como uso de máscaras e restrições a contatos sociais; manipular a população com propagandas de tratamentos inadequados, nocivas à saúde e em benefício da indústria farmacêutica e da medicina privada.

A consequência disso são inarredáveis: mais de 660 mil mortes, boa parte delas perfeitamente evitáveis com medidas preventivas corretas, a implosão do sistema de saúde pública.

Há duas semanas, o impacto da pandemia na Saúde da Família foi o tema do Violência Zero, quadro que abre o programa de rádio Banco de Feira, de Direitos Humanos, literatura e cultura popular, no Recife.

A doutora em Saúde Pública e pesquisadora, Mauricéa Santana, que também é poeta e recitadora, enfatizou como a redução nos investimentos no atendimento preventivo foi devastador na vida da população periférica, sobretudo das mulheres negras.

E como os protocolos sanitários tornam-se ficção quando se divide a exiguidade de espaço numa família de seis, oito dez pessoas, sem água, sem saneamento básico, sem salário regular, com todas as crianças em casa porque as aulas estavam suspensas.

Mundos paralelos sustentados pela desigualdade social, que muitos de nós sequer imaginam.

Ouça o áudio completo da entrevista nos primeiros 30 minutos da transcrição abaixo:

Tudo isso e mais o aumento abusivo nos preços dos medicamentos, coisa de 11% recentemente. e mais 18% nas mensalidades dos planos de saúde, que atinge diretamete a classe média.

Sobram razões para protestar. O espantoso é que tudo esteja assustadoramente calmo.

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Confira as manifestações confirmadas até esta quinta-feira (7):

Norte

AP – Macapá – Praça da Bandeira | 16h
PA – Belém – Escadinha da Presidente Vargas | 8h

Nordeste

BA – Itabuna – Praça Adami | 9h
BA – Feira de Santana – Estacionamento em frente à prefeitura | 8h30
BA – Salvador – Concentração no Campo Grande | 14h
CE – Fortaleza – Praça Portugal | 15h
MA – Imperatriz – Calçadão, Centro | 9h
MA – Santa Inês – Praça das Laranjeiras | 8h
MA – São Luís – Praça João Lisboa | 9h
PE – Recife – Parque Treze de Maio | 9h
PI – Teresina – Praça da Liberdade | 8h
SE – Aracaju – Praça de Evento dos Mercados | 8h
RN – Natal – Em frente ao Midway | 15h

Centro-Oeste

DF – Brasília – Museu da República | 16h
GO – Goiânia – Praça do Trabalhador | 16h
GO – Rio Verde – (Aguardando Infos) | 9h
MS – Campo Grande – Avenida Afonso Pela c/ 14 de Julho | 9h

Sudeste

MG – Barbacena – Praça São Sebastião | 8h30
MG – Belo Horizonte – Praça Afonso Arinos | 9h30
MG – Juiz de Fora – Parque Halfel | 10h
MG – Montes Claros – Mercado Municipal | 8h
RJ – Campo dos Goytacazes – UFF Campos | 9h
RJ – Rio de Janeiro – Candelária | 10h
SP – Botucatu – Praça do Bosque | 14h
SP – Jaguariúna – Campinas Largo do Rosário | 9h
SP – Marília – Praça da Ilha, em frente a Galeria Atenas | 9h30
SP – Osasco – Estação de Osasco | 12h30
SP – Ribeirão Preto – Esplanada Theatro Pedro II | 9h
SP – Santos – Estação da Cidadania, Av. Ana Costa 340 | 16h
SP – São Paulo – Praça da República | 14h
SP – São Vicente – Praça Barão | 10h

Sul

PR – Cascavel – Em frente a Catedral | 9h
PR – Curitiba – Praça Generoso Marques | 14h30
PR – Umuarama – Praça Arthur Thomas | 10h
PR – Foz do Iguaçu – Praça da Bíblia | 18h
RS – Novo Hamburgo – Praça do Imigrante | 10h
RS – Pelotas – Mercado Público | 10h
RS – Porto Alegre – Largo Glênio Peres | 15h
RS – Santa Maria – Praça Saldanha Marinho | 14h
SC – Florianópolis – Largo da Alfândega | 9h
SC – Joinville – Praça da Bandeira | 14h

Com Brasil de Fato

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